Dasa sobe 3,5% na Bolsa com sinais de recuperação operacional e maior previsibilidade

Companhia apresentou melhora sequencial no desempenho tanto da própria Dasa quanto da Rede Américas

Felipe Moreira

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Foto: Divulgação
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As ações da Dasa (DASA3) fecharam com alta nesta quarta-feira (13), com mercado reagindo positivamente à evolução das margens da Rede Américas e ao avanço da agenda de eficiência da companhia, apesar das preocupações ainda presentes com o nível de alavancagem. Os papéis subiram 3,50%, a R$ 3,25, ainda que longe das máximas de cerca de 9% seguindo a aversão a risco do mercado por conta da alta dos juros futuros levando em conta o cenário eleitoral.

O Bradesco BBI avalia os resultados do 1T26 como positivos, com crescimento robusto de receita e expansão relevante de margens, reforçando a melhora do momentum operacional e da visibilidade de resultados ao longo do ano.

“Apesar do aumento pontual da dívida líquida no trimestre, atribuível a fatores sazonais, a performance operacional mais forte e os ganhos de eficiência sustentam a expectativa de geração relevante de caixa em 2026”, comenta BBI.

O Bradesco BBI mantém recomendação neutra para o papel, porém com viés positivo, diante da combinação de melhora consistente de resultados, maior previsibilidade operacional e potencialalta para nossas estimativas caso o ritmo de crescimento e controle de custos se mantenham nos próximos trimestres.

O Goldman Sachs, por sua vez, avalia que os resultados da Dasa trouxeram sinais operacionais melhores em algumas divisões, mas o aumento da dívida líquida e a piora do capital de giro devem pesar sobre a percepção do mercado.

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Segundo o banco, a dívida líquida ajustada da companhia subiu R$ 230 milhões na comparação trimestral, principalmente devido ao aumento das contas a receber, o que pressionou o capital de giro. O Goldman destacou que os recebíveis avançaram o equivalente a 13 dias adicionais de receita anualizada, movimento considerado relevante pelos analistas. A empresa também foi impactada por um pagamento de R$ 48 milhões relacionado à joint venture com a Amil.

Com isso, a alavancagem da Dasa permaneceu praticamente estável em 3,1 vezes a dívida líquida sobre EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), nível que o Goldman considera o principal ponto de atenção da tese de investimento.

Já a Rede Américas apresentou melhora gradual de rentabilidade. A margem EBITDA recorrente alcançou 14,2%, avanço de 2 pontos porcentuais frente ao trimestre anterior, refletindo ganhos operacionais nas unidades hospitalares. A receita bruta ficou praticamente estável em R$ 3,38 bilhões, enquanto a receita líquida avançou 8% na comparação trimestral.

O banco também destacou a forte geração de caixa da Rede Américas, com impacto positivo de R$ 199 milhões vindo do capital de giro. O lucro líquido da operação somou R$ 38 milhões no trimestre.

Apesar das melhoras operacionais, o Goldman afirmou manter postura de “esperar para ver”, aguardando uma evolução mais consistente da geração de caixa operacional para reduzir a alavancagem da companhia.

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Já o Itaú BBA observou uma melhora sequencial significativa no desempenho tanto da própria Dasa quanto da Rede Américas, após um quarto trimestre de 2025 impactado por efeitos pontuais e pela harmonização das práticas contábeis. Na visão do banco, o resultado representa um avanço na agenda de eficiência da companhia.

O BBA ponderou, contudo, que a desconsolidação de alguns ativos pode afetar a comparabilidade dos números. Por isso, a empresa apresentou uma base de comparação de “escopo atual”, refletindo exclusivamente a estrutura operacional vigente e excluindo os efeitos de operações descontinuadas, ativos vendidos e negócios incorporados à Rede Américas.

O banco também destacou que, por muito tempo, manteve uma visão mais cautelosa sobre o papel, com estimativas que não refletiam integralmente as diversas mudanças recentes pelas quais a companhia passou. Embora esteja preparando uma atualização mais ampla sobre a tese de investimento, o Itaú BBA ressaltou alguns dos principais pontos do balanço do primeiro trimestre de 2026 da empresa.

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O Morgan Stanley, por sua vez, classifica os números como operacionalmente positivos, com volumes de diagnósticos mais fortes, margens melhores e melhoria na Rede Américas, impulsionando a evolução do EBITDA. No entanto, o fraco fluxo de caixa livre e a alta alavancagem mantêm a desalavancagem orgânica como a principal questão não resolvida. O banco manteve recomendação neutra