De cara nova, Av. Paulista continuará atraindo bancos e empresas de telefonia

Projeto de revitalização do cartão postal de São Paulo prevê melhorias no visual da avenida e valorização dos imóveis da região

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SÃO PAULO – A partir de agosto, o cartão postal de São Paulo passará por um programa de revitalização, numa parceria entre a prefeitura do município e a
Associação Paulista Viva. Além da troca do calçamento, a Av. Paulista receberá novas árvores em canteiros centrais, o asfalto será re-capeado e painéis publicitários serão retirados para melhorar o aspecto visual. Qualquer semelhança com a 5.a Avenida em Nova York é pura coincidência.

Parece que a Avenida está reagindo ao tempo, e em breve a aparência abandonada e decadente será apenas uma pequena fase atravessada em seus 111 anos de idade. Além da aparência, as cifras também terão sua importância no processo de revitalização. “Não há dúvida que qualquer projeto de recuperação urbana valoriza os imóveis da região e atrai novos investidores”, afirma Tomás Salles, diretor de novos
negócios da Lopes Consultoria de Imóveis.

Bancos ainda são maioria

No início da história da Paulista, a avenida abrigava palacetes dos “Barões do Café”, e mais tarde também reuniu algumas mansões da nova classe empresarial paulista, que ganhava força a partir da década de 30. As residências deram lugar a modernos prédios de uso comercial, sobretudo para sedes de instituições financeiras multinacionais. Ainda hoje este é o perfil de ocupação do endereço, que já teve um dos metros quadrados mais caros do mundo.

Os bancos continuam mantendo seus escritórios na Paulista, graças à excelente localização e à facilidade do transporte coletivo, que beneficia seus funcionários. Além das três estações de metrô, a região é favorecida pelas inúmeras linhas de ônibus
que circulam por suas ruas. Mais recentemente, empresas de telefonia disputam espaço com os executivos das finanças, com destaque para a Telefônica, que ocupa a maior parte de um edifício construído há pouco nas proximidades da Consolação. As
empresas de tecnologia e novos serviços resolveram eleger outras localizações da cidade para se instalar: a Vila Olímpia e a região da Berrini próxima à Marginal Pinheiros.

Avenida se adapta para novas funções

O cartão postal de São Paulo entra em sua terceira fase de ocupação, mais consolidado e com serviços para um público mais exigente e diversificado. Entre os edifícios comerciais, escondem-se ainda 15 de uso exclusivamente residencial. Na verdade, um deles, o Edifício Ariona, que já teve entre seus condôminos o industrial Leon Feffer, da Cia. Suzano de Papel e Celulose e o navegador Amir Klink, é o primeiro edifício a ser demolido na Avenida. Em seu lugar será construído, pela Serplan, um edifício de escritórios, com revestimento de vidro e placas de granito.

Atualmente, o aluguel por metro quadrado na Avenida varia de R$ 30 a R$ 60, dependendo do perfil e da qualidade do edifício. O valor mais alto refere-se aos
empreendimentos de altíssimo padrão, com serviços de alta tecnologia e sofisticado sistema de segurança. A título de comparação, alugar um escritório do mesmo
padrão na região da Berrini sai entre R$ 50 e R$ 55 o m2, enquanto na Faria Lima esse valor fica entre R$ 70 e R$ 80. Aliás, é na Av. Faria Lima que se está sendo
inaugurado o imóvel mais caro da cidade, o Plaza Iguatemi, com lajes corporativas entre R$ 90 e R$ 100 o m2.

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Segmento hoteleiro

Não é só de bancos e empresas de telefonia que vive a região da Paulista. Até pouco tempo atrás, os hotéis mais caros e luxuosos eram exclusividade da faixa entre a Alameda Campinas e Rua Haddock Lobo. Em breve será lançado pela Gafisa um novo empreendimento hoteleiro na própria avenida, enquadrando-se no novo perfil de hotéis econômicos. Hoje o turista de negócios tenta deixar as estrelas de lado, aliando
conforto a economia.

Nos últimos anos, diversos hotéis e flats categoria quatro estrelas foram construídos na região, visando um público intermediário, quem vem a São Paulo para tratar de negócios e não dispõe de R$ 300 a R$ 500 para gastar numa diária de hotel. Para Cláudia Pavani, diretora de marketing da SMS Turismo de Negócios, a
oferta de unidades nesse padrão melhorou muito. “Antes não havia tantas opções para o turista quem vem para São Paulo a negócios. O que tinha era muito caro. Hoje
ele tem um leque maior para escolher e a preços mais convidativos. É o resultado da concorrência”, declara Pavani.