Desktop (DESK3): ações fecham em alta de 23% com venda bilionária para a Claro

O negócio requer aprovação do Conselho Administrativo deDefesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional deTelecomunicações (Anatel).

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Desktop (Foto: Divulgação)
Desktop (Foto: Divulgação)

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As ações da Desktop (DESK3) saltaram após desfecho para a aquisição da companhia pela Claro, anunciada no fim de semana.Os papéis DESK3 saltaram 23,26%, a R$ 17,75.

A Claro, operadora de telecomunicações de propriedade da mexicana América Móvil, anunciou no domingo que concordou em adquirir uma participação de 73% na provedora de internet brasileira Desktop por um valor empresarial de R$ 4 bilhões (US$ 752,93 milhões).

O preço base, depois de deduzida a dívida líquida da Desktop, é de cerca de 2,41 bilhões de reais, ou 20,82 reais por ação, disse a Claro em fato relevante.

O preço da ação representa um prêmio de 44,5% sobre o preço de fechamento da Desktop na sexta-feira, de R$ 14,40.

O negócio requer aprovação do Conselho Administrativo deDefesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional deTelecomunicações (Anatel).

Após a transação, a Claro lançará uma oferta pública deaquisição das ações remanescentes da Desktop por um valor nãoinferior ao preço de aquisição por ação.

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A Desktop é especializada em serviços de internet por fibra óptica. A América Móvil é controlada pela família do bilionário mexicano Carlos Slim.

Conforme destaca a XP, este é um sinal claro de que a consolidação do mercado de banda larga no Brasil está entrando em uma fase mais estratégica, com as incumbentes utilizando M&A (fusões e aquisições) não apenas para ganhar escala, mas também para reforçar a convergência, aumentar a densidade regional, reduzir churn e restaurar a racionalidade em um mercado que se tornou mais maduro e competitivo.

“Em nossa visão, a implicação mais ampla é que o preço de referência para ISPs regionais de maior escala se deslocou para cima, o que pode reabrir discussões estratégicas em todo o setor e reforçar a relevância da opcionalidade em FTTH para outras incumbentes”, avalia.

Os analistas da XP veem a aquisição da Desktop pela Claro como um dos movimentos estrategicamente mais relevantes no mercado brasileiro de banda larga nos últimos anos.

“Mais do que um simples bolt-on, a transação reforça a leitura de que o setor está entrando em uma nova fase, na qual o M&A em FTTH deixa de ser apenas sobre expansão de footprint e passa a ser cada vez mais sobre convergência, densidade, retenção e disciplina na alocação de capital. Em um mercado em que o crescimento desacelera, a competição segue intensa e a diferenciação de produto é limitada, escala, por si só, já não é suficiente”, aponta a equipe de análise.

Para os analistas, isso é particularmente relevante para a TIM (TIMS3). A visão é de que a transação reforça o valor de se ter maior clareza sobre a opcionalidade em banda larga fixa, à medida que a convergência ganha importância em mercados urbanos maduros.

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A TIM vem executando bem operacionalmente, mas ainda possui menor exposição direta à banda larga fixa em comparação a Claro e Vivo (VIVT3). “Como resultado, quando um desses players reforça sua posição em FTTH via M&A, o mercado tende a reavaliar o posicionamento de longo prazo da TIM em fibra”, apontam os analistas.

A XP acredita que a transação aumenta a relevância de se definir um caminho mais claro em banda larga fixa. Isso não implica necessariamente uma aquisição imediata — parcerias ou expansões seletivas seguem como alternativas —, mas, se os melhores ativos regionais se tornarem mais escassos ou começarem a ser precificados a partir de um benchmark mais elevado, o leque de opções futuras pode se estreitar, potencialmente reacendendo o debate sobre um movimento mais relevante em FTTH ao longo do tempo.

Para a Vivo, as implicações são mais equilibradas. A companhia entra nesse estágio a partir de uma posição de força, com escala relevante em FTTH, uma oferta convergente robusta e capacidade comprovada de monetizar bundling.

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“Ainda assim, o movimento da Claro não deve ser ignorado, pois a Desktop fortalece um concorrente em uma região relevante e sinaliza uma postura mais assertiva na consolidação da banda larga. Isso pode incentivar a Vivo a permanecer taticamente ativa, seja acelerando a execução, defendendo participação de mercado ou mantendo atenção a ativos que possam aumentar densidade e reduzir riscos competitivos”, apontam os analistas.

A leitura para outros ISPs listados também é construtiva do ponto de vista de valuation. Unifique e Brisanet ainda negociam com desconto relevante em relação ao múltiplo implícito da aquisição da Desktop. A transação sustenta a tese de que os preços de mercado podem continuar subestimando a opcionalidade embutida em ativos de fibra escalados, o que pode melhorar o sentimento do mercado para o setor.

A XP vê, em resumo, a transação como um movimento estratégico positivo para a Claro e um sinal importante para o mercado.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.