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SÃO PAULO – As perspectivas de aceleração da atividade econômica brasileira ditam as recomendações para os papéis da Klabin (KLBN4). Ao sugerirem compra, os analistas veem a área de atuação da empresa como seu grande diferencial.
Segundo o analista Peter Ping Ho, da Brava Investimentos, as vendas da Klabin devem se manter este ano nos patamares do final do ano passado. Para ele, o crescimento do consumo interno e também o bom momento do setor imobiliário são dois catalisadores importantes para a empresa.
“Acredito que as vendas da Klabin devem se manter este ano, mesmo com o governo falando que a capacidade da indústria já está próxima de seu limite de produção; eu creio que ela deve manter seus pedidos próximo desse limite”, analisa.
Competição
Além disso, o analista da Brava conta ainda que a Klabin não sofre tanta pressão de concorrência em seus negócios. “O core business dela é em embalagens, área que a Suzano [SUZB5] também atua. Mas a diferença é que as duas empresas possuem nichos diferentes dentro do segmento”, explica Ping Ho.
De acordo com ele, isso é muito positivo para a empresa, porque suas margens de lucro seriam mais estreitas se a competição em seu principal negócio fosse mais acirrada. “Elas já tem margens estreitas porque não consegue repassar o aumento dos custos da produção de papel e celulose para o consumidor final”, comenta.
Desempenho
Para este ano, Peter Ping Ho, da Brava, espera um desempenho para os papéis da Klabin acima do Ibovespa. Parte deste potencial é explicada pelo resultado apresentado no ano passado, quando os papéis subiram em linha com o índice, mas abaixo de outros players do setor.
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“Se a economia realmente crescer entre 5% e 6% com os estímulos do governo continuando em outros segmentos do mercado, eu acredito que ela [Klabin] possa performar pouco acima do índice Ibovespa, para o qual se projeta alta de 20% (aos 85 mil pontos) para este ano”, comenta Ping Ho.
Além da Brava, a corretora do Itaú também vê potencial no papel da Klabin. Para os analistas, a empresa pode se beneficiar do aumento do consumo de papelão no Brasil e do crescimento das exportações.
O Itaú elevou em janeiro a recomendação da empresa para “market perform” (desempenho em linha com o mercado), colocando um preço-teórico de R$ 6,50 por papel KLBN4 para dezembro de 2010 – potencial de alta de 35,14% ante o último fechamento (R$ 4,81).
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Potencial
Compartilhando da boa perspectiva da Brava Investimentos, a SLW Corretora também vê potencial de crescimento para a empresa de papel e celulose e, consequentemente, para seus ativos.
“Estamos mantendo as ações PN da Klabin em nossa carteira recomendada semanal, decorrente da substancial melhora de seu cenário de atuação”, comentaram os analistas no início desta semana.
Eles explicaram que o cenário mencionado envolve o vigor da demanda interna por papel, o volume consumido de papel ondulado retomado já no quarto trimestre de 2009 e a melhora dos preços de embalagens industriais com a recuperação da demanda da indústria.
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“Outro aspecto positivo para a empresa é que as exportações estão retornando e isto também acaba beneficiando na melhora do faturamento e da geração de caixa da empresa”, adicionam.
A SLW recomenda compra para as ações da Klabin, sendo que o preço-justo estimado pelos analistas para o fim do ano é de R$ 6,30, um potencial de valorização de 31%.
Balanço
Em linha com sua projeção de crescimento para a Klabin, a equipe de research da SWL também comenta que os resultados do quarto trimestre da empresa devem vir positivo, assim como visto no terceiro trimestre.
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“O lado positivo do resultado do 3º trimestre foi a melhora das vendas físicas e sinais mais amplos de retomada de consumo de papéis e embalagens para os próximos trimestres”, comentam os analistas da SLW.
O time também destaca que a intenção da empresa em aumentar sua produção de celulose como outro ponto importante a ser observado. No ano passado, a companhia anunciou que vai estudar a implantação de uma nova fábrica de celulose de fibra curta e longa com capacidade anual de 1,5 milhão de toneladas no Paraná.
“Para isto, a empresa já estará ampliando suas florestas no próximo ano, visando atender suas necessidades de madeira, quando a unidade entrar em funcionamento”, analisam.
Demanda em alta
Ao falar sobre as perspectivas para o setor de papel e celulose neste ano, o time de analistas do Banco do Brasil aponta uma provável melhora para as empresas brasileiras, principalmente com a demanda da China e o fechamento de várias plantas no hemisfério norte.
“O cenário é otimista. Haverá a retomada do mercado norte-americano e europeu, além da contínua e elevada demanda chinesa. O volume das vendas externas de celulose teve alta de 16,9% em 2009, para 8,2 milhões de toneladas”, analisam.
Para a equipe, a China deve continuar a ser o principal protagonista nas compras de celulose brasileira, posto que tomou da Europa.
Além disso, novas máquinas de papel devem entrar em operação em 2010, fortalecendo ainda mais a demanda e “muito provavelmente sustentando a rápida recuperação nos preços da celulose”, na visão do BB.
“Os sucessivos aumentos indicam que a relação de oferta e demanda dos produtos do setor está apertada, diferente de outros importantes setores da economia nacional, onde se experimenta excesso de capacidade com preços ainda bastante inferiores ao pré-crise”, argumentam.
Preços
Para o time de analistas, a indústria brasileira de papel está atualmente com uma expectativa de alta de 50% dos preços do produto em relação à média de 2009. “A Bracelpa estima que o preço médio da celulose fique em torno de US$ 770/ton, a média dos preços de 2009 ficou próxima de US$500”, exemplificam.
Porém, os analistas alertam que os novos valores ainda devem ficar distantes dos altos preços verificados no ano de 2008, quando o produto chegou a US$ 839 dólares. “A pequena apreciação do dólar nas últimas semanas traz mais uma expectativa positiva para os exportadores”, comentam.
Porém, o BB não vê um espaço de valorização tão otimista quanto a SLW para os papéis da Klabin. A corretora do banco estima um preço-alvo de R$ 5,29 para as ações, com alta potencial de 9,98% ante o último fechamento.