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SÃO PAULO – Os preços do petróleo devem dominar o cenário para o setor neste ano, apontou o Deutsche Bank, que ressaltou o risco para a commodity cotada no mercado de Londres, o Brent, ser negociada acima da projeção atual, de US$ 115,00 o barril, tendo em vista que o fechamento do pregão de quinta-feira foi de US$ 110,79.
“Enquanto as ações podem reagir positivamente à apreciação do preço do petróleo, as empresas não devem se beneficiar tanto quanto o esperado”, ponderam os analistas Marcus Sequeira e Luiz Fonseca.
Desta forma, com expectativa de forte volatilidade do mercado, o banco alerta que os investidores precisam ser mais seletivos neste ano, optando por empresas com boa geração de fluxo de caixa e alto potencial de exploração. Outros fatores também influenciam as perspectivas para o setor em 2012, como os resultados das explorações de importantes áreas da Queiroz Galvão (QGEP3), que devem ser divulgados ainda no início do ano.
Enquanto isso, mais explorações na Bacia de Solimões devem trazer um sentimento favorável novamente para a HRT (HRTP3). A companhia planeja realizar sua primeira perfuração na Namíbia, o que será trará um impacto muito importante para as suas ações, indicaram os analistas.
Apesar de ser difícil prever, o banco está cauteloso de que a Rodada 11 vá acontecer ainda este ano. Se isso ocorrer, deve trazer um resultado positivo para as companhias do setor, com exceção da Petrobras (PETR3, PETR4), que deve ser de neutro para levemente negativo.
Preocupações com Petrobras
Uma preocupação corrente do mercado é se as regulamentações locais irão atrasar o crescimento da produção de petróleo da Petrobras, indica a equipe do Deustche Bank. Contudo, eles não acreditam que isso deve acontecer no curto ou médio prazo. “No longo prazo, entretanto, a história é diferente, já que o governo vai continuar aumentando as exigências e poderia atrasar a oferta das áreas se os fornecedores locais não forem capazes de atender à crescente demanda”, ressaltam.
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Além disso, os analistas ressaltaram que enquanto a Petrobras insiste em sua estratégia de preços para o longo prazo, tudo depende do que o Governo permite à estatal fazer e as suas implicações para os preços da gasolina e diesel na economia doméstica. Nesse cenário, com a perspectiva favorável para os preços do petróleo em 2012, mais aumentos nos preços serão necessários para melhorar os resultados do segmento de refino da Petrobras, afirmam.
Vale mencionar também os planos da companhia em investir US$ 53 bilhões durante quatro anos no pré-sal, sendo esperado com isso uma produção de aproximadamente 500 toneladas de barris de petróleo até 2015. “A tendência de produção da Petrobras infelizmente continua a decepcionar, apesar dos pesados investimentos dos últimos anos”, alertam.
Ademais, o banco acredita que, com todas as restrições na oferta nacional e internacional, no mercado de trabalho e devido ao desafiador cenário macroeconômico, o plano de investimentos para os próximos cinco anos da Petrobras, a ser anunciado em algum momento nesse semestre, devem vir novamente estáveis.