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SÃO PAULO – As ações de Vale (VALE3; VALE5) e Petrobras (PETR3; PETR4) travam uma batalha para definir o sentido do Ibovespa, já que são as duas empresas mais representativas do índice – e atualmente remam em direções opostas. Enquanto os papéis da mineradora representam 12,02% do índice, a petrolífera corresponde a 10,71% – e geralmente, são as que mais chamam a atenção dos investidores para avaliar a situação da economia nacional.
Com a Vale apresentando altas, e a Petrobras apresentando quedas, cerca de 20% do índice está praticamente indo um contra o outro – e isso pode significar que o índice possa se lateralizar. “Esse descolamento significa que o benchmark deve caminhar lentamente, porém, não travado, uma vez que estamos tendo movimentos definidos”, avalia Wagner Caetano, diretor da Top Traders.
A diferença entre as duas foi acentuada no último mês, enquanto os papéis PETR4 caíram 7,02%, os preferenciais da Vale subiram 6,49%. Assim, no ano, a diferença não é tão grande: valorização de cerca de 3,5% para VALE5 e de 1% para PETR4. Historicamente, mesmo quando ambas apresentam um ano positivo, geralmente há diversos momentos em que apenas uma delas sobe, enquanto a outra cai – um revezamento de entrada de capital e realização de lucros.
Nos últimos dois anos, ou o spread subiu muito, ou caiu bastante – raramente andou de lado, o que indicaria que as duas ações caminham “lado a lado”. Como o valor de face de VALE5 é praticamente o dobro de PETR4, parte do movimento é natural – mas chama a atenção o deslocamento excessivo.
Paraíso para traders de mercados voláteis
Na avaliação de Caetano, o atual cenário é perfeito para alguns tipos de investidores, aqueles que gostam de mercados voláteis para se obter ganhos no curto prazo, quando diversas ações caem e outras tantas apresentam valorizações – permitindo ganhos desde que se saiba escolher que ação deter no portfólio.
Nesse tipo de cenário, geralmente há mudanças bruscas de direção, o investidor às vezes tem a oportunidade de aproveitar diversos movimentos mais curtos – enquanto o índice pouco se mexe, como é o caso de 2012. “Mas isso prejudica investidores que buscam tendência com base no benchmark doméstico”, afirma o grafista.
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Se o cenário é ótimo para ganhos no curto prazo, não significa que não há oportunidades para longo prazo – desde que elas fujam do óbvio entre Vale e Petrobras, as duas mais líquidas da bolsa brasileira. “Para os mais conservadores, há setores como o educacional e shopping centers, assim como a Ambev (AMBV4) que estão em forte tendência de alta”, destaca Caetano.
Fiel da balança
Para o investidor que perdeu o referencial de Petrobras e Vale para acompanhar o movimento do mercado nacional, algumas outras ações devem servir de fiel da balança, determinando o movimento do Ibovespa. Caetano sugere observar o movimento dos papéis dos bancos que fazem parte do índice – Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) – e das siderúrgicas, Usiminas (USIM3; USIM5), CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4).
O trader avalia também a OGX Petróleo (OGXP3), que também possui grande peso no índice, embora possa vir a perder na próxima carteira. “OGX já teve um volume bem maior que hoje em dia”, afirma o grafista, chamando a atenção para um dos pontos que definem a participação no índice da bolsa.
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Isso é natural, principalmente após a queda de mais de 50% das ações nesse ano, derrubando também a quantia movimentada pelo papel. Representante de 5,16% do índice na carteira para os últimos três meses do ano, o índice teórico diário já sinaliza participação de menos de 4% para a empresa.
Fundamentos justificam movimentos
Para Caetano, os fundamentos atuais ajudam a explicar a disparidade. “A Vale acompanha especialmente o crescimento chinês, a passos mais lentos porém constante, possui uma administração privada e diversifica, não estando limitada ao minério de ferro”, avalia.
Sobre a Petrobras – altamente voltada para o mercado interno -, ele acredita existir muitas incertezas, sobretudo em relação aos investimentos para exploração do Pré-Sal, tecnologia, mão-de-obra e volume de reservas de petróleo.
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Com fundamentos tão distintos, dificilmente esses dois papéis mostrariam um cenário parecido em épocas de incertezas no mercado, quando não há risco sistêmico o suficiente para derrubar tudo, mas também não há otimismo capaz de inflar qualquer ação – movimentos irracionais que são típicos dos ciclos do mercado, acreditam os traders.
“O mercado é muito dinâmico, e pode haver uma mudança de direção, mas os gráficos ainda não sinalizaram”, avalia. Enquanto não é sinalizado, Caetano acredita que é possível aproveitar-se desse movimento, já que operações long & short – vender uma ação que deverá cair, alugar e usar o dinheiro para comprar outra que deva subir – são fáceis de serem realizadas com qualquer um dos dois papéis – principalmente pala farta oferta de aluguel de ações com taxas baratas.