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SÃO PAULO – De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o sistema que determina que o comércio entre Brasil e Argentina deixe de ser feito em dólar e passe a ser feito em moeda local – peso e real – deve entrar em vigor no início de 2008.
No entanto, apesar de o ministro defender que a alteração facilitará o comércio e reduzirá custos, o economista e professor da Universidade de Buenos Aires, Aldo Ferrer, não acredita que a desdolarização deve reduzir os preços para o consumidor. “Algumas mercadorias seguem preços do mercado internacional e, nesse caso, a desdolarização do comércio bilateral não interferirá nesses valores”.
Em entrevista a Agência Brasil, o economista explicou que as commodities, por exemplo, têm preços internacionais que não ficarão menores. Segundo ele, a vantagem do novo sistema é o maior acesso ao mercado e menos impostos de importação e exportação.
Crescimento
Ferrer afirmou ainda que, apesar de a medida fortalecer as relações bilaterais, o aumento do comércio entre os dois países depende do crescimento das duas economias e investimentos nas empresas nacionais.
“Se não houver crescimento nos países ou eles crescerem pouco, o intercâmbio fica limitado. O intercâmbio entre os países se produz pelas relações comerciais, a moeda é elemento complementar”, garante.
De janeiro a outubro desse ano, as exportações brasileiras para o mercado argentino somaram US$ 11,81 bilhões, 21,89% a mais em comparação ao mesmo período de 2006. Já as exportações da Argentina para o Brasil tiveram alta de 26,69%, totalizando US$ 8,28 bilhões.