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De executivo a trader: a perda de R$ 350 mil e a virada de Igor Monteiro

Após perder quase todo o patrimônio em dias, trader muda abordagem e reconstrói no day trade

Bruno Nadai

Conteúdo XP

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Uma perda de R$350 mil em apenas uma semana foi suficiente para praticamente zerar o patrimônio de um trader e colocá-lo diante de uma decisão: abandonar o mercado ou recomeçar do zero.

O episódio, causado por alavancagem e falta de entendimento sobre os minicontratos, marcou uma virada definitiva na forma de operar.

Igor Monteiro foi o convidado do episódio 256 do programa GainCast, onde detalhou sua jornada profissional, os erros que quase comprometeram sua carreira e o processo de reconstrução que o levou à consistência no mercado.

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Carreira no banco

A entrada no mercado financeiro aconteceu dentro do Bradesco, onde permaneceu por 17 anos. Desde o início, Monteiro se destacou pelo perfil analítico e pela busca constante por aprendizado, o que acelerou sua evolução dentro da instituição.

Além disso, adotou uma postura incomum para a época: estudar profundamente processos internos e produtos financeiros. Esse comportamento abriu portas e o levou rapidamente a posições estratégicas.

Com o tempo, essa dedicação resultou em uma trajetória pouco convencional, passando por diferentes níveis até chegar à diretoria executiva.

Paralelamente, o interesse por renda variável ganhava força dentro da rotina profissional. “Eu sempre fui um cara que gosta de metrificar tudo”, afirma.

Enquanto muitos colegas priorizavam consumo, Monteiro direcionava recursos para investimentos. Assim, começou a construir uma base no mercado, ainda distante do ambiente dinâmico do day trade.

“Eu queria comprar Petro, era só Petro e Vale, e fazer algum tipo de investimento”, conta.

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Primeiro contato com trade

Apesar da familiaridade com o mercado, o contato com operações mais ativas ocorreu de forma gradual. No início, as limitações tecnológicas e operacionais restringiam a velocidade das execuções e o tipo de estratégia possível.

Ainda assim, o interesse pelo curto prazo já existia, mesmo sem estrutura adequada. Isso contribuiu para o desenvolvimento de uma visão prática sobre o funcionamento do mercado.

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“Eu lembro de fazer trade na máquina de datilografar. Você mandava no vai e vem e aí se processava no dia seguinte em D+1. Era uma loucura comparado com a tecnologia que nós temos hoje”, conta.

Com o avanço da tecnologia, o acesso ao mercado se tornou mais ágil e acessível. Nesse cenário, Monteiro passou a explorar operações mais curtas e frequentes, aumentando gradualmente a exposição.

“Desde 2017 eu não lembro o dia que eu não dei um clique”, comenta.

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A saída do banco, porém, não foi motivada inicialmente pelo trade, mas pelo desejo de empreender. Ainda assim, o mercado ganhou protagonismo nesse novo momento profissional. “Na verdade, eu saí do banco para empreender”, afirma.

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O erro decisivo

A transição para o day trade trouxe um dos episódios mais críticos da trajetória de Monteiro. Sem compreender totalmente a dinâmica dos minicontratos e, principalmente, o impacto da alavancagem, ele assumiu uma posição muito maior do que imaginava.

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O resultado foi uma perda expressiva em um curto intervalo de tempo, suficiente para comprometer praticamente todo o patrimônio acumulado ao longo de anos.

“Eu voltei ali para a estaca zero praticamente. Tudo que construí ao longo do tempo eu destruí em uma semana”, afirma.

Na prática, o prejuízo chegou a cerca de R$350 mil em apenas uma semana, valor que representava quase toda a sua liquidez naquele momento.

A perda exigiu decisões duras, incluindo a venda de bens para reorganizar a vida financeira. “Era 90% do que eu tinha”, revela.

Mais do que o impacto financeiro, o episódio marcou uma ruptura definitiva na forma como passou a enxergar o mercado. A partir dali a busca por ganhos rápidos deu lugar à disciplina, à gestão de risco e à construção de um processo consistente.

Reconstrução gradual

Após a perda, Monteiro iniciou um processo de reconstrução baseado em controle de risco e repetição disciplinada. Em vez de tentar recuperar o prejuízo rapidamente, optou por reduzir drasticamente o tamanho das operações.

Ao mesmo tempo, buscou aprendizado com traders mais experientes, acelerando sua evolução técnica.

Esse movimento foi decisivo para mudar sua mentalidade em relação ao mercado. “Procure pessoas boas, aprenda e replique”, conta.

Nesse período, Monteiro passou a operar valores muito menores, priorizando execução e consistência. A estratégia foi fundamental para reconstruir não apenas o capital, mas também o psicológico. “Eu voltei a operar para ganhar R$30, R$50 por dia”, relata.

Gradualmente, os resultados começaram a aparecer. Mais do que o financeiro, porém, o avanço veio da consolidação de um método baseado em previsibilidade e controle. “Eu fui fruto dos R$30 e eu falo isso até hoje”, destaca.

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Desenvolvimento do método

A evolução no mercado levou Monteiro a estruturar um modelo próprio de operação, baseado em análise gráfica, leitura de contexto e gestão de risco rigorosa.

Diferentemente do início, o foco passou a ser consistência, não volume nem alavancagem.

Além disso, ele passou a estudar profundamente os próprios resultados, utilizando dados para ajustar o operacional. Esse processo foi determinante para a construção de um modelo replicável.

“Eu executo dados nas regiões que eu acredito, nos pontos que eu acredito, com o stop que eu acredito”, explica.

Outro ponto central foi o controle da alavancagem, que passou a ser utilizado de forma estratégica e consciente. Com isso, conseguiu equilibrar risco e retorno ao longo do tempo.

“Eu não gosto de operar muito mais alavancado que isso, que eu acho que não tem necessidade”, afirma.

Esse modelo permitiu que Monteiro evoluísse com consistência, evitando os erros que marcaram o início da trajetória no day trade.

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Disciplina e consistência

Atualmente, Monteiro defende que o sucesso no day trade está diretamente ligado à disciplina e à capacidade de repetir processos com consistência. Para ele, o mercado não recompensa impulsividade, mas sim execução estruturada.

Além disso, destaca a importância de trabalhar com probabilidades e estatística, em vez de buscar operações isoladas. Essa visão reforça a necessidade de planejamento e controle.

“Se eu sei que 80% dos rompimentos falham, por que eu vou vender fundo ou comprar topo?”, questiona.

Outro ponto central é o controle emocional, especialmente em momentos de ganho ou perda. Segundo ele, a consistência exige clareza operacional e disciplina na execução.

“Você tem que estar ali e entendendo o que o seu Excel ou o papel de pão ou uma HP está te dizendo para você executar”, afirma.

Dessa forma, a trajetória de Monteiro mostra que, no day trade, o diferencial não está no ganho rápido, mas na capacidade de sobreviver aos erros, ajustar o processo e repetir o que funciona.

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