Desconfiança e aversão ao risco tomam conta dos mercados internacionais

Confiança na União Europa cai; Espanha continua em foco, com aumento em seguros contra calote e salto no yield de títulos públicos

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SÃO PAULO – Os sinais no mercado europeu são, novamente, desanimadores. Principalmente para a Espanha e para a Itália, países onde o rendimento dos títulos públicos continua sua trajetória de alta no mercado secundário, indicando que estes podem ter dificuldade em rolar a dívida.

Assim, os mercados acionários caem na região, movimento que é seguido pelos contratos futuros norte-americanos, sinalizando um pregão também em queda por lá.

Logo nesta manhã, o BCE (Banco Central Europeu) negou que tenha sido consultado para liberar recursos à Espanha, para que esta recapitalize o Bankia. Assim, a emissão de dívida para salvar a instituição deve ser o desfecho mais provável, apesar da Comissão Europeia recomendar, em relatório publicado nesta manhã, que a União Europeia use seus fundos de resgate para recapitalizar os bancos. A Comissão também pediu por uma maior união entre as instituições financeiras. Após a divulgação deste relatório, os índices acionários reduziram suas perdas, mas mesmo assim continuam no campo negativo.

Desconfiança espanhola
Ainda por lá, a percepção do mercado com relação ao país continua a se deteriorar. Os CDS (Credit Default Swap, contrato que funciona como um seguro ao investidor contra calote) de cinco anos atingiram um novo recorde. Vale lembrar que na tarde de terça-feira a agência de classificação de risco Egan-Jones cortou a nota soberana do país, de BB- para B, no terceiro corte apenas neste mês.

No mercado secundário de títulos públicos a preocupação também é perceptível: o rendimento dos papéis com vencimento em dez anos chegaram a ultrapassar a marca dos 6,70%, aproximando-se rapidamente do patamar de 7,00%, considerada como uma barreira psicológica, já que países com problemas tiveram que recorrer ao socorro internacional nesse nível. Há um mês, o rendimento era em torno de 5,81%. Nesse clima de tensão, o presidente do banco central da Espanha, Miguel Ordonez, renunciou.

Leilão da Itália decepciona e confiança europeia cai
Enquanto isso, a Itália realizou dois leilões de títulos, com vencimentos em 2017 e 2022, e não conseguiu alcançar o financiamento máximo de 6,25 bilhões de euros que pretendia – levantou apenas 5,73 bilhões, com um custo maior que nas emissões anteriores.

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Esses dados reforçam outro indicador divulgado nesta manhã: a confiança na região está em queda. Segundo revelado pela Comissão Europeia, uma pesquisa com executivos e consumidores para maio mostrou o menor nível de confiança em dois anos e meio, frustrando as projeções de analistas. O indicador recuou de 92,9 pontos em abril para 90,6 neste mês.

Destaque também para as os eventos na Grécia. Uma nova pesquisa publicada nesta manhã, encomendada pela rede de televisão Mega TV à GPO SA, mostra que 77% da população quer a revisão dos termos dos acordos internacionais, enquanto 44,5% afirmam que o país deveria sair da Zona do Euro se as medidas não fossem revistas.

Taxa Selic em 8,50% ao ano?
Assim, o cenário externo continua com sinalizações negativas, mas os investidores não podem se esquecer do plano nacional. Por aqui ocorre o segundo dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). A taxa Selic será definida após o encerramento do pregão, e o consenso do mercado aponta para um corte de 0,5 ponto percentual, para 8,50% ao ano.

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Ainda por aqui, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) mostrou a aceleração da inflação em maio, para 1,02%. Em abril, a alta nos preços era de 0,85%. Para o restante do dia deverão ser publicados os números sobre a Indústria de Transformação e o fluxo cambial. Para completar a agenda de indicadores econômicos, os EUA revelarão o número de venda de imóveis com contrato assinado, mas ainda sem a transação concluída.