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SÃO PAULO – Quando Jim O’Neill cunhou o termo Bric em 2001, ele identificou as principais forças que irão dirigir a economia global na próxima década. Os quatro países que compuseram inicialmente o grupo – Brasil, Rússia, Índia e China – tinham pouco em comum, exceto pela escala e pelo potencial de crescimento para transformar as taxas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) global como nunca visto anteriormente.
Contudo, quatorze anos depois, na reunião dos Brics (agora com a África do Sul, que entrou no grupo em 2010), boa parte das expectativas parecia ter ido por “água abaixo”, conforme ressalta o Financial Times.
Bolha de ações na China, seguindo o cenário menos promissor para o mercado de ações, que leva a um cenário de risco de queda para os mercados financeiros globais e para o crescimento econômico global. Enquanto isso, Brasil e Rússia registram recessão e a taxa de crescimento agregado do grupo foi para apenas 2%.
O crescimento nos Brics permanece bem abaixo da sua tendência de longo prazo. Desde 2010, a taxa de crescimento de longo prazo dos Brics diminuiu de 8% para 6%. Isto não é surpreendente, , mas a queda é bem pronunciada.
Desta forma, o blogueiro do FT Gavyn Davies destaca que o que uma vez tinha sido a “faísca brilhante” na economia global tornou-se agora a sua grande dor de cabeça. E questiona: o que deu errado com os Brics e como eles podem se recuperar?
Nos anos 1990, os Brics eram contribuintes insignificantes para o crescimento mundial, mas em 2010 eles estavam contribuindo entre um terço e metade de todo o crescimento global, dependendo se os dados são medidos em taxas de câmbio de mercado ou por paridade do poder de compra. Além disso, o FMI espera que os Brics tenham praticamente uma participação constante e alta na economia global, enquanto a economia global se recupera nos próximos cinco anos.
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Se as previsões do FMI estiverem corretas, os Brics continuarão sendo fundamentais para as perspectivas de crescimento global por muitos anos vindouros. Mas FMI e outras casas de análise estão demasiadamente otimistas nos últimos cinco anos, com persistentes revisões para baixo das previsões, ressalta o FT.
E, afirma o blog do jornal, há várias razões para a desaceleração simultânea das quatro economias para países tão diferentes.
A primeira razão é que a história gloriosa dos Brics sempre foi dominada pela China, que sozinha representa 56% do PIB dos Brics. “Quando a China espirra, a maior parte das outras economias emergentes pega um resfriado”, afirma Davies. Enquanto isso, Brasil e Rússia (e muitas economias asiáticas menores) são essencialmente fornecedoras da China em mercadorias e produtos manufaturados. O crescimento chinês PIB passou de 11% em 2007 para 7% agora.
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Mas muitas economias emergentes, incluindo a China e a Índia (assim como a Coréia, Taiwan, Hong Kong etc), são importadoras de commodities, e deveriam ganhar com os preços de petróleo e dos metais mais baixos. “Surpreendentemente, a maior parte destas economias não conseguiram se beneficiar do recente choque de commodities e, ao invés de crescimento do PIB, houve uma desaceleração acentuada. Alguma coisa deve estar acontecendo de errado nesses países”, afirma o FT.
Um fator comum a muitos paíeses é um declínio no crescimento do crédito, muitas vezes partindo de níveis estratosféricos, levando a uma contração acentuada das condições monetárias domésticas. Brasil, Índia, Rússia, Hong Kong, Singapura, Indonésia, Filipinas e Tailândia registraram um aumento da relação entre empréstimo e PIB desde 2010 e, agora, enfrentam uma maré baixa causada ??por políticas flexibilizadoras anteriores.
Em 2015, a inflação global declinante não foi acompanhada por política de reduções das taxas, de modo que as taxas de juros reais aumentaram, causando aumento de empréstimos improdutivos. A Índia, por exemplo, está lutando contra este último fenômeno, com o banco central lutando para trazer para baixo as taxas de empréstimos reais no setor bancário.
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Uma outra decepção tem sido o fracasso em manter políticas favoráveis para os negócios e para os mercados em regulação e tributação nacional, além da dificuldade de realizar reformas.
O Banco Mundial faz um ranking de 189 países a cada ano sobre a “facilidade de fazer negócios”. Os Brics estão classificados da seguinte forma: Rússia está na posição 60, China na posição 90, Brasil em 120 e a Índia, na posição 142. E com a Grécia sendo classificada à frente de cada um dos Brics, há claramente muito mais trabalho necessário a ser feito para que o milagre do crescimento dos Brics continue.
“Mesmo agora, em seu estado conturbado, o FMI espera que os Brics obtenha até metade do crescimento global no resto da década. Mas, o controle do crédito excessivo pode ser uma tarefa difícil e prolongada. Não poderia haver mais decepções à frente”, afirma o FT.