Danske Bank avalia impacto da flexibilização quantitativa do Fed no câmbio

Elevação da oferta de moeda pode acarretar uma "queda livre" do dólar; ao mesmo tempo, competitividade aumenta

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SÃO PAULO – Há várias maneiras do Estado elevar a oferta de moeda na economia, como redução dos depósitos compulsórios, operações de mercado aberto via compra de títulos públicos e menores metas de juro no redesconto aos bancos.

“Uma das maiores influências exógenas nas taxas de câmbio vem agora dos efeitos colaterais da flexibilização quantitativa dos bancos centrais”. A afirmação inicia relatório do Danske Bank, no qual o banco avalia as medidas das autoridades monetárias sobre o mercado de câmbio, bem como traça perspectivas sobre os próximos passos das autoridades monetárias.

Fed tenta, mas dólar cede

Em pormenores nos EUA, o Federal Reserve compra Treasuries conforme a oferta de moeda se retrai na economia norte-americana. Na junção entre essa flexibilização quantitativa e a possível remodelagem das reservas globais, conforme proposto pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), e com recuo na participação do dólar, a moeda norte-americana poderá sofrer uma “queda livre”.

Para evidenciar a tese, o Danske cita as palavras de Timothy Geithner, secretário de Tesouro dos EUA, que se mostrou favorável à reforma nas reservas. Como resposta, o dólar desvalorizou-se subitamente 1% frente às principais divisas internacionais – euro e iene.

Diferentes e iguais

Federal Reserve, BoE (Bank of England), BoJ (Bank of Japan), SNB (Swiss National Bank). A despeito de atuarem em diferentes países, a restrição de liquidez e o desejo de aumentar a oferta de moeda na economia são consoantes nestas instituições. No entanto, apesar do sentimento de ajuda, como tais medidas podem afetar o mercado de câmbio e, por conseguinte, o fluxo do comércio internacional?

“O resultado será uma ‘devaluation competitiva’, na qual os bancos centrais simplesmente passam o fardo para outro”, observam os analistas. Se todos dobram a quantidade de moeda, invariavelmente os preços também se multiplicarão por dois. “Uma moeda mais fraca impulsiona a competitividade”, completam.

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Fábrica de dinheiro

Embora cresçam indícios de que a desvalorização do dólar frente às principais moedas é só uma questão de tempo, a equipe do banco enxerga que, pelo menos, seu status como principal divisa do mundo não se perderá, seja no curto, seja no médio prazo. “Mas no longo prazo não há nada que garanta que dois terços das reservas globais sejam feitas por fábricas de dinheiro”, conclui o Danske Bank.