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SÃO PAULO – O grande assunto destes dois últimos dias pode até gerar discussão, mas não é um fato inédito. Na próxima segunda-feira (5) completam 16 anos que o então presidente George W. Bush impôs tarifas de até 30% sobre as importações mundiais de aço. Na ocasião, as tarifas temporárias, entre 8% e 30%, foram programadas para permanecerem em vigor até 2005.
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A intenção do governo era garantir a proteção dos fabricantes de aço dos EUA diante de um cenário em que mais de 30 fabricantes de aço declararam falência. O Canadá e o México estavam isentos das tarifas devido ao acordo garantido pelo NAFTA, sendo que alguns outros países, como Argentina, Tailândia e Turquia, também ficaram isentos.
Dentro dos EUA, a resposta veio rapidamente. Integrantes da oposição chamaram o plano de insuficiente para resolver o problema, enquanto alguns críticos disseram que as tarifas prejudicariam os consumidores e os negócios que dependiam das importações. Até entre os aliados houve reclamação, com alguns mais conservadores falando que a decisão afastava Bush de seu compromisso com o livre-comércio.
No exterior, a União Europeia anunciou tarifas de retaliação aos EUA, arriscando o início de uma grande guerra comercial. O debate foi levado para a OMC (Organização Mundial do Comércio) definir se as taxas eram justas ou não. A decisão foi contra o aumento das tarifas, autorizando mais de US$ 2 bilhões em sanções se os EUA não removessem as taxas.
Mas foi a resposta do mercado que realmente pesou. Logo que as novas tarifas foram anunciadas, o S&P 500 desabou 30% em poucas semanas, enquanto o dólar também se enfraqueceu no mundo todo, ao passo que os Treasuries de 10 anos perderam metade de seu valor, como mostra o site ZeroHedge. No dia 4 de dezembro de 2003, os EUA recuaram e retiraram as taxas de importação.
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Veja o gráfico da reação do mercado: