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Os recentes acontecimentos na Venezuela com a deposição de Nicolás Maduro pelos EUA trouxeram à tona a questão das potenciais mudanças na dinâmica global da oferta de petróleo.
Conforme destaca o JPMorgan, embora a situação introduza incertezas em relação a essa dinâmica, a visibilidade sobre o que esperar da produção venezuelana neste momento ainda é limitada.
Diante desse cenário, os analistas se concentraram em avaliar como um cenário de preços mais baixos do petróleo – caso se concretize – afetaria as empresas que acompanham, em vez de especular sobre a trajetória final da oferta venezuelana.
Assim, destacaram as ações de sua cobertura em três dimensões principais: estrutura de custos, disciplina de capital e alavancagem operacional e risco de execução.
“Essa estrutura nos permite classificar a proteção relativa contra perdas sem alterar nossas perspectivas fundamentais de longo prazo e, com base nessa avaliação, nossa ordem de preferência em um cenário de preços mais baixos do petróleo é PRIO [PRIO3], seguida por Vista e, por último, Petrobras [PETR3;PETR4]”, apontam os analistas.
Os analistas indicaram o potencial para um choque de produção de curto prazo na Venezuela em caso de uma transição pós-Maduro. Precedentes históricos, como a greve da PDVSA em 2002-2003, sugerem que interrupções operacionais, deslocamento da força de trabalho e paralisações preventivas poderiam reduzir temporariamente a produção. No entanto, espera-se que esse declínio inicial seja seguido por uma rápida recuperação.
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Supondo um ambiente político estável, renovação das licenças, restabelecimento dos fluxos de diluente e operações irrestritas, a oferta venezuelana poderá se recuperar rapidamente para aproximadamente 1,2 milhão de barris por dia (mbd) em poucos meses. Dado que a oferta média nos últimos meses tem oscilado em torno de 900-950 mil barris por dia (kbd), esse cenário implicaria um aumento potencial de 250 kbd em comparação com a média de 2025.

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A PRIO é a exposição do JPMorgan preferida de curto prazo em um ambiente de preços de petróleo mais baixos, impulsionada por sua baixa base de custos operacionais e requisitos limitados de despesas de capital para crescimento, que sustentam os maiores rendimentos de fluxo de caixa livre em nossa cobertura, mesmo com preços mais baixos.
Como operadora de campos maduros, a empresa se beneficia de alta flexibilidade nos gastos de capital, permitindo que ela reduza os investimentos durante períodos de preços de petróleo mais baixos, preservando a geração de caixa.
“Essa combinação de eficiência de custos, opções de despesas de capital e alocação de capital disciplinada sustenta uma proteção superior contra perdas em relação aos pares”, afirma JPMorgan. A PRIO apresenta um FCF (fluxo de caixa livre) de 2026 de 19,7% em nosso cenário base e de 14,1% se os preços médios do Brent caírem para US$ 55 o barril.
A Vista ocupa a segunda posição em um cenário de preços de petróleo mais baixos, sustentada por custos de extração competitivos e pela flexibilidade inerente à sua base de ativos de xisto. Embora a Vista exija maior reinvestimento para sustentar e aumentar a produção, os níveis de atividade podem ser ajustados com relativa rapidez, permitindo que a empresa reduza os investimentos de capital se os preços do petróleo caírem e priorize a preservação do fluxo de caixa.
Essa flexibilidade operacional compensa parcialmente sua maior ciclicidade e resulta em uma proteção moderada contra perdas em comparação com empreendimentos offshore mais intensivos em capital. “Vemos a Vista com um FCF neutro em 2026 em nosso cenário base e de -2,6% se os preços médios do Brent caírem para US$ 55/barril”, aponta.
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A Petrobras é a menos preferida entre as suas principais escolhas em um cenário de preços de petróleo mais baixos, apesar de sua base de ativos de classe mundial, escala e fortes fundamentos de longo prazo.
A estatal tem menos flexibilidade para ajustar o capex no curto prazo e proteger o fluxo de caixa livre, dada a sua grande carteira de projetos offshore e considerações estratégicas e políticas mais amplas.
“Embora sejamos otimistas quanto à qualidade e aos retornos de seu portfólio de investimentos, particularmente em áreas do pré-sal de alto retorno, como o campo de Búzios, um ambiente de preços de petróleo mais baixos pode se traduzir em rendimentos de fluxo de caixa mais fracos em relação aos pares, já que esses projetos exigem alto investimento de capital e são menos facilmente adiados. Vemos a ação da estatal rendendo um FCF de 2026 de 6,5% em nosso cenário base e 2,1% se os preços médios do Brent caírem para US$ 55/barril”, apontam os analistas.
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A Brava (BRAV3) é a ação mais sensível a choques nos preços do petróleo, mas a política de hedge deve ser uma salvaguarda contra a volatilidade do mercado. Apesar de sua base de ativos diversificada e exposição a campos onshore e offshore, a resiliência da Brava Energia a preços mais baixos do petróleo é baixa.
A empresa enfrenta maior sensibilidade às flutuações dos preços do petróleo devido à sua estrutura de custos e às necessidades contínuas de capex. Embora os níveis de produção tenham permanecido sólidos até o terceiro trimestre de 2025, a flexibilidade limitada na alocação de capital e um balanço patrimonial menos robusto podem representar desafios caso os preços do petróleo caiam ainda mais. O foco contínuo na eficiência operacional e em investimentos seletivos será fundamental para gerenciar o risco de queda. O banco prevê que a Brava apresentará um fluxo de caixa livre negativo de -6,3% em 2026 em nosso cenário base e de -8,7% se o preço médio do Brent cair para US$ 55/barril.
Na avaliação da XP, no curto prazo, há risco de alguma interrupção no fornecimento; no entanto, caso as sanções sejam suspensas e seja implementada uma estrutura regulatória que incentive investimentos no upstream, a produção na Venezuela poderá aumentar ao longo deste ano e no médio prazo.
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“Acreditamos que o evento provavelmente pesará sobre as expectativas para os preços futuros do petróleo em um mercado já com excesso de oferta. Por fim, uma eventual adição do petróleo bruto pesado venezuelano à oferta global poderia ampliar os descontos do petróleo pesado (o tipo de petróleo produzido em Peregrino, da PRIO, e em Atlanta, da Brava)”, destacam os analistas da XP.
Entre as empresas que a XP cobre, a PRIO é a sua preferida e oferece uma margem de segurança significativa antes que a geração de caixa chegue perto do breakeven (o momento em que as receitas totais de uma empresa se igualam às suas despesas totais, resultando em zero lucro e zero prejuízo) com uma queda no Brent.
“Por outro lado, a Brava é a mais sensível a uma queda nos preços do Brent (cerca de -6 pontos percentuais [p.p.] para cada queda de US$ 5/bbl no Brent), pois é mais alavancada do que seus pares tanto operacionalmente (lifting costs mais altos) quanto financeiramente (dívida líquida/Ebitda mais alto)”, afirma a equipe da XP.
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Na visão da Genial Investimentos, sobre a Petrobras, para além da queda do petróleo, a empresa mantém como grande trunfo a manutenção do mais baixo custo de extração de toda a indústria brasileira. Entretanto a empresa vem forçando uma postura de maior fluxo de investimentos, principalmente em negócios que julgamos pouco interessante. “Acreditamos que inclusive isso pode colocar os dividendos da empresa em risco”, aponta.
A PRIO, na visão da Genial, emerge como o case com menor custo de extração e dívida razoavelmente sob controle mesmo após as aquisições recentes versus Brava e Petroreconcavo (RECV3).
“Entretanto, a depender da evolução dos acontecimentos, imaginamos que oportunidades podem ser ofertadas para empresas estrangeiras e, quem sabe, nomes brasileiros passarem a ser possíveis compradores dos ativos ofertados”, aponta a Genial.