Desapontamento com Fed reflete em alta de quatro pontos do risco-País

Mercado ainda refletiu anuncio da chanceler alemã, que se recusou a aumentar limite de financiamento do ESM

Publicidade

SÃO PAULO – O indicador de risco-País registrou alta de quatro pontos-base nesta terça-feira, atingindo 211 pontos. O mercado repercutiu a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) nesta data, que não trouxe otimismo para os investidores. O Fed manteve inalterada a atual política monetária do país, além de informar que a turbulência no mercado financeiro representa ameaças ao crescimento econômico, o que deixa aberta a possibilidade de mais estímulos no ano que vem. 

Entre as referências negativas, a chanceler alemã, Angela Merkel, recusou-se a aumentar o limite de financiamento do novo fundo de resgate da Zona do Euro – o ESM (Mecanismo Europeu de Estabilização). Por outro lado, o indicador ZEW, que mede as expectativas de evolução da conjuntura econômica da Alemanha, marcou resultado negativo de 53,8 pontos em dezembro. 

Agenda
No Brasil, o investidor esteve atento à Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geográfia e Estatística), que mostrou variação nula e interrompeu uma sequência de 20 meses de alta.

Nos Estados Unidos, os investidores acompanharam o Retail Sales, relatório que mede as vendas totais do mercado varejista, que mostrou avanço abaixo do esperado. O Business Inventories, indicador que aponta o nível de vendas e de estoques das indústrias e dos setores de atacado e varejo, também decepcionou no mês de outubro.

Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou em alta de 0,23% na noite desta terça-feira, cotado a 132,23 centavos de dólar.

Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 211 pontos-base. 

Continua depois da publicidade

O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.

Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.

Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.