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De olho no Iraque e em extensão de corte de produção de petróleo: o que esperar da reunião da Opep+

Encontro ocorre neste sábado com expectativa de que países mantenham o mesmo nível de redução da produção por mais alguns meses

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SÃO PAULO – Inicialmente prevista para dia 9 de junho, a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, conhecidos como OPEP+, foi antecipada para este sábado (6), e volta a gerar grande expectativa no mercado sobre as decisões que serão tomadas.

Segundo a imprensa internacional, espera-se que o grupo chegue a um acordo para estender os cortes de produção de petróleo de 9,7 milhões de barris por dia até julho. Além disso, a antecipação do encontro foi vista como um sinal de que os países estão dispostos a entregar novas medidas que ajudem a estabilizar os preços no curto prazo. Em abril, o encontro da organização com a decisão de corte de produção foi um dos catalisadores para a recuperação do petróleo após os preços despencarem em março por conta da redução da demanda em meio à pandemia do coronavírus.

Chegou-se a ventilar que a reunião ocorreria na quinta (4), o que acabou não acontecendo, ajudando a pressionar o petróleo para baixo. Nesta sexta, porém, os preços sobem forte com a notícia de que o encontro deve ocorrer amanhã.

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Às 13h45 (horário de Brasília), o barril do petróleo tipo WTI, usado como referência nos Estados Unidos, subia 4,6%, para US$ 39,14, enquanto o tipo Brent, referência internacional, avançava 5,03%, a US$ 42,00.

“É tudo sobre a reunião da OPEP+. Como inicialmente pretendia acontecer na quinta-feira, quando isso não se concretizou, os preços caíram porque os traders sentiram falta de acordo entre os países. Agora o clima mudou novamente e os preços subiram, após a notícia de que um consenso pode ter sido alcançado e uma reunião está chegando”, escreveu Bjornar Tonhaugen, chefe dos mercados de petróleo da Rystad Energy, em relatório.

Para a equipe do Bradesco BBI, se a OPEP+ realmente estender o corte de produção por mais meses, o preço do Brent daqui a 12 meses poderá aumentar entre US$ 2 e US$ 3 por barril acima da estimativa atual deles, de US$ 46. Se isso ocorrer por seis meses, os preços seriam mais favorecidos, entre US$ 4 e US$ 6 por barril.

Uma pesquisa feita pelo banco com clientes mostra que 82% dos investidores esperam que alguma extensão dos cortes ocorra. Deste grupo, 70% acreditam que será por menos de 3 meses e 30% por 3 a 6 meses.

Os analistas da XP Investimentos também reforçam a importância desta decisão para os preços do petróleo, lembrando ainda que a recuperação das economias conforme ocorre a reabertura por conta da pandemia do coronavírus também é importante porque leva a uma retomada da demanda.

“Em um ano marcado por preocupações com o excesso de oferta da commodity e o aumento acelerado de estoques no mundo, uma eventual extensão de cortes e medidas para fortalecer o cumprimento de metas de cortes de produção poderiam contribuir para o reequilíbrio da oferta e demanda de petróleo e, portanto, para a recuperação de preços”, explicam.

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Em abril, a OPEP+ chegou a um acordo para cortar a produção de seus países membros em 9,7 milhões de barris por dia em maio e junho, valor que cairia para 7,7 mbpd de julho a dezembro. A expectativa agora é que haja um acordo para o corte se manter no valor atual.

Segundo a Reuters, a Arábia Saudita e a Rússia conseguiram atingir um consenso para estender os cortes de 9,7 mbpd por mais um mês em julho, embora a Arábia Saudita continue a tentar que isso dure até agosto pelo menos.

A incerteza está sobre o papel do Iraque. Segundo a Bloomberg, Arábia Saudita e Rússia vêm pressionando o país para cumprir sua parcela de cortes de produção e compensar os efeitos de produção adicional. Ainda segundo a agência de notícias, o Iraque realizou menos da metade dos cortes acordados no último mês, o que significa que uma compensação de tal excesso de produção significaria uma queda de produção de 24%, para 3,28 milhões de barris ao dia.

Segundo a XP, porém, esta exigência pode ser impraticável para um país que está se recuperando de décadas de guerras, sanções e insurgências islamistas.

Além disso, há uma pressão sobre outros três países (Angola, Cazaquistão e Nigéria), que também produziram em patamares acima das suas cotas em maio.

Passando do corte apenas de produção, o Credit Suisse ressalta ainda o efeito nos estoques. Os analistas esperam uma desestocagem global a partir de julho e que os estoques da OCDE atinjam os níveis de dezembro de 2019 (pre-Covid) de 2,9 bilhões de barris no terceiro trimestre de 2021.

Eles ainda destacam que a recuperação dos preços do petróleo foi mais forte do que o esperado por uma combinação da maior confiança no retorno a um equilíbrio no terceiro trimestre deste ano, uma redução mais rápida e maior do que o esperado na oferta nos EUA e a reabertura gradual das economias.

Nesse contexto, os analistas acham que há um risco de alta das suas estimativas, desde que não haja uma segunda onda de Covid-19. Apesar disso, o Credit diz que ainda existem desafios a serem resolvidos antes de retornar às estimativas anteriores.

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