Perspectivas

Dependente da política, bolsas podem se recuperar na próxima semana

Por aqui o Ibovespa fechou a semana em queda, enquanto nos EUA importantes suportes foram rompidos; atenção para política norte-americana

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SÃO PAULO – A dependência do mercado a eventos políticos deve permanecer na próxima semana, embora o comportamento recente das bolsas indique que há espaço para uma recuperação, avalia Adriano Moreno, analista da Futura Investimentos.

“Na medida em que os mercados ficam reféns de politicos, é imprevisivel saber para onde as coisas vão”, alerta.

Durante a semana as bolsas ficaram ao sabor das notícias sobre a eleição presidencial norte-americana e a posterior divisão do Congresso, que continua a levantar dúvidas sobre o “abismo fiscal”, que poderá jogar os EUA em uma recessão no próximo ano. Por aqui, o Ibovespa encerrou a semana em queda de 1,76%, aos 57.357 pontos.

Abismo fiscal leva volatilidade aos mercados
O “abismo fiscal” consiste em aumentos de impostos e cortes automáticos de gastos para o início do próximo ano caso o Congresso norte-americano – onde a Câmara tem maioria republicana e o Senado, democrata, do presidente Barack Obama – não chegue a um acordo sobre as medidas de redução de déficit.

“As bolsas norte-americanas atingiram níveis de suportes técnicos bem relevantes, então é possivel que tenhamos alguma recuperação por lá nos próximos dias”, sugere Moreno. Na quinta-feira o índice S&P 500 alcançou o seu nível mais baixo desde agosto deste ano.

Na ocasião, além das incertezas nos EUA, o pregão foi pressionado pela declaração de um oficial do BCE (Banco Central Europeu), o qual sugeriu que uma decisão para desbloquear recursos para a Grécia pode não sair até o fim deste mês. Isso acontece mesmo após o aval do Parlamento grego para um plano de austeridade avaliado em € 13,5 bilhões pelos próximos dois anos.

Política europeia também interessa
É justamente por isso que os mercados devem acompanhar atentamente a reunião dos ministros de finanças da Zona do Euro, na segunda-feira. “Essa reunião não é para dizer se vai liberar o dinheiro ou não, mas é um importante encaminhamento”, completa o analista.

Portanto, o foco dos investidores deve continuar no exterior. Por aqui, a semana será mais curta, uma vez que a BM&FBovespa não abrirá para negociações na quinta-feira, por conta do feriado da Proclamação da República. Nos EUA a segunda-feira também será marcada por um feriado, mas os mercados acionários operarão normalmente.

Temporada de resultado continua intensa
Os dados mais relevantes por aqui serão o tradicional Boletim Focus, divulgado na segunda-feira, as vendas no varejo, que virão a público na terça-feira, e o IBC-Br de setembro, divulgado pelo Banco Central na quarta-feira e considerado como a prévia do PIB (Produto Interno Bruto).

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Além disso, a agenda de resultados do terceiro trimestre continua forte. Atenção para os números de empresas do setor de construção civil, uma vez que Cyrela (CYRE3), Gafisa (GFSA3) e Rossi Residencial (RSID3) divulgam seus números. Empresas como Lojas Americanas (LAME3), Hypermarcas (HYPE3), B2W (BTOW3), Gol (GOLL3), Eletrobras (ELET3, ELET6) e Brasil Foods (BRFS3) são algumas das outras grandes empresas que divulgam números. Contudo, Moreno, da Futura Investimentos, lembra que esses eventos são pontuais e não devem direcionar o movimento da bolsa.

Agenda norte-americana chama atenção
A agenda norte-americana é muito mais movimentada. Números como vendas no varejo, estoques das empresas, pedidos de auxílio-desemprego, inflação e produção industrial podem abalar as bolsas, para o bem ou para o mal.

Mas, além das declarações de políticos, um evento que costuma atrair particular atenção é a ata do Fomc (Federal Open Market Committee), que na quarta-feira trará mais explicações sobre a última reunião do Federal Reserve.

O último encontro chegou ao fim em 24 de outubro, quando os membros do comitê mantiveram o plano de compras mensais de US$ 40 bilhões em títulos lastreados em hipotecas. Os estímulos continuarão até que a economia mostre recuperação, afirmou o Federal Reserve.