Reação

De inoportuno a histórico: a reação dos políticos pelo mundo ao discurso de Bolsonaro na ONU

Macron afirmou que sua atuação não é por interesse econômico na Amazônia, mas por pensar no futuro da região que é “um bem comum“

Jair Bolsonaro discursando na ONU
(Alan Santos/PR)
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SÃO PAULO – Em seu aguardado discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro preferiu adotar um tom mais agressivo, fazendo críticas a governos de esquerda e ataques a uma série de países e à imprensa internacional. Isso gerou uma série de reações tanto no Brasil quanto no exterior.

Um dos alvos de Bolsonaro, o presidente da França, Emmanuel Macron, rebateu o discurso em breve entrevista ao Estadão. O chefe de estado disse que não assistiu à fala, mas afirmou também que sua atuação não se trata de interesse econômico na floresta, mas de pensar no futuro da região que é “um bem comum”.

“Eu acho que todos nós só queremos ajudar as pessoas da Amazônia […] Temos muitas pessoas envolvidas no futuro da Amazônia e acho que o que queremos fazer é ajudar as pessoas, com completo respeito pela soberania, ajudando o povo”, afirmou.

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“Não é questão de lobby ou interesse, os lobbies são para destruir a floresta para seus próprios interesses. O que nós queremos fazer é ajudar pessoas para elas mesmas e para o futuro da Amazônia, porque é um bem comum”, rebateu Macron.

Já a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, discordou do discurso de Bolsonaro. “Eu não concordaria totalmente com muitas coisas que ele falou […] Estamos preocupados é com a parceria que tínhamos com o Brasil em torno da Amazônia”, afirmou em entrevista ao Valor.

“A preservação das florestas tropicais pode também levar ao desenvolvimento econômico de suas áreas. Nós temos uma preocupação com o futuro delas e queremos ajudar a salvá-las, trabalhando em conjunto e respeitando inteiramente a soberania do Brasil”, completou.

Atrito com Cuba

Logo no início de seu discurso, Bolsonaro criticou o governo de Cuba e o programa Mais Médicos.

“Em 2013, um acordo entre o governo petista e a ditadura cubana trouxe ao Brasil 10 mil médicos sem nenhuma comprovação profissional. Foram impedidos de trazer cônjuges e filhos, tiveram 75% de seus salários confiscados pelo regime e foram impedidos de usufruir de direitos fundamentais, como o de ir e vir. Um verdadeiro trabalho escravo, acreditem”, disse.

A fala gerou uma reação de chanceler cubano, Bruno Rodríguez, que rebateu o presidente no Twitter: “Eu rejeito categoricamente as calúnias de Bolsonaro contra Cuba. Ele está delirando e anseia pelos tempos da ditadura militar”.

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“Ele deveria cuidar da corrupção de seu sistema de justiça, governo e família. Ele é o campeão do aumento da desigualdade no Brasil”, completou Rodríguez.

A fala do chanceler levou a uma resposta do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na rede social.

“Se o chanceler cubano está reclamando é porque foi bom. É o nosso comunistômetro. Cuba é a maior escravidão do mundo. Seu povo vive de forma miserável, pouquíssimos conseguem denunciar isso ao mundo e ninguém pode sair da ilha sem autorização do governo da Venezuela vai pelo mesmo caminho”, postou o filho do presidente.

Reações na política brasileira

Durante um evento em São Paulo, o governador do estado, João Doria (PSDB), também criticou o discurso de Bolsonaro na ONU. Para ele, a fala foi “inadequada e inoportuna” e faltaram “bom senso e humildade” ao presidente.

“Não teve referências que pudessem trazer respeitabilidade e confiança no Brasil no plano ambiental, econômico ou político”, disse.

Enquanto isso, o deputado e aliado de Bolsonaro, Marco Feliciano (Podemos-SP), elogiou o discurso do presidente, classificando como um “histórico pronunciamento”.

“Depois do histórico pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro no dia de hoje, próprio de um estadista, feito diante da Assembleia-Geral das Nações Unidas, nosso Brasil entrou definitivamente para o grupo das nações que ditam os rumos da humanidade! Viva o Brasil”, escreveu no Twitter.

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