Desktop (DESK3) despenca 26% na bolsa após relatório de concorrência da Anatel

Agência reguladora divulgou na véspera relatório que aponta preocupações concorrenciais por conta de uma possível aquisição da empresa pela Claro

Reuters

(Shutterstock)
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SÃO PAULO (Reuters) – As ações da provedora de banda larga Desktop (DESK3) desabaram cerca de 26% na tarde desta terça-feira, depois que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou na véspera relatório que aponta preocupações concorrenciais por conta de uma possível aquisição da empresa pela Claro.

A ação da maior provedora independente de banda larga do Estado de São Paulo desabou 26,42%, cotada a R$ 11,70. Recentemente, o papel chegou a acumular alta de quase 55% desde que a Desktop confirmou que estava conversando com a Claro da sobre uma eventual transação, em 7 de outubro.

Segundo o relatório da Anatel, uma possível venda da Desktop para a Claro deve “levantar preocupações não desprezíveis quanto a possível agravamento de situações relacionadas a custos de mudança (switching costs) e efeito de aprisionamento (lock-in)”, afirmou a agência ao analisar os efeitos competitivos de uma possível transação.

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Para a análise da Anatel, que versa apenas sobre o cenário competitivo, um eventual negócio pelas empresas pode “dificultar a entrada efetiva de novos agentes (empresas), a capacidade de rivalizar das concorrentes presentes no mercado e facilitar a prática de condutas lesivas à concorrência, entre outras”.

A Desktop chegou a ter discussões com a Telefônica Brasil no ano passado sobre uma potencial transação, mas, na época, o presidente-executivo da Telefônica mencionou que entre as questões que precisavam ser analisadas estava a sobreposição de redes, e o negócio não foi adiante.

A Desktop, que abriu capital quatro anos atrás e se define como “principal plataforma regional de telecomunicações do Brasil”, tem operação concentrada no Estado de São Paulo.

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A companhia encerrou o primeiro semestre com uma rede disponível a 4,78 milhões de residências e 1,17 milhão de casas conectadas em 200 cidades do interior de São Paulo. A empresa afirma ter uma infraestrutura própria de rede de fibra óptica com 57 mil quilômetros.

A empresa lançou em 2024 uma operadora celular virtual que usa a rede da TIM.