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SÃO PAULO – A crise das empresas do Grupo EBX, de Eike Batista, deixou uma lição ao mercado: apesar do mar de maravilhas envolto nas expectativas dos projetos, caso o navio naufrague, ou seja, as projeções não sejam alcançadas, os riscos dos investidores podem ser extremamente elevados. A OGX Petróleo (OGXP3) deixou um exemplo claro: em meio à expectativa não cumprida, o papel registra no acumulado do ano queda de 91,32%, sendo cotado a R$ 0,40 no fechamento da última quinta-feira.
Segundo Rodrigo Alves, presidente do MZ Grupo para América Latina, o mercado brasileiro ainda está aprendendo a lidar com as empresas pré-operacionais. Essas empresas no exterior são chamadas de “companhias opções: podem dar lucros exorbitantes ou virarem pó”, em comparação ao mercado de opções.
Entretanto, o mercado acionário ainda não está em estágio pré operacional. O investidor precisa aprender a assumir esse risco, disse. Isso principalmente para o acionista pessoa física. “Quem é pego desprevenido é o investidor pessoa física, o institucional já está mais calejado e acompanha de perto a movimentação das empresas”, disse.
“O mercado não aceita quando uma empresa projeta mas não sabe ou não tem capacidade de realizar o prometido. Ela pode até errar nas projeções e fazer ajustes, mas quando o mercado entende que ela não conseguirá cumprir é o fim. Crise existencial o mercado não aguenta”, comentou Alves.
“Investidor ativista”
Em meio à derrocada das empresas do Grupo EBX, cresceu o número de investidores “ativistas”. A mais recente atuação foi na assembleia geral extraordinária da OGX, em 12 de setembro. Insatisfeitos pela grave crise financeira que se abateu sobre a empresa, os acionistas minoritários da petroleira tentaram criar um conselho fiscal, mas fracassaram.
Segundo Alves, as empresas ainda não estão preparadas para esses investidores. “As empresas estão aprendendo a se comunicar com os minoritários e os minoritários exigirem seus direitos”.