Debate sobre estímulos e relatório da OCDE centram as atenções neste pregão

Organizações internacionais defendem eurobonds e estímulos no Reino Unido; OCDE vê PIB do Brasil em 3,2% e inflação de 4,2%

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SÃO PAULO – A manhã desta terça-feira (22) se inicia com um noticiário econômico movimentado, sendo que há fatos nos quais os investidores devem se atentar tanto no plano internacional quanto aqui, no Brasil.

Começando pelo cenário externo, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) roubam a cena, já que o primeiro cortou a projeção de crescimento na Zona do Euro, passando de um crescimento de 0,2% para uma retração de 0,1% neste ano.

Nesse cenário, os mercados internacionais respondem de modo divergente. Enquanto os contratos futuros sobre índices de ações nos EUA operam em ligeira queda, os mercados acionários na Europa continuam o movimento de recuperação observado na segunda-feira e registram uma forte alta.

No editorial de divulgação dos números, o economista-chefe da OCDE, Pier Padoan, também defendeu medidas adicionais para estimular o crescimento. Entre as medidas, Padoan escreve que poderiam ser implantados os Eurobonds – os quais a chanceler alemã Angela Merkel já se mostrou contrária por diversas vezes -, “para ajudar a recapitalizar os bancos e melhorar a disponibilidade de crédito”.

Estímulos no Reino Unido, EUA, China…
Enquanto isso, o FMI também opinou sobre medidas de estímulos econômicos, ao afirmar que o Reino Unido poderia liberar novos recursos para a compra de ativos ou cortar juros. Contribui para esse movimento a queda no ritmo inflacionário, já que nesta manhã foi revelado que a alta nos preços em abril recuou para 3,0% na passagem anual, de 3,5% em março.

As discussões sobre estímulos monetários ganharam força recentemente, com declarações de membros do Federal Reserve e de autoridades chinesas sinalizando para a possibilidade de novas rodadas de alívio também nos EUA e na China.

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Por falar nos EUA, alguns indicadores norte-americanos também podem mexer com o mercado. Por lá serão revelados o índice de manufatura do Fed de Richmond e a venda de casas já existentes, ainda nesta manhã. 

Brasil: crescimento acima de 3% e mais estímulos
Para o Brasil, a OCDE estima um crescimento de 3,2% da economia neste ano, enquanto a inflação tende a recuar para o centro da meta e alcançar a marca de 4,9% no final de 2012. Por sua vez, as medidas de estímulo já são reais por aqui.

Na noite de segunda-feira o Banco Central alterou as regras do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, o que permitirá às instituições financeiras utilizarem cerca de R$ 18 bilhões adicionais em novas operações de crédito para financiamento de automóveis. Um pouco mais cedo, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também promoveu estímulos ao financiamento a máquinas e equipamentos, via redução de juros para empréstimos ao setor.

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Fitch rebaixa Japão
De volta ao cenário internacional, os investidores também avaliam o corte na nota de crédito do Japão. A Fitch Ratings rebaixou o rating do país em moeda estrangeira para A+, de AA, como reflexo do aumento na dívida pública. 

Ainda cabe lembrar que há a expectativa para a reunião de cúpula da União Europeia, na quarta-feira, onde devem ser discutidas a situação econômica da Grécia, emissão de eurobonds e o dilema entre austeridade e crescimento.