Desvalorização é dada como certa e já há riscos de inflação na Argentina

Presidente confirma desvalorização do peso e preços estão sendo remarcados

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SÃO PAULO – O presidente da Argentina, o peronista Eduardo Duhalde, confirmou oficialmente que a desvalorização cambial do peso é um fato. Diante das incertezas que surgirão para a economia argentina nos próximos meses de transição do modelo vigente de paridade cambial entre peso e dólar para o câmbio flutuante, os preços de diversos produtos já mostram sinais de pressão. Em contrapartida, apesar de elevado, o risco-país da Argentina registra um forte recuo e opera abaixo dos 4 mil pontos.

O presidente argentino não divulgou detalhes do pacote e tem hoje a agenda cheia, na tentativa de firmar o apoio político necessário à governabilidade. Duhalde decidiu adiar para sábado a divulgação do pacote econômico que era aguardado nesta sexta-feira. O ministro da Economia, Remes Lenicov, deverá aguardar pela aprovação do Congresso e, depois de divulgadas, as medidas já passarão a vigorar na segunda-feira. Rumores dão conta de que haverá câmbio duplo, um fixo e outro livre; conversão de dívidas de até US$ 100 mil para pesos e outras medidas estruturais.

Comerciantes remarcam e estocam mercadorias

Em resposta à desvalorização e às incertezas, já há indícios no país de remarcação de preços de diversos produtos, ao mesmo tempo em que há a falta de mercadoria em alguns estabelecimentos. Os remédios, por exemplo, já estampam preços abusivos ou simplesmente não podem ser encontrados. Já prevendo a pressão de setores fundamentais, ontem o governador da província argentina de Córdoba, José Manuel de La Sota, em visita diplomática ao governo brasileiro, requisitou o envio de medicamentos vitais como os para o tratamento do câncer, diabetes e da Aids.

A remarcação de preços também já atinge produtos produzidos pela indústria argentina, indicando que o comércio local se antecipa os efeitos inflacionários atrelados à desvalorização cambial. Mesmo porque, teoricamente, somente produtos importados ou que utilizam insumos produzidos no exterior deveriam ser corrigidos. Além disso, os comerciantes aparentemente estão estocando mercadorias ao invés de disponibilizá-las aos consumidores. O governo pede para que tais atitudes sejam evitadas e aconselha que a população evite aceitar isso, recusando-se a comprar.

Bolsa opera em baixa, mas risco-país da Argentina também recua

O mercado financeiro responde com rapidez a tentativa do país em arrumar suas contas. A bolsa de valores de Buenos Aires operava há pouco em queda de 3,93%, com o índice Merval cotado a 327 pontos. Contudo, o movimento de fuga de capitais do sistema financeiro argentino para o mercado de ações ainda garante uma valorização de 43% nos últimos trinta dias. Já o risco-país da Argentina registra um recuo de 4,5%, ao atingir 3.941 pontos.