De olho no PIB, China estimulará demanda interna para sustentar crescimento

Foco volta-se a investimentos em infra-estrutura para elevar consumo rural; em consonância, política monetária está a postos

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SÃO PAULO – “Os fundamentos básicos para o crescimento econômico não se alteraram. Nós precisamos manter nossa confiança”. A afirmação é de Ma Jiantang, chefe do National Bureau of Statistics of China, e explicita seu viés acerca do horizonte da economia chinesa, principal esperança de recuperação frente às conseqüências da crise de crédito na economia real.

Em conformidade, o vice-diretor da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, Liu Tienan, afirmou que o governo tomará medidas macroeconômicas para estimular tanto a absorção interna quanto as exportações, utilizando o aumento do consumo como principal fator para concretizar tais alterações.

Se depender apenas do lado da demanda, a política econômica funcionará: com 1,3 bilhão de habitantes, o mercado interno da China apresenta capacidade expressiva de consumo, ao passo que apenas sua PEA (População Economicamente Ativa) equivale a mais do que o triplo de toda a população do Brasil, contando 710 milhões de chineses.

Prioridade no crescimento

As medidas estatais ocorrerão também através de investimentos em infra-estrutura, tanto em transporte quanto na construção civil, visando atingir os consumidores rurais da China, que correspondem a aproximadamente três quartos de toda a população do país.

Em adição, vale ressaltar que o People’s Bank of China também utilizará instrumentos de política monetária para atingir o mesmo objetivo, embora as flexibilizações sejam cautelosas, de acordo com o vice-presidente da instituição Su Ning. A autoridade e seus colegas já cortaram o juro básico chinês três vezes desde setembro deste ano, e reduções posteriores já são previstas pelo mercado. No entanto, caso tais medidas não surtam efeito, outra variável será utilizada: a redução de gastos fiscais.

Por fim, destaca-se a consonância das medidas com o tripé pessimista desta sessão, cujos componentes caracterizam-se por: desaceleração do crescimento econômico, contração do setor manufatureiro e o anúncio oficial de que o lucro líquido agregado das 487 companhias listadas em bolsa avançou 3,4% nos primeiros nove meses do ano, uma fração mínima do incremento de 89% observado no mesmo período de 2007.