Dever de casa feito: ação da Kroton sobe 73,3% e é a campeã do Ibovespa em 2013

Em meio a tantos segmentos da economia que viram suas ações sofrerem com as intervenções governamentais desde o ano passado

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SÃO PAULO – Poucas ações conseguiram se destacar positivamente na Bovespa tanto em 2012 quanto em 2013. Algumas destas exceções ficaram com as empresas do setor de educação, em especial a Kroton (KROT3), uma das duas ações do segmento que fazem parte do Ibovespa – o principal índice acionário da BM&FBovespa. Com alta de 73,29%, os papéis da gigante do ensino superior foi a campeã do Ibovespa no ano, fechando a R$ 39,26, driblando o desempenho ruim do benchmark brasileiro, que caiu 15,50% no período. Vale lembrar que em 2012 os ativos KROT3 já haviam subido 151,5%, em um ano em que o Ibovespa subiu apenas 7,4%.

Em meio a tantos segmentos da economia que viram suas ações sofrerem com as intervenções governamentais desde o ano passado – caso dos bancos, elétricas e a Petrobras (PETR3, PETR4) -, as educacionais foram um dos poucos setores que conseguiram surfar na onda do governo, principalmente por conta do estímulo ao crédito universitário por meio do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), impulsionando a demanda das universidades. Isso colaborou para o sucesso de outras companhias focadas no ensino superior listadas na Bovespa, como a Anhanguera (AEDU3, R$ 14,90, +29,41%) e Estácio (ESTC3, R$ 20,41, +47,60%). No ano passado, elas já haviam subido 72% e 134%, respectivamente.

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Diferenciais da Kroton
E bons motivos não faltaram para os investidores manterem o otimismo com a Kroton em 2013. Em abril, a companhia anunciou uma fusão junto com a Anhanguera, que dará origem à maior companhia do setor no mundo, com uma base de alunos de 1 milhão e expectativa de Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) na casa de R$ 1 bilhão, segundo apontou o próprio presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, na época da fusão. Ainda em análise no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a junção das duas empresas deve ser aprovada ainda na primeira metade de 2014, com os analistas um tanto céticos com possíveis restrições do órgão regulador. Um mês antes, as duas empresas haviam anunciado o desdobramento de suas ações na Bovespa – o que na prática significa aumentar o número de ações na bolsa e reduzir proporcionalmente o valor de face delas -, sugerindo um “convite” para o investidor com menor poder de compra pudesse montar posições no emergente setor. 

“Não tem como ir contra educação. Tem muito coisa acontecendo no setor e mesmo com a alta expressiva este ano, o papel deve continuar com perspectiva boa em 2014”, disse ao InfoMoney o gestor Will Landers, especialista em América Latina da BlackRock – a maior gestora de recursos do mundo, em ativos sob gestão. O analista Paulo Weickert, da Apex Capital, lembra ainda sobre o espaço de crescimento na linha EAD (Ensino a distância), que já responde por 50% do Ebitda da Kroton.

Landers ressalta ainda que nem mesmo a entrada de duas novas companhias educacionais na Bovespa em 2013 Anima (ANIM3) e Ser Educacional (SEER3) – deve tirar o brilho da Kroton. “Ela é a maior do setor, não tem como desprezar isso”, comentou. A expectativa acerca das sinergias com a Anhanguera e a possibilidade de novos cursos a serem lançados ano que vem podem servir como novos “gatilhos” para a ação.

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Para 2014, a analista Sandra Peres, da Coinvalores Corretora, aponta três motivos para seguir confiante com a empresa: a ascensão da classe C, que começa a se preocupar cada vez mais na formação para adquirir maior penetração no mercado; os crescentes incentivos do governo ao seto; e o crescimento de novas modalidades de ensino a distância. “A maioria das pessoas entende que a ascensão no mercado de trabalho se dá através do ensino superior. Desta forma, a demanda por serviços educacionais acabou tendo um crescimento acelerado nos últimos anos, elemento que se somou a fatores econômicos como o aumento da renda da população de um modo geral”, explica Sandra.

Convite para o Ibovespa e ADRs
Em 2013, a expectativa de se tornar uma das maiores empresas do setor no planeta aumentou ainda mais a busca dos investidores pelos papéis das companhias, o que propiciou que elas passassem a fazer parte do Ibovespa a partir do 2º quadrimestre do ano – a carteira teórica do índice é revisada a cada 4 meses. Nestes 4 meses dentro do índice, os ativos da Kroton somam ganhos superiores a 20%. O ingresso no Ibovespa naturalmente propicia uma maior liquidez para as ações, já que muitos fundos que possuem como objetivo de investimento replicar a carteira do índice precisaram encarteirar esses papéis para continuarem alinhados à performance do benchmark.

Um mês depois, a Kroton lançou seu programa de ADRs (American Depositary Receipts), sendo um primeiro passo para a internacionalização da companhia em ingressar no mercado de balcão em Nova York.

OUTROS DESTAQUES DE 2013:

2º: Braskem (BRKM5, R$ 21,00, +64,06%)
A segunda colocada em 2013 foi a petroquímica Braskem, beneficiada principalmente pela disparada do dólar – já que, além de exportadora, tem suas receitas também atreladas ao dólar por aqui. Além disso, a empresa, uma joint-venture entre Petrobras e Odebretch, se beneficia da política de preços da estatal, que não lhe repassa a volatilidade internacional nos preços. 

3º TIM Participações (TIMP3, R$ 12,33, +56,12%)
Enquanto isso, a TIM teve um excelente ano colhendo frutos de melhoras operacionais e se recuperando de um 2012 fraco. Além do lançamento do seu serviço de banda larga, a empresa também foi alvo de especulações a respeito de seu futuro, após a Telefónica adquirir uma fatia da controladora da empresa – o que pode desencadear uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) para fechamento de capital caso alguém a compre. 

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4º JBS (JBSS3, R$ 8,77, +47,64%)
Já a JBS teve seus ganhos atrelados às melhoras operacionais em suas subsidiárias – a empresa fez diversas aquisições e só agora vai conseguindo integrar com sucesso as empresas. Além disso, é uma exportadora e se beneficia pelo avanço do dólar. A empresa também adquiriu a Seara da Marfrig e vem elevando o valor agregado de seus produtos. 

5º Cielo (CIEL3, R$ 65,65, +44,08%)
A Cielo esteve novamente entre as campeãs do ano. A empresa conta com algumas das margens mais elevadas entre empresas listadas na BM&FBovespa e se beneficia de momentos em que os investidores buscam por maior qualidade – o flight to quality tende a buscar empresas mais saudáveis, como a Cielo. A temida concorrência também não veio. 

Thiago Salomão

Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers