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SÃO PAULO – O ciclo contemporâneo de crescimento mundial está curiosamente pautado na complementaridade entre dois desequilíbrios estruturais: a conta corrente dos EUA com déficit e a da Ásia com superávit.
Complementares porque o excedente de recursos asiáticos, sobretudo chineses, serve ao financiamento barato do exagerado padrão de consumo norte-americano.
Alguns economistas não enxergam problema algum neste cenário. Em uma economia globalizada, é natural que os centros de financiamento e gasto estejam separados e se alimentem sucessivamente, de forma segura.
Casamento de interesses?
Se os EUA poderão sustentar suas obrigações a baixo custo e por um longo período, a solidez da economia norte-americana não exigiria quaisquer indagações por ora.
Contudo, a noção de estabilidade global baseada no “casamento de interesses” entre duas potências soa um tanto o quanto ingênua. Ela é enfraquecida por exemplos de distorção nos prêmios de risco e pelo estímulo a operações de arbitragem.
Em exagero faz mal
Na prática, quase todos os governos asiáticos estão conseguindo manter suas moedas relativamente baratas frente ao dólar. Com o incentivo que isso traz às exportações, as reservas da região saltaram de US$ 250 bilhões em 1997 para US$ 2,5 trilhões dez anos depois.
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No passado, esse aumento foi determinante para proteger as economias e dissipar a herança da crise asiática. Agora, porém, a abundância de recursos é traduzida em investimentos massivos nos títulos da dívida dos EUA e outros ativos denominados em dólar. Como conseqüência, forma-se um subsídio aos empréstimos.
Linhas de financiamento excessivamente baratas freqüentemente justificam fortes movimentos de alavancagem e mudanças nos padrões de aversão ao risco, beneficiando apostas menos disciplinadas. Talvez algo a ver com os abusos que caracterizam a crise do mercado imobiliário norte-americano.