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SÃO PAULO – O noticiário da última terça-feira (29) envolvendo a Merrill Lynch manteve a crise do subprime no foco do mercado. Mas ao contrário das últimas sessões, o viés trazido pelas referências agradou os investidores.
Com a posição de capital ameaçada pelos prejuízos e baixas contábeis relativos aos problemas hipotecários, o terceiro maior banco de investimento dos EUA anunciou que irá levantar US$ 8,5 bilhões com a venda de ações.
Simultaneamente, a instituição informou que irá vender US$ 30,6 bilhões de CDOs (Collaterized Debt Obligations) por um quinto de seu valor, de forma a dar suporte a seus ratings de crédito, ameaçados pelas perdas com o mercado hipotecário.
Medida digna de aplausos
Apesar de fornecer novas evidências de que os problemas do subprime continuam deixando seqüelas, a proposta de venda de CDOs recebeu elogios dos analistas, que avaliaram que a medida pode sinalizar que a crise está próxima de ser superada.
Para o chefe da área de investimentos da Clearbrook Research, Tom Sowanick, a decisão tomada pelo CEO (Chief Executive Officer) da Merrill Lynch, John Thain, é digna de aplausos, na medida em que sinaliza a busca da instituição em se livrar das hipotecas de alto risco para melhorar a qualidade de sua carteira de crédito.
Mesmo reconhecendo que o impacto inicial da notícia em Wall Street é relativamente pequeno, o especialista afirma que a medida pode exercer grande influência para que outros bancos também elevem os esforços para diminuir a exposição aos ativos comprometidos pela crise.
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Em suma, a maior transparência trazida pelo banco norte-americano nos números relativos à venda dos CDOs serve como um atenuante ao conturbado cenário para o setor, apesar do baixo valor envolvido na operação, avalia Sowanick.
Críticas ao Fed
O especialista da Clearbrook ainda criticou os esforços do Federal Reserve contra a crise, que em sua opinião, além de prejudicarem a economia, têm sido pouco eficazes para amenizar os problemas de liquidez enfrentados pelo sistema financeiro dos Estados Unidos.
Em adição, a postura do Banco Central dos EUA com relação à política monetária também foi desaprovada. Para Sowanick, o contínuo avanço da inflação e o atual patamar do dólar já são indícios suficientes para que a instituição eleve o juro básico norte-americano, atualmente em 2,00% ao ano.
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Vale destacar que a visão do analista está em linha com a da maioria dos investidores brasileiros, que em enquete realizada pela InfoMoney, desaprovaram a atuação do Fed e do Governo dos EUA na crise financeira.