Desconhecimento leva maioria dos investidores a optar pela poupança

Apesar da maior rentabilidade dos fundos de investimento, estas aplicações ainda são vistas como arriscadas

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SÃO PAULO – Que a poupança ainda é a aplicação financeira preferida da maior parte dos brasileiros isto todos sabem, mas o que poucos sabem é que mesmo investidores que têm quantias mais elevadas para investir em outros ativos ainda preferem a poupança. Pelo menos é o que sugere um estudo feito pela consultoria McKinsey sobre os hábitos dos clientes bancários no Brasil.

Poupança só é indicada para quem tem menos de R$ 1 mil e saca muito

De acordo com a pesquisa, 86% dos entrevistados com renda acima de R$ 4,4 mil preferem a poupança aos fundos de investimento. A situação é ainda pior entre as pessoas com rendimento inferior a R$ 4,4 mil, onde apenas 6% dos entrevistados aplicam em fundos de investimento. A pesquisa da McKinsey entrevistou 500 famílias em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, o que de acordo com a consultoria serve como uma boa amostragem para 90% da população bancária do país.

Esta constatação surpreende, pois mesmo descontados os custos associados às aplicações em fundos de investimento, como taxa de administração e impostos, que não incidem sobre as aplicações em poupança, o diferencial de rentabilidade é tão grande que fica difícil justificar a escolha pela poupança.

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No ano passado, a InfoMoney realizou um estudo comparando os custos e rentabilidades dos fundos e da poupança. O estudo permitiu constatar que a poupança era a melhor escolha para investidores com menos de R$ 1 mil para aplicar, que pretendiam sacar o dinheiro em menos de dois meses, e que aplicam quantias pequenas e movimentam freqüentemente suas aplicações pagando CPMF várias vezes; nos demais casos os fundos de investimento eram sempre a melhor escolha. Para ler o estudo em detalhe clique aqui

Maioria ainda desconhece as aplicações em fundos

Algumas razões são apontadas pelos entrevistados para justificar sua preferência pela poupança em relação aos fundos de investimento. Dentre elas estão a crença de que somente grandes investidores podem aplicar em fundos, a preocupação com o risco destas aplicações e por último a falta de conhecimento do produto. Todas estas razões podem na verdade ser resumidas em uma só: falta de conhecimento.

As aplicações iniciais em um fundo de investimento, especialmente os fundos mais populares, como os fundos DI e os fundos de renda fixa varia entre R$ 100,00 e R$ 250,00. É bem verdade que para quem tem apenas esta quantia e não pretende fazer novas aplicações no futuro, os fundos de investimento não são a melhor opção, pois o diferencial de rentabilidade é inicialmente comprometido pelas altas taxas de impostos. Contudo, à medida que o investidor aumenta o valor da aplicação inicial para R$ 1.000 e se compromete a deixar o dinheiro aplicado por pelo menos três meses, então não há dúvidas: aplicar em fundos é a melhor opção.

A preocupação com o risco também é infundada visto que o risco do investidor perder tudo o que aplicou em um fundo de investimento, especialmente os fundos mais tradicionais e de maior patrimônio, como é o caso dos fundos DI e de renda fixa, é pequena. Isto porque as aplicações dos fundos estão separadas dos ativos e passivos do banco que administra este fundo, de forma que mesmo em caso de quebra do banco os recursos do fundo não podem ser usados para compensar perdas.

A maior dificuldade fica por conta do fato de que muitos investidores preferem a poupança porque esta está garantida pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) até um valor de R$ 20 mil por CPF. Neste sentido, mesmo em caso de quebra do banco o investidor da poupança teria pelo menos R$ 20 mil do dinheiro que aplicou de volta. Entretanto, existem vários investidores que depois de anos poupando já acumulam saldos muito superiores a este valor (R$ 20 mil) e em caso de quebra do banco teriam garantido apenas os R$ 20 mil, podendo perder tudo acima deste valor.

Pesquisar taxas é fundamental para garantir bons retornos

O grande problema para o pequeno investidor é que em geral os grandes bancos de varejo do país que aceitam aplicações mínimas nos fundos de investimento a partir de R$ 100,00 cobram em contrapartida taxas de administração excessivamente altas, que acabam comprometendo a rentabilidade da aplicação no fundo. É por isso que o investidor antes de aplicar seu dinheiro deve pesquisar atentamente as taxas cobradas pelas várias instituições para identificar taxas mais baixas.

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Quanto mais agressivo o fundo, em geral maior são as taxas de administração cobradas, pois a contribuição do gestor é essencial para que o fundo seja rentável. Isto já não deve acontecer, por exemplo, entre os fundos mais conservadores como os fundos DI e os fundos de renda fixa. Nestes casos, taxas de administração acima de 2-3% não se justificam e podem ser vistas como abusivas.

Uma forma de negociação seria tentar receber restituição dos gastos como CPMF, cuja alíquota de 0,38% incide sobre os valores aplicados no fundo. Em geral, estes valores são restituídos no caso de aplicação em poupança, mas nem sempre nas aplicações em fundos. Cuidado também com as taxas maquiadas, algumas instituições fazem alarde sobre o fato de que devolvem os gastos como CPMF para o investidor, mas se esquecem de mencionar que em troca cobram taxas de administração de até 9% ao ano!

Banco ganha mais quando você aplica em poupança

Muitos investidores acabam optando pela poupança por indicação do gerente do banco em que investem. Apesar de alguns casos esta recomendação ser válida, é preciso lembrar que para os bancos é mais interessante que você aplique na poupança do que nos fundos de investimento. A razão para isto é muito simples, a margem, isto é, os ganhos dos bancos são maiores na poupança, exatamente porque eles pagam menos para o investidor do que pagariam se este mesmo investidor aplicasse em um dos seus fundos.

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Os bancos que adotam este tipo de prática, contudo, devem ficar atentos, pois de acordo com a pesquisa da Mckinsey apesar do brasileiro ainda não ser suficientemente informado na hora de investir, ele já está mais exigente. Cerca de 41% dos entrevistados declarou que abriu novas contas bancárias durante o ano passado, destes 37% abriram em outras instituições que não aquelas em que têm a primeira conta. Para a maioria, a decisão de abrir uma conta em outro banco reflete a necessidade de identificar a instituição que oferece os serviços e produtos mais adequados às suas necessidades.