Bovespa

De olho no exterior, Ibovespa volta ao positivo, puxado por virada de Itaú e Bradesco

"Dia volátil ocorre em meio à falta de indicadores e referências no cenário doméstico, o que leva o mercado a acompanhar mais de perto a bolsa dos EUA", explica especialista

SÃO PAULO – Após chegar virar para o negativo no final da manhã desta segunda-feira (4), o Ibovespa voltou para o campo positivo e marcava alta de 0,33% às 14h28 (horário de Brasília), aos 56.086 pontos. Assim como ocorreu mais cedo, o movimento acompanha o humor das bolsas internacionais, com os principais índices dos EUA também voltando a ganhar forças neste início de tarde.

“O dia volátil ocorre em meio à falta de indicadores e referências no cenário doméstico, o que está levando o mercado a acompanhar mais de perto a bolsa nos EUA”, destaca o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. Segundo ele, os investidores nesta semana devem ficar de olho em uma nova pesquisa Ibope, programada para quinta-feira, e para a divulgação do IPCA no fim da semana.

Na maior economia do mundo, os três principais índices acionários retomam os ganhos após pior semana desde janeiro em meio ao noticiário macroeconômico mais cauteloso no exterior, balanços corporativos não muito animadores e preocupações com a situação na Ucrânia e no Oriente Médio. Além da maior possibilidade de um dia de ganhos após as quedas consecutivas, também ajudam a sustentar as bolsas lá fora as sinalizações do Banco Central português de planos para recuperar a delicada situação do Banco Espírito Santo ao assumir o controle da instituição financeira, despendendo US$ 6,6 bilhões para salvá-la. As tensões geopolíticas também seguem no radar. Hoje, Israel anunciou um cessar-fogo de 7 horas nos ataques na maior parte da Faixa de Gaza.

Já no Brasil, chama a atenção o tradicional relatório Focus, que revisou as estimativas para a expansão do PIB de 0,91% para 0,86% em 2014, a décima semana seguida de revisão para baixo. Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2014, os economistas diminuíram a projeção para 6,39%, ante 6,41%, e continuou levemente abaixo do teto da meta, enquanto para o próximo ano a projeção aumentou para 6,24%. Já a expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, se manteve em 11,0% para 2014 e em 12% para 2015. Ainda no Brasil, o Ibope deve divulgar pesquisa para a corrida presidencial ainda esta semana, de acordo com informações divulgadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Destaques do pregão
Contribui para a nova virada do Ibovespa a recuperação dos “pesos pesados” da carteira, como Itaú (ITUB4, R$ 35,02, +0,20%), Bradesco (BBDC3, R$ 35,76, +0,83%; BBDC4, R$ 35,09, +0,45%) e Petrobras (PETR3, R$ 17,95, +0,73%; PETR4, R$ 19,07, +0,32%), que ofuscam as perdas de Ambev e os papéis preferenciais da Vale (VALE3, R$ 31,89, +0,38%; VALE5, R$ 28,43, -0,39%).

Já a ponta de cima é ocupada pelas varejistas embaladas pelo rumor de que a Marisa (AMAR3, R$ 17,20, +15,75%) está em conversas para uma fusão com a Lojas Renner (LREN3, R$ 71,40, +2,96%). Com a notícia, a Hering (HGTX3, R$ 22,85, +4,82%) lidera os ganhos do Ibovespa; fora do índice, a Restoque (LLIS3, R$ 7,70, +6,80%) subiam forte.

“Está notícia realmente pode se alastrar para as empresas do setor. Acredito que elas estão sendo puxadas pelo otimismo desta possível fusão”, explica Elad Revi, analista da Spinelli Corretora.

PMI da China tem mínima de seis meses
O índice de crescimento do setor de serviços da China caiu para uma mínima de seis meses em julho, enquanto as novas encomendas avançaram na sua taxa mais fraca em pelo menos um ano, mostraram dados neste domingo, ofuscando um pouco o brilho de um setor que tem sido um ponto de referência da economia chinesa este ano.

O indicador oficial (PMI, na sigla em inglês) para o setor não industrial desacelerou para 54,2 em julho, contra 55 em junho, disse o Departamento Nacional de Estatísticas neste domingo. Essa é a leitura mais fraca desde janeiro.

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