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SÃO PAULO – Na noite da véspera, o Copom (Comitê de Política Monetária) não surpreendeu e manteve o ritmo de ajustes, elevando a Selic em 0,5 ponto percentual, para 9,5% ao ano. Com o ajuste até agora promovido, que teve início em abril, a alta já chega a 225 pontos-base.
Conforme destacavam economistas, com a decisão não surpreendendo, as atenções se voltariam para o comunicado do Comitê após a reunião. E ele também não trouxe novidade ao trazer uma fala idêntica a anterior. A autoridade monetária destacou que está dando “prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros” – e que “essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.
A LCA Consultores destaca que essa redação sugere que o ritmo atual de elevação da Selic tende a ser estendido pelo menos até a próxima reunião do Copom. “Com isso, o comunicado da decisão volta a enfraquecer a aposta – de parcela nada desprezível do mercado – de que o ajuste monetário seria interrompido antes da Selic alcançar em 10% ao ano”, destacou a consultoria.
Conforme ressaltam a Rosenberg Consultores Associados e a LCA, a aposta vinha ganhando forças nos últimos dias. A Rosenberg ressalta que, de acordo com os desafios adicionais trazidos pela depreciação cambial e mais recentemente a necessidade de reajuste nos preços dos combustíveis ao controle da inflação, o Copom segue em sua trajetória de elevação dos juros.
Já a LCA ressalta o contexto de acomodação da cotação, a inflação acumulada em doze meses, que recuou para abaixo de 6% e o fato de que as principais economias mundiais, assim como a atividade doméstica, que continuam a crescer em ritmo morno. Contudo, a evolução a curto prazo da inflação ainda constitui um importante fator doméstico de risco. Nestas circunstâncias, a consultoria espera uma elevação na Selic de 10% neste ano, talvez até um pouco mais.
Enquanto isso, a Rosenberg Consultores destaca que a decisão do BC corrobora o cenário de que a Selic encerre o ano de 2014 a 11% ao ano. “Contamos, para a concretização deste cenário, com um certo esfriamento do crédito pelos bancos públicos, o que auxiliria o BC no controle da inflação”, afirma a consultoria.