Desemprego deve ser uma das prioridades do próximo governo

Soluções para reduzir o problema, porém, são complexas; maior desemprego é um fenômeno global

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SÃO PAULO – Uma das principais tarefas do próximo governo será o cumprimento da meta de criação de novos empregos, uma das maiores preocupações da sociedade brasileira na atualidade. Contudo, a tarefa não será tão fácil como as propostas dos candidatos pareciam transmitir.

O simples fim da Era FHC, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República, não significará o fim do problema do desemprego no Brasil. As rápidas mudanças tecnológicas ocorridas nos últimos trinta anos, inclusive com o advento da globalização, alteraram de forma profunda e singular as relações sócio-econômicas não somente no Brasil, mas em todo o mundo.

Relações sócio-produtivas mudaram radicalmente

Ao mesmo tempo que foram criadas inúmeras possibilidades, superando-se as velhas relações de dependência entre países ricos e pobres, os governos viram seu papel em relação à questão do desemprego tornar-se fundamentalmente de ação a médio e longo prazo, tendo a curto prazo um papel meramente passivo.

A nova realidade mundial espera de cada Estado medidas capazes de integrar a população à era da informação de massa, democrática mas com grande velocidade de inovação. Com isto, os investimentos em educação, tanto para as camadas mais jovens da sociedade, bem como para os já participantes do mercado de trabalho, deverão ser a principal arma do futuro presidente para o combate ao desemprego.

Desta forma, a sociedade brasileira estará mais preparada para absorver os efeitos dos ciclos econômicos mundiais, que dada a intensa relação entre as principais economias mundiais, ora induzem a um crescimento do nível de emprego, ora a um aumento do desemprego.

Choques externos definiram comportamento das taxas do Brasil

O comportamento do nível de desemprego no Brasil durante os oito anos de governo FHC esteve altamente associado aos acontecimentos econômicos globais. As mudanças repentinas do cenário financeiro restringiram drasticamente o fluxo de capitais para o Brasil, criando a necessidade da adoção de medidas restritivas, que ajustaram o problema do déficit das contas externas através de uma redução do nível de atividade econômica.

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Em virtude disto, é possível explicar o aumento do desemprego no período compreendido entre 1997 e 2000. No entanto, a gestão da equipe econômica, já sobre a batuta do atual presidente do Banco Central, Armínio Fraga, possibilitou a expressiva redução do desemprego em 2002, quando, apesar do agravamento da crise Argentina, a economia brasileira deslumbrava boas perspectivas.

Finalmente, a crise de confiança dos investidores, cuja aversão ao risco já tinha sido intensificada pela onda de fraudes contábeis nos EUA, foi deflagrada com a incapacidade dos principais candidatos à Presidência da República tornarem claras suas principais idéias, o que, somado aos efeitos retardados da crise de abastecimento de energia, provocou a última onda de crescimento do desemprego no Brasil, que perdura até os dias atuais.

Fim do ciclo de crescimento econômico dos EUA atingiu emprego

A lenta expansão da economia mundial, provocado principalmente pelo fim do ciclo de crescimento da economia norte-americana, a maior importadora de bens e serviços em termos absolutos do globo, atingiu em cheio o nível de emprego de muitos países, entre eles o Brasil.

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Desta forma, problemas estruturais existentes localmente, que já contribuíam para o aumento do desemprego, acabaram tendo seus efeitos ampliados pelo impacto negativo na atividade econômica da queda das exportações e também dos investimentos estrangeiros.
Menores exportações significam uma capacidade reduzida de importar, o que impede uma maior taxa de crescimento econômico, associada a um incremento no volumes de compras externas.

Por outro lado, é bem verdade que este problema está sendo superado, pelo menos parcialmente no Brasil, através da desvalorização do real frente ao dólar, que apesar de ter fortes impactos negativos na dívida interna, torna os produtos brasileiros extremamente competitivos,

Atentados e crise de confiança foram determinantes

Além disto, outro fator importante para os atuais resultados tímidos da economia mundial é a crise de confiança instaurada após os atentados de 11 de setembro e a onda de fraudes contábeis nos Estados Unidos.

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Com isto, a convicção de uma retomada consistente do crescimento econômico de forma sustentada acabou sendo adiada, ajudando a manter a tendência mundial de altas taxas de desemprego, dado a maior aversão dos investidores que evitam dispêndios em atividades de maior risco, como, por exemplo, investir no Brasil.

Confira abaixo a evolução da taxa de desemprego de algumas das principais economias do mundo – dados para o mês de agosto, em porcentagem da população economicamente ativa.

















































































Data Brasil EUA Alemanha Canadá França Japão
1994 5,85% 6,00% 9,30% 10,30% 12,20% 3,00%
1995 5,21% 5,60% 9,40% 9,60% 11,40% 3,20%
1996 5,98% 5,10% 10,20% 9,40 12,60% 3,30%
1997 6,42% 4,90% 11,60% 9,00% 12,50% 3,40%
1998 8,48% 4,50% 10,90% 8,30% 11,70% 4,30%
1999 8,34% 4,20% 10,50% 7,80% 11,30% 4,70%
2000 7,77% 4,10% 9,50% 7,10% 9,60% 4,60%
2001 6,80% 4,90% 9,30% 7,20% 9,00% 5,00%
2002 8,05% 5,70% 9,90% 7,50% 9,00% 5,40%

Fonte: IPEA

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Uma rápida análise dos dados revela o aumento generalizado das taxas de desemprego, após o fim do ciclo de expansão norte-americano, principalmente após os atentados de 11 de setembro. A grande exceção foi a França, que, no entanto, teve sua tendência de recuperação interrompida após setembro de 2001.

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