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SÃO PAULO – A terminologia própria do mercado de derivativos pode muitas vezes gerar perplexidade entre aqueles que não estão familiarizados com expressões do tipo: “virar pó”, “butterfly spread“, “travas”, entre outras.
A aparente dificuldade de tais termos decorre justamente da falta de contato com esta linguagem específica, pois, normalmente, tais expressões são de fácil compreensão e, não raro, até mesmo intuitivas. Assim, vale a pena conhecer mais de perto os principais termos usualmente utilizados no mercado de derivativos.
Breve glossário
Primeiramente, a própria palavra derivativos pode causar estranheza. Um derivativo é um instrumento financeiro cujas características estão vinculadas a outros títulos, ou ativos, que lhe servem de referência. Como exemplo, podem ser mencionados: opções sobre ações, contratos futuros sobre o dólar comercial, sobre o índice Bovespa ou sobre a taxa DI.
Outros termos muito usados no mercado de derivativos são:
- Opção: é um direito de comprar ou vender um montante de um determinado ativo a um preço pré-estabelecido dentro de um certo intervalo de tempo. Pode ser comparado a um seguro, pelo qual o agente paga um prêmio e tem o direito, e não a obrigação, de exercê-lo;
- Put: termo em inglês que equivale a uma opção de venda. Ou seja, quem compra uma put tem o direito de vender um certo ativo por um preço pré-determinado;
- Call: expressão análoga à put, porém corresponde a uma opção de compra;
- Opções americanas: diferentemente do que se pode imaginar em um primeiro momento, o termo não tem qualquer referência à geografia, mas refere-se a opções que podem ser exercidas em qualquer momento até a data de vencimento;
- Opções européias: contrastam-se às opções americanas, podendo ser exercidas somente na data do vencimento;
- Prêmio da opção: valor a ser pago pelo investidor para adquirir uma opção. As variáveis que influenciam a determinação do prêmio são: preço e volatilidade do ativo objeto, tempo até o vencimento, taxa de juros e preço de exercício;
- Black & Scholes: modelo matemático desenvolvido pelos economistas Fisher Black e Myron Scholes mais difundido para a determinação do valor justo do prêmio de uma opção. O modelo funciona para opções de compra ou venda do tipo europeu, mas no caso de opções do tipo americanas somente para aquelas sobre ações sem dividendos.
- Ativo objeto (ou base): designa o ativo primário dos derivativos. As opções, por exemplo, podem ser referenciadas em: ações, índices, moedas, contratos futuros, entre outros;
- Preço de Exercício: valor pelo qual a opção pode ser exercida. Ou seja, o titular de uma opção poderá comprar ou vender ativo base por um determinado preço de exercício;
- Virar pó: quando uma opção não é exercida, o investidor perde o valor total pago como prêmio. Diz-se, então, que a opção “virou pó”.
- Opção at the money: é uma opção que apresenta preço de exercício igual ao preço do ativo objeto no mercado à vista;
- Opção in the money: supondo uma opção de compra, é aquela em que o preço do ativo base no mercado à vista é superior ao preço de exercício, ou seja, caso exercida, o investidor apresentará um lucro. Se for uma opção de venda, é aquela cujo preço de exercício está acima do preço do ativo objeto no mercado à vista;
- Opção out of the money: contrapõe-se à opção in the money. Em caso de ser uma opção de compra, o preço de exercício acima do preço do ativo no mercado à vista. Sendo uma opção de venda, o preço do ativo no mercado à vista é superior ao preço de exercício;
- Valor intrínseco: diferença entre o valor do ativo no mercado à vista e o preço de exercício;
- Combinação de opções: operação em que um mesmo investidor compra ou vende duas ou mais opções sobre o mesmo ativo objeto, mas com preços de exercício e/ou datas de vencimento distintas. São exemplos as travas – em que se aposta na alta ou na baixa do mercado – e o butterfly spread – em que o agente ganha se o preço do ativo objeto não apresentar grande volatilidade.
- Cap: esta expressão de língua inglesa representa a fixação por parte do investidor de um patamar máximo para a flutuação de suas aplicações;
- Floor: estratégia equivalente ao cap, porém o agente estabelece um nível mínimo para a rentabilidade de seus papéis;
- Collar: representa a construção simultânea de um cap e de um floor. O intervalo entre eles é o collar.
- Swaps: são operações de troca de fluxo de caixa. Um investidor é remunerado por uma determinada aplicação e oferece outro ativo como forma de rentabilidade;
- Hedge: termo que vem do inglês e que significa salvaguarda. Também denomina administração do risco, como, por exemplo, o ato de tomar uma posição em outro mercado (futuros, por exemplo) oposta à posição no mercado à vista, para minimizar o risco de perdas financeiras em uma alteração de preços adversa;
- Contratos futuros: trata-se de um compromisso de comprar ou vender determinado ativo numa data específica do futuro, por um preço previamente estabelecido.
Certamente, há outros inúmeros termos e expressões usados com certa freqüência no mercado derivativos, porém os listados acima expõem aqueles que aparecem de forma mais rotineira e dão uma idéia básica deste mercado.