Desconfiança de muitos com o rali pode ser bom sinal, de sobriedade do mercado

Números mostram referências ainda díspares, mas aqueles que apontam à frente privilegiam estratégia de longo prazo

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SÃO PAULO – Grande é a discussão sobre o recente rali das bolsas globais. O que não deixa de ser bom. “Primeiro, um rali de um, dois ou três meses não indica uma tendência”, comenta Tom Sowanick, estrategista chefe da Clearbrook Research. O objetivo de cada investidor pode diferenciar esta questão.
Quem foca suas aplicações no curto prazo pode ver ganhos limitados depois destas semanas de alta, ou uma boa oportunidade.

Ao investidor que prefere uma estratégia de prazo mais dilatado, seis semanas realmente é pouco para se assumir uma tendência. O sentimento de aversão ao risco dá indícios diários de redução, mas tudo ainda depende de sinais mais consistentes da economia global.

Olhar para frente

Em relação aos indicadores dos últimos dias, a impressão inicial é que o menor ritmo de desaceleração indica ponto de inflexão. No entanto, os dados da economia norte-americana não deixam de ser confusos. Na terça-feira, o Retail Sales frustrou as projeções do mercado. Na quarta-feira, o índice de confiança do setor imobiliário se mostrou no maior nível desde outubro.

São dois indicadores diferentes, duas referências que podem muito bem apontar para lados opostos. Mas qual delas assumir? Na média, os indicadores mais recentes têm vindo melhores que as projeções, mas não deixam de trazer números negativos. “Eu prefiro indicadores que olham para frente, como leituras de confiança, mais do que dados que refletem comportamento passado (…)”, opina Sowanick.

Comentando o último Employment Report, a First Trust Advisors destacou que a maioria das projeções para as bolsas atualmente se baseia em nuances do passado, em padrões históricos; muitos comparam o rali atual a eventos de 1933 ou 1907. A instituição lembra que, entre outras coisas, não tinha Fed naquela época.

Saudável para longo prazo

É uma diferenciação interessante, até porque é característica dos mercados olhar para frente, operar expectativas. Outra sugestão plausível do gestor da Clearbrook diz respeito à desconfiança que boa parte do mercado ainda tem com este rali.

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No início desta semana, o colunista Barry Ritholtz alertou que nos Bull Markets, geralmente os sinais de alerta são ignorados pelo mercado. Como exemplo o último Bull, de outubro de 2007, em que se apostava que o restante do mundo, principalmente emergentes, descolaria da desaceleração dos Estados Unidos, entre outras coisas. Para Sowanick, este pé atrás com o rali é bom sinal. Não deixa de indicar maior sobriedade do mercado.

Olhando para frente, a Clearbrook acredita que as referências que se baseiam no futuro, como o sinal de confiança demonstrado pelos CEOs dos bancos, podem indicar um horizonte mais promissor. “O ambiente para os investimentos parece saudável para estratégias de longo prazo”.