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SÃO PAULO – Políticos do Brasil, tanto de direita quanto de esquerda, comumente citam os problemas sociais do País para justificar os volumosos gastos do governo. Para os analistas do Deustche Bank, a continuação deste padrão de gastos pode representar um sério risco para o desempenho da economia brasileira no futuro, sendo necessárias medidas para aumentar a poupança, tanto do governo quanto das famílias.
O ano de 2011 poderá ser lembrado como o momento em que o Brasil conseguiu elevar seu crescimento para uma trajetória acima de 5%, ou pode ser simplesmente lembrado com o ano em que o País perdeu uma tremenda oportunidade, afirmaram. Isto porque o consumo das famílias e do próprio governo brasileiro são muito altos, o que pode se traduzir em uma diminuição do ritmo de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) mais à frente.
Crescimento garantido
“Evidencias empíricas sugerem que a poupança normalmente cresce depois que o crescimento econômico decola”, enfatiza o banco alemão. Contudo, este fenômeno ainda não se verificou, pelo menos em larga escala, no Brasil, onde o consumo tem sido sustentado em níveis elevados.
“Para que o ciclo virtuoso se mantenha, o governo precisa permitir que a poupança cresça”. Desta forma, com maiores reservas de capital, o País seria capaz de manter um nível mais elevado de investimento, o que, em última análise, garantiria maiores taxas de crescimento do PIB.
Fica no ar, porém, a questão de como incentivar práticas de poupança no País sem prejudicar o desempenho da economia.
Problema político
O leitor atento deverá estar com duas perguntas na cabeça neste momento: qual seria a melhor alternativa para colocar o Brasil no rumo certo e porque isto só será possível em 2011? Pois bem, a reposta para ambas as perguntas é a mesma: reforma da previdência.
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O Deustche Bank argumenta que a reformulação do sistema previdenciário brasileiro seria capaz de incentivar o aumento da taxa de poupança, engatilhando o círculo virtuoso descrito acima. Mas, com o recente otimismo com a economia brasileira, que se recuperou bem dos impactos da crise financeira, a reforma não é uma opção política viável, ainda mais em um ano de eleições.
É ai que entra 2011. “Tal reforma deveria começar logo no início do próximo mandato presidencial e sobre um cenário de crescimento econômico, permitindo um contínuo crescimento nos gastos reais”.
2010
Mas se a opção acima não é viável no curto prazo, e mesmo em um horizonte mais distante enfrenta dificuldades, existe uma alternativa que pode ser implementada ainda este ano. “O governo tem muito mais controle sobre o comportamento de seus próprios gastos e economias”, apontam os analistas.
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“Se a maiores poupanças serão melhor utilizadas para incrementar o investimento público, reduzir o déficit fiscal ou para financiar uma redução da carga tributária, desta forma elevando o retorno dos investimentos do setor privado, é outro debate”, conclui o banco.