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SÃO PAULO – Recuperação em U, W ou V? No que depender do comércio internacional, a recuperação da economia global deverá ser rápida, aponta o Jochen Möbert, analista do Deutsche Bank. Prevendo um avanço de dois dígitos no volume de transações comerciais entre países em 2010, ele ressalta a saúde das economias emergentes.
A projeção oficial do FMI (Fundo Monetário Internacional) é de crescimento de 5,8% para o índice neste ano. “Esta previsão pode ser vista como excessivamente conservadora”, escreve Möbert. O comércio internacional geralmente avança o dobro do crescimento anual do PIB (Produto Interto Bruto) mundial, aponta. Tendo em vista que a órgão prevê um aumento de 3,9% para o PIB global, seria apenas lógico que a sua projeção ficasse alguma coisa próxima de 8%.
Contudo, este número também fica aquém da realidade. “O ambiente macroeconômico deve impulsionar o comércio internacional”, destaca o economista alemão. Com a crise financeira, o volume de mercadorias transacionadas entre as nações do mundo caiu cerca de 20%, mas, graças à ação coordenada dos bancos centrais em prol de manter a liquidez dos mercados, o índice já apresentou recuperação de 16% desde o segundo trimestre de 2009.
Mercados emergentes
“A recuperação foi particularmente pronunciada nos mercados emergentes”, diz o analista, dando especial destaque para a Ásia. “Com seus imensos pacotes de estímulo, a China incrementou não apenas a sua economia mas também o comércio intra-asiático”, ajudando a compensar o vão criado pelo colapso financeiro.
Dada a atual dinâmica da recuperação, as exportações da Ásia já superaram os volumes pré-crise, e o mesmo deverá acontecer na América Latina e nas economias africanas e do Oriente Médio nos próximos meses, aponta.
Mundo desenvolvido
A situação, porém, é menos animadora no mundo desenvolvido. “Se as exportações das economias desenvolvidas crescerem a uma taxa média de 6% por ano, número similar ao visto no período entre 1991 e 2007, os níveis pré-crise não serão atingidos antes de 2013”, pondera Möbert.