Perspectivas

Decisão do Fomc, prévia do PIB e mais 8 eventos agitam mercado na próxima semana; confira

Nos EUA, interpretações seguem dúbias sobre nível de recuperação alcançado, tendo em vista o descompasso entre indicadores baixos no 1º trimestre e a percepção de que haveria uma progressão consistente em curso

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SÃO PAULO – Depois de uma semana marcada por novas tentativas frustradas de acordo entre Grécia e credores, além de importantes indicadores macroeconômicos na China e sinalizações da inflação no Brasil, novos drivers deverão guiar os mercados entre os dias 15 e 19 de junho. Desta vez, os Estados Unidos roubam boa parte das atenções dos investidores com uma nova reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que poderá dar novos indícios sobre como a autoridade monetária americana deverá se comportar nos próximos meses quanto à política de juros.

Na maior economia do mundo, as interpretações seguem dúbias sobre o grau de recuperação alcançado, tendo em vista o descompasso entre indicadores baixos de atividade no primeiro trimestre e a percepção geral de que haveria uma progressão consistente em curso, evidenciada por algumas sinalizações nos dados de emprego, dentre outros. Não se sabe ainda qual seria o tamanho da culpa do inverno rigoroso sobre as frustrações dos recentes indicadores.

Em meio ao cenário incerto, ganha atenção a percepção do Federal Reserve, que tende a manter os juros em 0,25%, decisão a ser confirmada na quarta-feira (17), ao final da reunião do Fomc. Para o economista e professor da Fundação Getulio Vargas Felippe Serigati, as chances de as apostas se confirmarem são quase certas. No entanto, é importante observar as declarações das lideranças do banco central norte-americano sobre o desempenho da economia do país. “Quanto maior a expectativa de crescimento da economia e, principalmente, da inflação, mais provável que haja algum aumento (ou sinalização de aumento) da taxa de juros em setembro. Por enquanto, esse não é o cenário-base. Esse movimento deve ficar mais para o final do ano”, explicou.

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Em relatório destinado a clientes, os analistas do Banco Espírito Santo também ressaltou o evento norte-americano como o mais importante da semana, tendo em vista não só a apresentação da declaração do Fomc e discurso da chair Janet Yellen, como também as projeções de seus membros. “Seguindo o resultado mais fraco no primeiro trimestre, não descartamos a possibilidade de os membros do Fed reduzirem projeções para o PIB de 2015, do intervalo de 2,3%-2,7% para 2,0%-2,5%”, escreveu a equipe do banco. “Assim , acreditamos que os membros possam reconsiderar o ritmo da normalização , como fizeram em reuniões anteriores”.

Já que a decisão do Fed sobre os juros está amplamente ancorada no desempenho da inflação e do nível de emprego, também será importante os investidores se atentarem à divulgação do índice de preços referentes a maio, na quinta-feira (18). As expectativas de alguns agentes do mercado são de que seja registrada uma desaceleração de 1,8% para 1,73% na avaliação anual, enquanto as projeções para a variação mensal são de desaceleração de 0,3% para 0,2%. “Essa dinâmica, se confirmada, sugere que não há motivos para antecipar a elevação da taxa de juros”, observou Serigati.

Vale lembrar que outro indicador que pode ajudar a esclarecer dúvidas remanescentes sobre a economia americana, a produção industrial do país deverá ser divulgada ao mercado na segunda-feira (15). Depois de queda de 0,3% no comparativo mensal, espera-se leve melhora nos números de maio. Importância também precisa ser dada aos números da construção civil americana. As expectativas de Serigati são de que haja uma desaceleração tanto nas licenças de construção, quanto nas novas construções de casas.

Europa: Grécia e risco de deflação ainda assustam
No velho continente, o drama grego ainda tira o sono de muitos investidores. Depois de uma semana de negociações frustradas com credores, as especulações sobre a capacidade de o país honrar seus compromissos e até sobre sua possível saída da zona do Euro seguem fortes.

No entanto, além das expectativas sobre avanços na questão envolvendo Atenas, uma série de indicadores inflacionários espalhados pela Europa devem mexer com os mercados. O mais importante deles é o indicador da zona do Euro, cujas expectativas do professor da FGV são mais otimistas na comparação com maio. O Eurostat divulga o indicador na próxima quarta-feira. “Esses resultados seriam positivos porque sugerem que o fôlego da demanda não tem piorado, embora continue fraco”, observa Serigati.

Antes do indicador continental, Alemanha e Reino Unido divulgam seus índices de preços na terça-feira (16). As expectativas são de aceleração mais clara no primeiro e algo mais próximo à estabilidade no segundo. Ainda na maior potência europeia, a mesma data marca a apresentação dos dados de confiança entre os alemães. As projeções são de leve queda para esse indicador.

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Inflação e prévia do PIB no radar brasileiro
No Brasil, a agenda será de maior calmaria depois de uma semana de indicadores decisivos. O grande destaque fica por conta do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), pelo Banco Central na sexta-feira (19). O indicador é conhecido popularmente no mercado como uma espécie de prévia do PIB (Produto Interno Bruto). As previsões do Credit Suisse são de nova contração de 0,5% ante abril, após retração de -1,1% em março nessa mesma base de comparação.

“Nossa projeção de contração do IBC-Br é compatível com o desempenho dos principais indicadores de atividade econômica em abril. Por exemplo, a produção industrial contraiu -1,2% em abril ante março e a nossa expectativa é de que as vendas reais do comércio varejista ampliado tenham recuado -1,1% no mês nessa base de comparação”, escreveu a equipe de Nilson Teixeira em relatório a clientes.

Também os destaques apontados pelos especialistas, aparecem os dados sobre vendas do varejo de abril, na terça-feira, e os números do IPCA-15 (sexta-feira, 19), que podem dar uma importante sinalização do comportamento da inflação antes da divulgação do próximo IPCA. “A inflação está alta e deve desacelerar significativamente este ano. Os números da próxima sexta devem seguir essa tendência”, disse Serigati. De qualquer forma, as expectativas de novas altas na Selic são quase consenso no mercado.