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Depois da surpresa do BC, a surpresa do mercado; afinal, o que aconteceu com o dólar?

Após subir mais de 1% nesta manhã, dólar apagou os ganhos e fechou em queda de 0,28%

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SÃO PAULO – O mercado acordou hoje com a notícia de que o Banco Central decidiu diminuir as rolagens de swaps, deixando, então, o câmbio andar livremente. Juntamente com dados positivos dos Estados Unidos e movimento externo, o dólar ultrapassou o patamar de R$ 3,15 na manhã desta quinta-feira (11), chegando a subir mais de 1%. Mas as surpresas não parariam por aí. 

Nesta tarde, o movimento de valorização da moeda foi completamente anulado e o dólar fechou com queda de 0,28%, a R$ 3,1053 na compra e R$ 3,1061 na venda. 

Um movimento que surpreendeu boa parte dos operadores de mercado, já que o cenário permanecia o mesmo, enquanto o dollar index – que mede a variação da moeda americana em relação a uma cesta moedas – seguia em alta apesar de ter amenizado a valorização vista mais cedo. 

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Afinal, o que aconteceu?
Para especialistas em câmbio, o mercado interpretou tardiamente o real significado do anúncio do BC. Acredita-se que isso é decorrente da entrada prevista de fluxo devido às captações. 

“Tivemos um susto com a redução nas rolagens e dados positivos nos EUA. Passado isso, o mercado foi interpretar, de fato, o anúncio do BC. O que o mercado está vendo é que esse corte pode sinalizar mais captações em curso”, disse José Faria Júnior, diretor de câmbio da Wagner Investimentos.

“Um movimento como esse só pode ser sinal de algum captação embora nenhuma notícia sobre isso ainda tenha surgido”, comentou o chefe da mesa de câmbio da Icap, Ítalo Abucater. “Se vai entrar mais dinheiro, para que o BC precisaria rolar tudo? A medida significa mais fluxo”, comentou Faria Júnior.  

Para ele, é mais razoável pensar no movimento de hoje olhando por esse prisma. “Vamos continuar com captações, fora as perspectivas de IPOs (Initial Public Offering)”, disse.

Além disso, Faria Júnior comenta que o dólar não bateu hoje em nenhum ponto técnico importante que poderia destravar “stops” de grandes tesourarias, o que levaria a essa correção abrupta.