Decisão do Fed de hoje pode tranquilizar os mercados – ou afundá-los de vez

Enquanto recuperação nos EUA deve indicar um aumento na taxa de juros até meados do ano que vem, cenário global deve ser levado em conta pelo Federal Reserve

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SÃO PAULO – Preços do petróleo desabando, instabilidade na Rússia que vê sua moeda derretendo apesar da forte alta dos juros em uma reunião surpresa, China desacelerando e cortando as perspectivas para o preço do minério de ferro. As últimas semanas de 2014 não foram nada fáceis para os mercados, principalmente para os emergentes.

E, para somar com este clima de cautela no mercado, está um dos eventos mais aguardados do mês: a decisão da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que pode dar sinalizações sobre se haverá elevação nas taxas de juros (ou se ela ocorrerá mais cedo ou mais tarde). 

Desta forma, os mercados aguardam para observar se o Fed levantará o ânimo do mercado, tão preocupado. Porém, caso as sinalizações sejam de um aumento de taxas em breve, caso a autoridade monetária resolva descartar o compromisso de manter os juros baixos por um “período considerável”, a situação frágil do mercado pode se deteriorar.

Isso seria visto como um passo rumo à elevação dos juros, mesmo enquanto o crescimento no resto do mundo fraqueja e os preços de commodities em queda aumentam o perigo de desinflação. Além da decisão, o mercado vai ficar de olho na fala da chairwoman do Fed, Janet Yellen, que também dará indicações sobre os próximos passos do Fomc.

As autoridades do Fed consideram um caminho para aumentar as taxas até meados do próximo ano, se a economia continua a melhorar.  E há quem avalia que a linguagem de “um tempo considerável” é, portanto, vista como irrelevante, e que o Fed deverá institutiruma nova linguagem, ressaltando que não é provável que atue rapidamente para aumentar as taxas. Alguns observadores do Fed esperam ver uma nova palavra: “paciência”, conforme ressalta a CNBC.

Segundo a análise do JPMorgan em nota de mercado, o Fed deve retirar a expressão “tempo considerável” do comunicado, mas não deve comentar a volatilidade recente do mercado e que as preocupações não aumentem frente o atual cenário. Isso porque o rublo não é importante para a economia dos EUA, enquanto a queda dos preços do petróleo é positiva. 

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Já o economista-chefe do Jefferies, Ward McCarthy, disse à CNBC que o Fed seguirá o seu curso. O Fed “vai continuar a fazer o que têm de fazer, mas eles vão ter que fazê-lo com cuidado”, disse ele. “Eu sei que eu sou um outlier, mas eu acho que eles vão continuar a usar a linguagem ‘tempo considerável'”.

Enquanto a turbulência global não afeta tanto o Fed, a autoridade monetária terá que se explicar seu ponto de vista sobre a inflação, que está abaixo da meta e pode desacelerar ainda mais com a queda dos preços do petróleo. 

Dilema de Yellen?
Em meio a todas essas considerações, o Financial Times destaca em reportagem que Janet Yellen terá um dilema. O Fed está mais confiante sobre uma alta dos juros no meio do próximo ano depois do melhor desempenho econômico dos EUA após a recessão. Mas terá que preparar os mercados. 

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Enquanto os mercados esperam a supressão do termo “tempo considerável”, por outro lado, há quem avalie dentro da própria diretoria do Fomc não avaliar a alta de juros em breve, o que abre um leque para diversas medidas. 

E, enquanto o petróleo mais barato deve levar a inflação a registrar queda, isoladamente, o Fed irá  ignorar esse efeito, como fez em 2008. Mas tem que ter cuidado para que a inflação baixa faça com que os consumidores acreditem que ele nunca voltará para 2%.

A ameaça se dá no cenário de baixa inflação na Europa, crescimento mais fraco na China e a situação implosiva na Rússia. E, aponta o FT, os emergentes se mostraram vulneráveis quando o Fed apenas sinalizou uma desaceleração dos programas de compra de títulos em 2013. E, em um recente discurso, o vice chairman Stanley Fischer disse que o Federal Reserve vai levar isso em conta.

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“Os dados sobre a economia dos EUA dizem que Yellen está se preparando para subidas das taxas de juros. Para fazê-lo, sem prejudicar os mercados globais ainda mais, no entanto, vai exigir uma ponderação perfeita de suas palavras”, afirma o jornal britânico. Caso isso não aconteça, os mercados emergentes podem sofrer mais uma revés. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.