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O mercado na Argentina opera hoje sobre influência negativa que terminou levando o risco-país para mais de 3 mil pontos. Os investidores respondem rápido à deterioração econômica do país vizinho, o que terminou contaminando os mercados brasileiros, levando a bolsa à queda e o dólar à nova alta. Na Argentina, além do aumento do risco-país, os títulos federais comandam a queda entre os papéis de mercados emergentes e a bolsa recua.
Pessimismo argentino contagia mercado brasileiro
A conjuntura econômica argentina se deteriora, com o forte impulso do risco-país argentino, neste que é o segundo dia de troca dos títulos da dívida local, que irá gerar uma perda aos investidores. Isso porque os títulos existentes serão trocados por outros mais baratos para o governo, o que deve gerar uma economia de US$ 4 bilhões aos cofres argentinos. Contudo, quem deixa de ganhar são os atuais detentores destes papéis. Inicialmente o governo busca reestruturar a dívida com investidores locais, mas a intenção é estender a troca aos detentores estrangeiros no início do ano que vem.
O descolamento brasileiro à Argentina ainda existe, mas ficou menor com o anúncio de uma queda de 16% na arrecadação fiscal de novembro em relação ao mesmo mês do ano anterior. Também contribuiu para isso a renúncia do secretário de Política Econômica do país, Federico Sturzenegger. Segundo declarações do ministro da Economia, Domingo Cavalo, a renúncia tem cunho pessoal. Contudo, o mercado não divide esta mesma opinião e acredita que a dificuldade para a troca da dívida está entre os motivos principais. Sturzenegger apoiava um corte maior de gastos públicos ao invés da troca de dívida.
Fitch rebaixa dívida argentina
Outro ponto que também pesa sobre o mercado argentino é a declaração da Fitch, agência de classificação de risco de crédito, de que as medidas para a troca da dívida tomadas pelas províncias argentinas, que se assemelham ao swap da dívida soberana, consistiriam num default técnico, ou seja, num calote. O governo argentino propôs às províncias que a renegociação da dívida provincial seria conduzida por ele, através da oferta de papéis federais, em troca do comprometimento da redução dos gastos nas províncias. Para a agência, depois da troca, os novos títulos emitidos serão classificados em DD.
Resposta do mercado é negativa
O risco-país da Argentina atingia 3.076 pontos, representando um aumento de 110 pontos em relação ao fechamento anterior, quando o risco-país ficou em 2.966 pontos. Já o risco-país do Brasil subiu de 919 pontos na segunda-feira para 930 pontos nesta terça-feira. O índice da bolsa de Buenos Aires recuava 4,88% para 207 pontos, enquanto o Ibovespa da bolsa paulista perdia 1,25% e era cotado a 12.825 pontos. Já o dólar comercial registra alta de 1,35%, sendo cotado a R$ 2,554 para a venda.