Decisão do Fed na terça-feira definirá rumos do mercado

Conteúdo do Portal InfoMoney - Editoria Mercados

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A forte volatilidade que tem caracterizado os mercados acionários internacionais nas últimas semanas, sobretudo as bolsas norte-americanas, aumenta ainda mais a expectativa em relação à próxima reunião do Fed, o banco central norte-americano, que acontecerá na próxima terça-feira, dia 20. A expectativa inicial do mercado era um corte de 0,50 ponto percentual; porém, as fortes quedas nos índices Nasdaq e Dow Jones nos últimos dias já levam parte do mercado a acreditar em uma redução de 0,75 ponto percentual nos juros, como refletido nos contratos futuros de fed funds, a taxa básica de juros dos EUA.

A postura de colocar o Fed como uma espécie de “bombeiro”, pronto para intervir no mercado para evitar grandes perdas no mercado de ações não tem sentido, pois a função de qualquer banco central é a de evitar a aceleração da inflação e não garantir o retorno de investidores mais agressivos. Obviamente, Alan Greenspan e sua equipe tem grande interesse no desempenho da economia e de qualquer variável que possa alterar substancialmente o seus curso, sobretudo em um país onde o mercado acionário é bastante popular e a proporção da população que investe em ações é alta. Isto não significa, no entanto, que o Fed tem que conduzir a política monetária da maior economia do mundo simplesmente guiado pela performance do mercado de ações.

Durante o período de aperto de política monetária, que durou praticamente durante dois anos, 1999 e 2000, por muitas vezes Greenspan foi taxado de intervencionista, com o objetivo de evitar uma maior valorização das ações. O já famoso conceito de “exuberância irracional” levou parte do mercado a taxar o Fed como uma entidade que não “entendia” o novo dinamismo do mercado, com a explosão da nova economia levando o Nasdaq Composite de 3.000 para 5.000 pontos em apenas três meses.

O mercado demorou para reagir, mas parece que Greenspan tinha razão quando se referia ao comportamento especulativo da Nasdaq. Hoje parece claro para muitos que o índice Nasdaq acima de 5.000 foi uma bolha especulativa, porém há cerca de um ano, boa parte dos analistas previa que o índice poderia chegar a 7.500 ou até 10.000 pontos.

Ao analisarmos o mercado friamente, a conclusão é de que novas quedas nas bolsas ainda são possíveis, sobretudo dentro do doloroso processo de ajuste que pode levar o preço dos ativos de fortemente sobrevalorizados a subvalorizados em um período muito curto de tempo. A forte desaceleração da economia norte-americana tem atingido duramente os lucros das empresas, principalmente no segmento de tecnologia, onde a maioria dos novos investimentos estão concentrados. A clássica relação entre preço e lucro das empresas, ou P/L, chegou a níveis bastante elevados no ano passado, novamente com destaque para as ações de empresas de tecnologia. O forte ajuste verificado desde então nos lucros das empresas tem colocado enorme pressão no preço das ações, que caíram de forma acelerada, reduzindo o P/L das principais empresas para níveis mais adequados a uma perspectiva de crescimento de longo prazo. Portanto, a reversão deste cenário somente ocorrerá em dois casos.

No primeiro caso, os lucros começam a se recuperar, evitando que o ajuste nos P/L seja feito exclusivamente nos preços dos ativos. Este seria o cenário previsto pelo Fed, que considera que o principal fator por trás da atual desaceleração econômica é um forte ajuste de estoques, que tem impacto no curto prazo mas não muda o rumo de crescimento de médio e longo prazo da economia norte-americana, embora altere a velocidade.

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Caso a desaceleração da economia leve a um cenário recessivo, teremos o segundo caso. Neste cenário, a economia entraria em recessão, derrubando ainda mais o lucro das empresas, o que resultará em uma nova “rodada” de ajustes nos preços dos ativos. O efeito sobre o mercado acionário seria fortemente negativo. Acreditamos que este cenário seja pouco provável, mas a probabilidade existe.

Voltando nosso foco ao curto prazo, acreditamos que o Fed continue apostando no primeiro cenário. Portanto, a probabilidade de um corte de 0,75 ponto percentual na taxa de juros básica nos parece pouco provável. Caso o Fed atenda os desejos do mercado e o corte ocorra nesta proporção, será um enorme alívio para as bolsas, mas não eliminará a causa principal do ajuste de preços de ativos que tem sido registrado desde março do ano passado. Um corte de 0,50 ponto percentual, que é o mais provável, deve levar a um novo ajuste no mercado. Desta forma, acreditamos que isto justifique a adoção de uma postura mais defensiva.

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