Deutsche mantém Gerdau como top pick, mas prevê cenário volátil para setor

Banco acredita que empresa terá boas taxas de retorno, enquanto avalia riscos potenciais para CSN a partir de operação com Usiminas

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SÃO PAULO – Prevendo um cenário mais volátil nos próximos dois anos para as companhias siderúrgicas, o Deutsche Bank revisou as estimativas para o setor. De acordo com o banco, os investidores considerarão um cenário de longo prazo para o mercado, e não só mais retornos imediatos para os ativos.

Os analistas Rodrigo Barros e Leandro Cappa consideram a Gerdau (GGBR4), juntamente à Vale (VALE3;VALE5), como a top pick do setor, oferecendo uma combinação de alto potencial e boas taxas de retorno. Com isso, seguem com recomedação de compra para os ADRs (American Depositary Receipts) da companhia, com preço-alvo de US$ 13,00 para cada papel – o que configura um potencial de valorização de 49,60% em relação ao fechamento desta sexta-feira (15).

Os analistas ressaltam que o maior ajuste realizado por eles no valuation da Gerdau foi a inclusão do aumento dos preços domésticos no Brasil. A perspectiva ajustada é de aumento de 1,5% dos preços de aços longos no segundo trimestre, 4% no terceiro trimestre e 1% nos últimos três meses do ano. Esse é o primeiro ajuste para cima do preço do minério para o ano.

Entretanto, devido ao desempenho econômico decepcionante entre os meses de janeiro e maio, os analistas revisaram para baixo o crescimento do volume de aço no ano, de 7% ante 10% anteriormente. Segundo Barros e Cappa, as maiores preocupações para a companhia é em caso de cenário de maior importação no mercado doméstico, particularmente na Turquia.

Risco de operação com Usiminas
Já no caso da CSN (CSNA3), Barros e Cappa incorporaram o capex (investimentos em bens de capital) da ferrovia Transnordestina no modelo. Anteriormente, os analistas assumiram que os R$ 3,3 bilhões investidos não iam gerar retornos, mas não incluíram investimentos posteriores.”Nesse momento, assumimos um capex de R$ 6,4 bilhões para o projeto, estimando uma taxa interno de retorno de 5%”, afirmam.

Os analistas também recomendam compra para os papéis da companhia, com preço-alvo de US$ 9,00 – configurando num potencial de valorização de 46,10% frente o último fechamento. Com relação ao mercado de minério de ferro, os analistas retiraram do modelo os lucros obtidos pela CSN devido à revenda do minério comprado no mercado doméstico.

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Na visão de Barros e Cappa, os preços de compra domésticos devem crescer após a MMX (MMX3) iniciar suas operações no Porto Sudeste em 2013. “Com isso, tais oportunidades de arbitragem podem se tornar mais difíceis de obter do que no ambiente atual”. Além disso, com a depreciação do real frente ao dólar, os analistas também assumiram um aumento dos custos para obtenção de carvão.

Segundo os analistas, o cenário de maior risco para a companhia no curto prazo é a posição de caixa da companhia – que pode ser ameaçada no caso da companhia decidir participar da oferta de ativos da Usiminas (USIM3;USIM5).

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.