Mercado de trabalho

Desemprego “ampliado” no Brasil é quase o dobro do oficial, segundo Credit Suisse; entenda

O Credit Suisse calcula ainda que o desemprego "ampliado" é quase o dobro da taxa oficial

Candidatos para vaga de emprego com currículos nas mãos
(Shutterstock)

SÃO PAULO – A taxa de desemprego no Brasil deve avançar dos 11,9% registrados no trimestre encerrado em novembro de 2016 para o pico de 13,5% em meados de 2017, segundo cálculos do Credit Suisse. “Esperamos uma deterioração adicional das condições do mercado de trabalho em 2017”, diz o banco, em relatório.

Se as estimativas do banco se confirmarem, o total de desempregados no País passaria de 12,1 milhões, segundo o dado mais recente, para 13,7 milhões – um novo recorde da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio) Contínua iniciada em 2012.

“Nosso cenário é compatível com a taxa de desemprego se aproximando de 13,5% em meados de 2017, mantendo-se estável no 3º trimestre e gradualmente declinando a partir do 4º trimestre de 2017”, diz o relatório. O banco estima ainda que a taxa média de desemprego registrada ao longo do ano deve avançar de 11,4% em 2016 para 13,0% em 2017.

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Desemprego ampliado
O Credit Suisse calcula ainda que o desemprego “ampliado” é quase o dobro da taxa oficial. Segundo estimativas do banco, quando se leva em consideração pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana e trabalhadores que têm potencial de entrar no mercado de trabalho, mas estão sem emprego, a taxa de desocupação no Brasil está em 21,2% – ante 11,9% do trimestre até novembro de 2016.

Setores mais afetados
Ainda segundo o Credit Suisse, o avanço do desemprego foi mais intenso nos setores com maior produtividade do trabalho. “A maior parte dos setores de alta produtividade (atividades imobiliárias, intermediação financeira, serviços de informação) conseguiu ajustar mais rapidamente o seu nível de emprego como resposta para a recessão”, avalia o banco.

Recuperação do mercado de trabalho
A instituição financeira calcula que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro precisaria crescer 1,7% no 4º trimestre de 2017 para que a taxa de desemprego parasse de avançar ainda neste ano. “Com base na nossa projeção de crescimento do PIB próximo de 1,5% na comparação anual no 4º trimestre de 2017, o exercício sugere que a taxa de desemprego só cairá a partir de 2018”, estimam os analistas do Credit.

(com Bloomberg)