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* Mario A Porto Fonseca é empresario e Fellow Senior do Advanced Leadership Initiative da Universidade de Harvard USA
Filósofo estoico que viveu no século IV a.C, também banqueiro e homem dos mais influentes no Império Romano, escreveu certa vez que o segredo do bom governo é não deixar que os cidadãos criem expectativas acima da capacidade de atende-las, isto é, que mantenha uma saudável harmonia entre o que se espera das suas ações e realizações. A ideia cabe sob medida ao ambiente em que se movimenta o governo Michel Temer, recém-empossado.
Num ambiente em que contracenam elevadas taxas de juros, elevados impostos e burocracia que lembram os idos coloniais, agravado por brutal recessão, com índices de desemprego que não param de escalar pontos nos gráficos e quedas consecutivas no PIB, ao todo seis em 2016, o dilema é voltar a crescer ou cair, rapidamente, no abismo da impopularidade. Após o impeachment espera-se, não sem razão, que a economia volte a crescer e não se arraste por um longo tempo na recessão. O que fazer? Traduzindo os conselhos de Séneca em ações, a voz das ruas e o noticiário da mídia, fontes permanentes de legítimas pressões, sugerem que o alvo número um é o desemprego. Ao semear empregos, em pequenas ou grandes iniciativas, no campo ou nas cidades, o governo estará destravando múltiplos pontos de obstrução: da anemia da arrecadação ao consumo, do investimento à renda da sociedade, da atividade econômica às tensões sociais. Estará igualmente criando um clima de confiança e esperança prática.
Emprego é a chave para abrir o círculo virtuoso de desenvolvimento em um cenário de ordem e progresso como anunciou o governo, ainda na fase de interinidade. Exige não apenas que se foque na sua criação, mas um superfoco, quer dizer, uma concentração total na sua criação, na certeza que a atividade econômica tem dinâmica própria, com emprego fazendo circular renda, criando, assim, novos postos de trabalho, restaurando a dignidade do trabalhador. Isto desanuvia as tensões sociais, é antídoto natural contra a violência e, também, anuncia o princípio do fim da recessão. Não se trata de uma panaceia, mas da eleição de um foco. Não de um entre muitos, mas de um foco essencial, aquele que abre as portas para execução de muitas outras.
Por esse caminho, o governo Michel Temer estará certamente afirmando na prática a legitimidade que ganhou com o ritual constitucional do impeachment. E assumindo a liderança que a sociedade espera. O papel do líder é liderar. E o um caminho para liderar é: focar, motivar, estar presente e ritualizar, dessa forma colhendo e divulgando resultados. Justamente o que não temos. A sugestão de Séneca vem de um tempo em que as sociedades – refiro-me à Grécia e à Roma Antiga – não davam valor ao trabalho e, por isso decaíram. Hoje, é o contrário. O trabalho é soberano. Sem, emprego, porém, não há trabalho. E a recessão irá nos consumir. Dai, a geração de empregos ser a prioridade das prioridades. Certamente, seria o que Séneca , se vivo estivesse, diria a Temer.