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SÃO PAULO – O atual desnível visto entre os ganhos da bolsa paulista frente a Wall Street reflete os bons fundamentos apresentados pela economia brasileira, enquanto os países se recuperam da crise. Esta é uma das conclusões apontadas em enquete da InfoMoney, que reuniu mais de 3 mil votos.
Diante da proposição: “a bolsa brasileira está descolada de Wall Street principalmente porque…”, 54,97% dos consultados responderam “reflete os melhores fundamentos da nossa economia e das nossas empresas”. O principal índice de ações da bolsa brasileira acumula valorização de aproximadamente 82% em 2009, enquanto o índice Dow Jones da bolsa de Nova York soma alta bem mais modesta, de 18%. O índice S&P 500, por sua vez, mostra saldo positivo próximo a 22%. Dentre os principais benchmarks acionários de Wall Street, o de melhor desempenho em 2009 é o Nasdaq, +38%.
Os últimos indicadores econômicos divulgados no País revelam que a estratégia do governo brasileiro para amenizar os efeitos negativos trazidos com a crise tem funcionado. Este fator, somado à nossa posição econômica mais fortalecida do que era visto no passado, dão margem para projeções positivas quanto ao nosso desempenho e aumentam as expectativas para o País tanto dos investidores de dentro, como os de fora dele.
Contudo, há quem defenda que esta onda positiva para a bolsa brasileira pode ser explicada por outros catalisadores. Na sequência do levantamento, conquistou 28,72% das escolhas a alternativa “formou-se uma bolha nos ativos domésticos”. Enquanto cerca de 16% dos usuários enxergam que a BM&F Bovespa “foi mais penalizada na crise e faz sentido uma recuperação mais forte”.
Fundamentos
Passado o pior da crise, o que ficou na maioria dos países foi uma economia frágil, equilibrada por medidas públicas, e a preocupação com a taxa desemprego e inflação, por exemplo. Os EUA, por exemplo, viu o desemprego do país atingir um patamar de dois dígitos (10,2%) em outubro. Enquanto isso, o Brasil assistiu sua taxa de desemprego cair levemente dos 7,5% no mesmo período.
Além disso, o governo brasileiro anunciou recentemente que está perto de atingir sua meta de esforço fiscal para o ano, segundo afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. “Considerando que superávit primário no acumulado do ano está em torno de R$ 27 bilhões, podemos dizer que praticamente já cumprimos a meta para 2009” disse.
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Estes fundamentos pesam para o aumento das expectativas positivas para o País, que se refletem na bolsa. A Link Investimentos revelou nesta quinta-feira (3) espera um Ibovespa em 85 mil pontos para o final do próximo ano, um potencial de valorização de 27%. Trazendo otimismo para os que duvidam do potencial da bolsa após a forte alta já vista.
“Atualmente existem fundamentos macroeconômicos (PIB, juros e câmbio) e microeconômicos concretos o suficiente para acreditarmos que o Brasil não está apenas ‘na moda'”, comentaram os analistas. Vale lembrar que em meados do mês passado, o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, afirmou que o PIB (Produto Interno Bruto) do País deve ter avanço de 9% no terceiro trimestre. O resultado oficial sai na próxima semana.
Dados corporativos favorecem
Não apenas os indicadores revelam uma economia mais forte, como também os números trazidos pelo setor corporativo. No terceiro trimestre, os balanços financeiros, em geral, surpreenderam os analistas positivamente, “mostrando aceleração da recuperação”, segundo revelou o relatório trimestral da Ativa Corretora nesta semana.
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De acordo com a corretora, dos 25 setores cobertos por ela, nove melhoraram a margem operacional frente a 2008 e mostraram equilíbrio na comparação com o segundo trimestre de 2009. Entre os destaques do período, está o setor de aviação, construção civil, consumo e petróleo.
A Ativa destacou o cenário macroeconômico positivo para fundamentar seu ponto de vista. “A economia brasileira passa do período de recuperação para apresentar expansão, com a combinação de retomada da atividade industrial, crescimento da massa salarial, estímulos governamentais e taxa de juros ainda baixa”, avaliou.
Bolha?
Mas nem todos compartilham desta visão positiva.
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“O mundo está vivendo a mãe de todas as bolhas de carry trade que, quando estourar, vai levar ao maior colapso coordenado de todos os tempos”. Esta é a visão defendida em meados de novembro por Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York e CEO (Chief Economist Officer) do RGE Monitor, e conhecido por suas previsões pessimistas.
As projeções do professor partem do pressuposto de que os investidores estão tomando empréstimos em dólares para aplicação em outros mercados, visando o ganho referente ao diferencial entre as taxas de juros – operação conhecida como carry trade.
Sem surpresas, o Brasil está entre os mercados que têm recebido as aplicações estrangeiras. Desde o começo do rali na bolsa paulista, a noção de que a retomada foi conduzida pelos investidores estrangeiros é amplamente aceita pelos analistas e, caso a projeção de Roubini se concretize e a alta seja realmente uma bolha, o mercado – brasileiro e mundial – enfrentará uma quebra forte dentro de seis meses ou um ano.
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De acordo com Eduardo Miziara, analista de renda variável do BNP Paribas, o elevado fluxo de investimentos externos no País preocupa. “Mesmo que o governo e economistas, quando alertados sobre esse tema, afirmem (com boa dose de razão) que o Brasil é vítima do próprio sucesso, não podemos ignorar que hoje o País é um dos principais (se não for o maior) alvos dos recursos de carry trade (…). Esse capital não é dos mais saudáveis”, disse.
Veja o resultado da enquete:
| A bolsa brasileira está descolada de Wall Street principalmente porque: | Votos | Percentual |
| Foi mais penalizada na crise e faz sentido uma recuperação mais forte | 593 | 16,31% |
| Reflete os melhores fundamentos da nossa economia e das nossas empresas | 1.998 | 54,97% |
| Formou-se uma “bolha” nos ativos domésticos | 1.044 | 28,72% |