De blue chips a estreantes, veja algumas das ações que surpreenderam em 2010

Petro, Usiminas, B2W, Positivo e IdeiasNet estão entre destaques negativos, ao contrário de Hering, Renner, Marcopolo, HRT e AmBev

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SÃO PAULO – Com uma alta de mais de 80% em 2009, o Ibovespa foi alvo de projeções bem otimistas no começo de 2010, com os mais céticos projetando o índice na faixa dos 80 mil pontos. No entanto, ao nos aproximarmos do final do ano, percebemos que essas perspectivas ficaram bem distante da realidade e o principal índice da Bovespa caminha para fechar 2010 praticamente no “zero a zero”.

Apesar do fraco desempenho do Ibovespa em 2010, muitas ações conseguiram destoar do marasmo visto no mercado e apresentaram desempenhos surpreendentes – seja pelo lado positivo ou pelo negativo. Dentre todos esses destaques, a InfoMoney selecionou dez empresas, sendo que metade delas teve boa repercussão nestes nesses 12 meses, enquanto a outra metade aparece em evidência pelo sinal negativo e o motivo por trás do fraco desempenho de suas ações.

Os dados considerados abaixo levam em conta os preços de fechamento da última terça-feira (28).

Agora sim, vamos aos 10 destaques da bolsa em 2010:

 Os 5 Destaques Positivos   Os 5 Destaques Negativos 
Cia Hering Petrobras
Lojas Renner Usiminas
AmBev B2W
Marcopolo Positivo
HRT Participações IdeiasNet

Cia Hering (HGTX3, +166,44% em 2010)

O ano de 2010 foi muito favorável para as empresas de consumo e varejo. Com o crescimento da atividade econômica do País, muitos indicadores econômicos mostraram melhorias, tais como a taxa de desemprego, a renda média da população, o volume de crédito e a confiança do consumidor, colaborando no impulso das vendas do setor nesse ano.

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Nesse universo, destacamos as ações da Cia Hering, atualmente a sexta maior alta de toda a Bovespa no ano. Em 2009, os papéis da companhia já tinham registrado ganhos na casa dos três dígitos, subindo 287,2%. Medindo o desempenho acumulado nesses dois anos – ou seja, calculando a variação entre a cotação ajustada do último pregão de 2008 (R$ 2,46, considerando o desdobramento realizado recentemente) e o preço visto no fechamento da última terça-feira (28) – chegamos a surpreendentes 931,64% de valorização.

O mais impressionante é que, mesmo tendo aumentado em 10 vezes seu valor de mercado nos últimos dois anos, os analistas seguem confiantes com a empresa, que frequentemente é vista entre as small caps mais recomendadas. A empresa constantemente é elogiada por analistas por conta de suas estratégias e qualidade de gestão, condições de repasse de custos aos preços e apresentação constante de resultados financeiros positivos.

O Santander, por exemplo, elevou de R$ 26 para R$ 36 o preço-alvo esperado para HGTX3 ao final de 2011, reiterando a recomendação de compra. A antecipação em um ano da meta da empresa, esperando agora atingir 405 lojas ao final de 2011, ajuda a sustentar o otimismo mesmo após o rali verificado nesses dois anos.

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Por último, mas não menos importante, os papéis da empresa deverão passar a integrar em 2011 a composição do IBrX-100, estando presente nas prévias da carteira teórica do índice que vigorará entre janeiro e abril, deixando a empresa ainda mais em evidência para outros tipos de investidores, tais como os fundos de investimento que possuem como benchmark esse índice de ações.


Lojas Renner (LREN3, +43,5% em 2010)

Atuando no mesmo segmento que a Hering, as ações da Lojas Renner caminham para fechar 2010 entre as melhores performances do Ibovespa. Além do cenário macroeconômico favorável, o desempenho da companhia na bolsa refletiu os fortes resultados apresentados no ano – o lucro de R$ 185 milhões, acumulado entre janeiro e setembro deste ano, é mais que o dobro do valor visto no mesmo período de 2009. O plano de expansão de vendas e de formato de lojas também rendeu elogios em 2010.

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Devido à crescente criação de empregos e um maior aumento na renda esperado em 2011, a expectativa é de que os resultados operacionais e financeiros da companhia continuem a evoluir, afirma a equipe do UBS, que mantém LREN3 como top pick do setor. “O plano de expansão de vendas da Lojas Renner e a estável lucrabilidade deverão guiar o desempenho da ação”, escreve o analista do banco, Gustavo Piras Oliveira, em relatório. Contudo, sobre a continuidade do bom momento destas ações, o Banco Fator Corretora tem uma opinião mais conservadora, ao argumentar que o ótimo desempenho visto neste ano limita novas recomendações positivas. “As ações das empresas de varejo têxtil já estão precificadas. Enxergamos mais riscos que oportunidades associadas às suas atividades, pois as margens estão no pico histórico”.

Assim como a Hering, a Lojas Renner também veio de um 2009 muito positivo, tendo acumulado valorização de 154,32%. Dessa forma, o desempenho agregado da ação de 2009 pra cá atinge uma variação positiva de 264,96%.


AmBev (AMBV4, +48,65% em 2010)

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Outro player do setor de consumo e varejo, a distribuidora de bebidas também mostra um ótimo desempenho nos últimos 24 meses. Após subirem 80,1% em 2009, as ações da companhia atualmente possuem a segunda melhor performance do Ibovespa em 2010, totalizando ganhos de 167,71% nesse biênio.

O aumento na renda média da população brasileira ajudou a impulsionar os resultados da empresa, que possui nada menos que 71% de participação no mercado interno. Além disso, a menor elasticidade em sua demanda e a capacidade de repasse de maiores custos em tempos de inflação em alta também trazem atratividade ao ativo AMBV4.

Foi realizado na última semana o desdobramento das ações da AmBev na razão de um para cinco. Dessa forma, o papel da empresa, cuja cotação girava em torno de R$ 250, pode ser comprado agora por cerca R$ 50, tornando-se muito mais viável para o pequeno investidor e, consequentemente, promovendo maior liquidez no mercado brasileiro.

Outro aspecto bastante favorável: a empresa possui um histórico positivo como distribuidora de dividendos, destinando sempre fatias robustas do seu lucro aos acionistas – em 2010, a quantia distribuída aos investidores foi de aproximadamente R$ 5 bilhões. Não por menos, a AmBev é uma das poucas empresas de consumo e varejo com aparição frequente nas carteiras de dividendos recomendadas por bancos e corretoras.


Marcopolo (POMO4, +116,24% em 2010)

Outra empresa cotada para fazer parte do IBrX-100 em 2011, a fabricante de ônibus também conseguiu tirar proveito do cenário favorável da economia brasileira e registra atualmente a décima maior alta da Bovespa neste ano. Além disso, eventos futuros que ocorrerão no Brasil, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, deverão colocar a Marcopolo no radar dos investimentos diretos e indiretos em infraestrutura.

E os sinais de otimismo não partem só dos analistas e investidores, mas também da própria Marcopolo. Em setembro, a empresa realizou um aumento de R$ 250 milhões em seu capital social por meio de bonificação, entregando uma nova ação para cada papel que seus acionistas detinham a um custo irrisório de R$ 1,11495 – no total, 224.225.021 novas ações foram emitidas.

Já na última semana, a companhia divulgou seu guidance para 2011, período no qual espera produzir 29.300 ônibus e atingir uma receita líquida consolidada de R$ 3,15 bilhões – como base comparativa, a receita acumulada pela empresa nos primeiros nove meses de 2010 foi de R$ 2,12 bilhões. Vale destacar que ela possui participação no também aquecido mercado indiano, onde atua por meio de uma joint venture.

As ações POMO4 subiram 119,56% em 2009, acumulando nesses 24 meses quase completos uma valorização de 374,78%.


HRT Participações (HRTP3, +33,61% desde 25 de outubro)

Com pouco mais de dois meses de vivência na BM&F Bovespa – a HRT realizou seu IPO (Oferta Pública de Ações, na sigla em inglês) no dia 25 de outubro deste ano -, a companhia já conseguiu se tornar a menina dos olhos de muitos analistas do setor de petróleo e gás. Voltada para o investidor institucional – cada papel está cotado a R$ 1.610,00 – a petrolífera encontra-se em estágio pré-operacional, com plano para começar em 2011 a perfuração dos 11 poços na Bacia do Solimões, na Amazônia – sendo seis no primeiro semestre e os demais no segundo. A empresa também explorará a região da Namíbia.

“Namíbia e Solimões não apresentam um longo e sólido histórico para as descobertas de óleo, mas nós acreditamos que isto é resultado da falta de atividade na região”, destacam os analistas Pedro Medeiros e Fernando Dias do Valle no relatório de início de cobertura do Citigroup. A dupla acredita que há mais riscos de upside do que de downside em torno do sucesso exploratório da empresa nas duas regiões. Contudo, eles deram a recomendação de hold (manutenção) para os ativos HRTP3, projetando ao final de 2011 um preço-alvo de R$ 1.970.

Recomendando a compra dessas ações, o analista Nelson Rodrigues de Matos, do BB Investimentos, afirmou que as condições atuais da HRT são muito boas, mas a empresa “ainda necessita percorrer um longo caminho para mitigar todo o seu risco atual”. Dessa forma, o cumprimento do cronograma exploratório, as aquisições de novos dados sísmicos e, principalmente, os resultados das primeiras perfurações precisam ser observados de perto. O preço-alvo estimado no final do ano que vem é de R$ 2.000.

Outra importante casa de research que iniciou a cobertura destas ações recentemente é o Credit Suisse. Enxergando uma combinação atrativa de risco e retorno, a equipe liderada por Jonathan Wolf posicionou a empresa como sua top pick do setor na América Latina. Os papéis da petrolífera também estiveram presentes na carteira recomendada da Spinelli nas últimas semanas.


Petrobras (PETR3, -26,66%; PETR4, -24,75% em 2010)

Mesmo quem não tem a menor familiaridade com o noticiário do mercado de capitais certamente ficou sabendo do processo de capitalização da estatal brasileira do petróleo. Com a captação total de R$ 120 bilhões no mercado, a oferta de ações da Petrobras foi a maior de toda a história do mercado financeiro. No entanto, entre o anúncio e a realização da capitalização, uma infinidade de divergência – principalmente em torno das condições da cessão onerosa – emperraram a operação e desagradaram os analistas.

Somando isso aos temores de overhang (excesso de oferta) por conta da enorme quantidade de ações colocadas no mercado e ao cenário conturbado da economia mundial em 2010, o resultado final é este que vemos agora: a perda de praticamente um quarto de seu valor de mercado em apenas 12 meses.

Passado esse 2010 tumultuado, a expectativa sobre 2011 é de que a Petrobras foque seus investimentos na região do pré-sal, sendo esperado um cenário mais favorável para suas ações.


Usiminas (USIM3, -16,27%; USIM5, -24,8% em 2010)

As siderúrgicas provavelmente não vão querer se lembrar do 2010 que tiveram. Embora a indústria brasileira tenha se mantido aquecida nesses 12 meses, a apreciação do real tornou o aço importado cada vez mais atraente aos olhos do consumidor local, forçando as empresas daqui a praticarem descontos para não perder a clientela.

O rali de alta das commodities encareceu os insumos utilizados na produção do aço, corroendo ainda mais as margens do setor. Por fim, o arrastado ritmo de recuperação das economias desenvolvidas e o crescimento dos estoques na cadeia produtiva também não ajudaram. Em resposta, os papéis dessas empresas despencaram na bolsa brasileira.

Para representar o setor, escolhemos a Usiminas que, assim como a Petrobras, também viu seu valor de mercado corroer em praticamente 25%. Embora a Gerdau também tenha tido um ano deprimente (GGBR4, -23,03%), os papéis conseguiram corrigir em dezembro parte das perdas acumuladas em 2010 – até a última terça-feira, estas ações acumulavam ganhos de 13,18% no mês, acompanhando a melhora de alguns indicadores econômicos dos Estados Unidos, mercado onde possui forte exposição. A suficiência em minério de ferro é um dos motivos que garantiu à CSN (CSNA3, -2,13%) um melhor desempenho no ano.


B2W (BTOW3, -35,39% em 2010)

Destoando-se no 2010 positivo para o setor de consumo e varejo, as ações do braço operacional da Lojas Americanas na internet foram duramente penalizadas pela cada vez mais acirrada concorrência no segmento de e-commerce, registrando atualmente o terceiro pior desempenho dentre os ativos listados no Ibovespa.

O reflexo disso tem sido visto nos resultados divulgados nesse ano, que tem provocado uma onda de corte de recomendações de bancos e corretoras – Morgan Stanley, Barclays Capital, HSBC e Link foram alguma das casas de análise que se decepcionaram com as performances trimestrais da B2W e revisaram para baixo suas estimativas.

Apesar de ser manter líder no seu segmento, a empresa segue perdendo participação no mercado brasileiro, tendência que deverá se manter em 2011. O foco em produtos de menores margens, maior dependência das condições de crédito e concorrência mais pesada também é apontado como negativo por analistas.


Positivo (POSI3, -55,43% em 2010)

Quem se recorda dos destaques positivos (com o perdão do trocadilho) da bolsa em 2009 apontados pela Equipe InfoMoney vai se lembrar da Positivo, que viu suas ações subirem 231% em meio à resistência demonstrada pela empresa às investidas de grandes players do setor, como a Lenovo.

Em 2010, ao invés das tentativas de comprar da empresa, as multinacionais Acer, HP e Dell adotaram posturas mais agressivas para capturar os clientes perdidos no agravamento da crise financeira. Através da redução do preço de produtos finais e de parcerias com redes de varejo, a Positivo sentiu a pressão da concorrência nesse ano, que vem a cada mês abocanhando parte do seu market share no País. Apesar de sua parceria com o governo ter ajudado a amenizar as perdas no varejo, é importante lembrar que essa demanda é pontual, não podendo ser replicada no futuro.

No entanto, a trajetória declinante de suas ações ganhou mais forças a partir de novembro, após a divulgação do balanço referente ao terceiro trimestre de 2010. Com números abaixo do esperado pelos analistas, os papéis da Positivo desabaram 10,5%, dando início ao momentum negativo.

Enquanto as ações de Cia Hering e Marcopolo deverão ingressar no IBrX-100, as ações POSI3 estão presentes na lista de quem deverá deixar de fazer parte da composição do índice no próximo quadrimestre.


IdeiasNet (IDNT3, -32,83% em 2010)

Outra representante do setor de tecnologia, a IdeiasNet teve um ano desafiador: apesar da melhora operacional, a companhia continua reportando prejuízos a cada trimestre. A mudança no regime de substituição tributária na área de TI (Tecnologia da Informação) do estado de São Paulo prejudicou o desempenho da Officer, uma das principais empresas de seu portfólio.

Há também a combinação de desinvestimentos e postegação de investimentos, que vem deteriorando o balanço da empresa desde 2009. Os papéis tiveram suas negociações suspensas em 6 de abril por conta de um processo de aumento de capital.

Mas esses últimos dias do ano podem ajudar a melhorar a percepção dos investidores para o horizonte da IdeiasNet. No último dia 17 , a companhia assinou um contrato para venda de sua participação na Media Factory ao grupo francês LeadMedia por um total de R$ 8,92 milhões, e a empresa receberá R$ 6,36 milhões. Já no dia 28, ela efetuou a venda da totalidade da locadora de DVDs pela internet, a NetMovies, para a Tiger Global Management, recebendo R$ 11,1 milhões pelo negócio, o qual recebeu elogios dos analistas da Fator Corretora.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers