Dados domésticos ganham importância e podem determinar rumo da bolsa

Expectativa para reunião do Copom cresce, e sinalização de fim da alta dos juros pode contribuir com o Ibovespa

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SÃO PAULO – Os eventos na agenda internacional, apesar de importantes, pouco contribuíram para o desempenho do Ibovespa nesta última semana. Como apontou o Barclays, a maioria deles era esperada. O Banco Central chinês e o BCE (Banco Central Europeu) elevaram juros em 0,25 ponto percentual, a ata do Fomc (o Copom norte-americano) não trouxe novidades e o pedido de resgate financeiro por Portugal era dado como certo desde março. 

“Todos estes fatores contribuíram com discussões sobre os riscos-chave para o mercado em termos globais, mas não ofereceram nada de realmente novo”, apontaram em nota Koon Chow, George Christou, Piotr Chwiejczak e Andreas Kolbe, analistas do banco britânico.

Desse modo, a agenda interna ganhou relevância, e entre elevação do rating do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch e aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o crédito à pessoa física, o Ibovespa caiu 0,79% nos últimos cinco dias, para 68.718 pontos. 

Dados internos podem guiar mercado…
A cena doméstica deve continuar a ser relevante para o comportamento do principal índice da bolsa paulista na próxima semana. Márcio Cardoso, diretor da Título Corretora, lembra que o governo e o mercado continuam preocupados com o cenário inflacionário. O próprio Banco Central já sinalizou que os preços devem continuar em tendência de alta até meados desse ano. Investidores e economistas, no entanto, têm pouca certeza que a política monetária atual irá conseguir trazer a inflação para o centro da meta em 2012. 

Com essa queda de braço, o relatório Focus, na segunda-feira, ganha destaque, acredita Cardoso, porque mostra a percepção de instituições financeiras, gestores e consultorias  sobre dados-chave da economia, como inflação e PIB (Produto Interno Bruto). Na terça-feira (12), vale observar as vendas no varejo, mas o índice deve ter relevância mais moderada por se tratar de um indicador com referência em fevereiro. 

O diretor da Título acredita que os investidores vão continuar a trabalhar no curto prazo, sem tomar posições mais duradouras, o que contribui para a permanência da volatilidade que tem sido marca do Ibovespa já há meses. Entre altas e baixas, Cardoso avalia que o índice deve manter-se no canal entre 66 mil e 70 mil pontos, possivelmente segurando-se próximo a 68 mil pontos. 

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… e mercado já sente expectativa com Copom
Para Dani Rappaport, sócio da consultoria e gestora de ativos Investport, a expectativa para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) também deve dar sua contribuição para o desempenho do mercado nos próximos dias. A opinião baseia-se na incerteza sobre a política monetária em vigência. 

O Comitê deve elevar a taxa básica de juro do País na próxima reunião, de acordo com o consenso do mercado contido na última pesquisa Focus. Ao mesmo tempo, o boletim mostra que depois dessa alta da Selic, a taxa de juro básica nacional deverá manter-se em 12,25% ao ano pelo resto de 2011. Se de fato o Copom sinalizar que irá interromper o ciclo de alta da Selic, a resposta do mercado tende a ser positiva, acredita Rappaport, recuperando a diferença aberta frente as bolsas de Wall Street. 

Na cena externa, agenda na China e nos EUA
O sócio da Investport, no entanto, não elimina a importância do mercado internacional como referência. Se as bolsas por lá subirem, as ações aqui podem acompanhar. Nos Estados Unidos, avalia, novas sinalizações positivas vindas da economia devem continuar a beneficiar o comportamento das bolsas. 

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Por lá, são esperados vendas no varejo, indicadores inflacionários e o Livro Bege do Fed, que fornece um retrato da economia compilado por 12 braços regionais da autoridade monetária. A agenda continua importante na China, onde serão divulgados o PIB mensal, a produção industrial e, mais importante, a inflação ao consumidor – o país enfrenta o mesmo problema do Brasil, com aceleração da alta dos preços. 

Márcio Cardoso não vê preocupações severas com o cenário externo neste momento. Mesmo a Europa, que voltou ao noticiário com o pedido de resgate de Portugal, deve ganhar menos espaço com a definição dos detalhes do pacote de ajuda, esperada para este final de semana. Dani Rappaport também acredita que a crise fiscal no continente pode ganhar parcela menos expressiva das atenções, já que as condições de financiamento da Espanha – o possível próximo dominó – foram melhores nas últimas emissões de títulos. 

Medidas adicionam volatilidade
Sendo assim, a atenção é redobrada para os próximos passos das autoridades no Brasil. Cardoso não descarta novas medidas por parte do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que apenas na última semana deu duas coletivas de imprensa para anunciar ações com intuito de combater inflação e alta do real. 

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Esse anúncios de surpresa, destaca, aumentam a volatilidade e a especulação entre os agentes do mercado. Ainda assim, Rappaport não acredita em medidas mais relevantes, como aumento do depósito compulsório pelos bancos. Para o dólar, que renovou a mínima desde agosto de 2008 nesta semana, o sócio da Investport não vê muitas ações à disposição do governo.