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SÃO PAULO – A Totvs (TOTS3) teve um pregão atípico nesta quinta-feira (28). Depois de divulgar resultados extremamente elogiados, a empresa viu suas ações subirem 4,20%, cotadas a R$ 150,00, com um giro financeiro de R$ 67 milhões, bem acima da média diária dos últimos 12 meses, de R$ 20 milhões.
A alta foi ainda maior durante o dia, quando o papel atingiu a máxima de R$ 154,00. A reação positiva dos investidores foi acompanhada de perto pelos analistas: a receita, a geração de caixa e as margens da companhia bateram as expectativas de forma categórica.
| Resultados financeiros da Totvs (em R$ milhões) | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Indicador | 3T10 | 3T09 | Variação | Projeções* | Variação |
| Receita Líquida | 303 | 253 | +20,0% | 286 | +5,94% |
| Ebitda | 88 | 66 | +32,7% | 69 | +27,53 |
| Lucro Líquido | 33 | 31 | +6,8% | 37 | -10,81% |
| Lucro Líquido Recorrente | 50 | 41 | +21,5% | 49 | +2,05% |
| *Média das estimativas de: Itaú Securities, BTG Pactual, Credit Suisse, Banco Fator, Bank of America Merrill Lynch e Brascan; para Lucro Líquido, estimativas consideradas foram de BofA, Brascan, Fator, Credit Suisse; para Lucro Recorrente, foram considerados BTG e Itaú. | |||||
O destaque fica, sem dúvidas, com o crescimento das receitas de taxas de licenciamento, citadas por todos os analistas consultados pela InfoMoney. “O avanço de 44,5% ano a ano na receita de taxas de licenciamento, resultado principalmente do significativo aumento no ticket médio dos novos clientes, foi o grande destaque do desempenho da companhia no trimestre”, resumiram Jacqueline Lison, Luiz Guilherme Fonseca e Mateus Renault, do Banco Fator, em relatório.
Essa performance foi impulsionada principalmente pelo crescimento do ticket médio por cliente novo, de R$ 51 mil “bem cima da nossa expectativa de R$ 27 mil e da média de R$ 26 mil nos últimos seis trimestres”, explica o Bank of America Merrill Lynch. A receita de taxas ficou nada menos do que 26% acima das projeções do banco, conforme reportado por Lars Konrad, Mauricio Fernandes e Rodrigo Villanueva.
No geral, o aumento do ticket médio e, consequentemente, da receita de taxas de licenciamento, deve-se a um fator específico: o retorno das compras por parte das empresas de maior porte, que haviam reduzido os investimentos durante a crise financeira internacional.
Expectativas ultrapassadas
Embora o destaque fique com a elevação do ticket médio, outros indicadores bateram substancialmente as estimativas dos analistas. A receita líquida da Totvs, por exemplo, alcançou R$ 303 milhões, entre 5% e 6% acima das estimativas dos analistas consultados.
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Da mesma forma, o Ebtida (geração operacional de caixa) surpreendeu positivamente, levando a margem Ebitda (relação percentual entre Ebitda e receita líquida) a 29,1%, 5,5 ponto percentual acima do segundo trimestre deste ano.
“Essa expansão foi explicada pela redução em percentual da receita líquida em relação ao 2T10: nos custos das taxas de licenciamento, custos de serviços e vendas, refletindo a evolução de produtividade das equipes de serviços, despesas de vendas, despesas gerais e administrativas e provisão para devedores duvidosos”, explicou a analista Beatriz Battelli, em relatório da Brascan Corretora.
Pontos negativos
Por outro lado, apesar do sentimento geral positivo, ainda há ressalvas a serem feitas em relação aos resultados da Totvs. De acordo com os analistas Andrew Campbell e Marcelo Gonçalves, do Credit Suisse, as receitas com serviços cresceram “apenas” 8% na base anual, enquanto as despesas de vendas, gerais e administrativas continuaram crescendo em termos absolutos.
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Já a Brascan comentou o peso das despesas com pesquisa e desenvolvimento, que caiu de 13,4% para 13% da receita líquida, portanto “não apresentando redução significativa em relação ao trimestre anterior”. Sobre esse assunto, o BTG Pactual informou ainda que essas despesas devem começar a cair a partir de 2011 em termos relativos, “embora possam não cair muito em termos absolutos”. Vale ressaltar que o lucro líquido foi o único dentre os principais indicadores financeiros a decepcionar os analistas.
Perspectivas
Em relação às perspectivas, é possível separar as opiniões dos analistas em dois grupos: um otimista, outro nem tanto. Para o primeiro, que inclui Carlos Sequeira, do BTG Pactual, os analistas do Credit Suisse e do Banco Fator, as perspectivas permanecem positivas para os próximos trimestres.
“A saúde das pequenas e médias empresas brasileiras e a baixa penetração do serviço EPR devem sustentar um bom crescimento de receita para a Totvs nos próximos trimestres”, comentou o Credit Suisse. Complementando a ideia, a equipe da Fator afirma que o melhor mix de clientes e ganhos de escala após a consolidação dos canais de distribuição representam catalisadores para os resultados da empresa.
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Por fim, o BTG Pactual adiciona a expectativa de que a forte venda de licenças significa mais receitas com serviços e manutenção nos próximos anos, “o que nos torna mais confiantes de que a companhia pode continuar a crescer consistentemente, ao mesmo tempo em que melhora suas margens”.
Porém, no segundo grupo, há a percepção de que a forte melhora nos resultados foi pontual apenas. “Esperamos que crescimento da companhia ao longo dos próximos trimestres deverá ser mais elevado junto às empresas de menor porte, cuja taxa de penetração do EPR é mais baixa. Sendo assim, o ticket médio por cliente, bem como a margem Ebitda, poderão apresentar redução no próximo trimestre”, ressalta a Brascan.
“Apesar de esperarmos que o preço da ação reaja bem a esses números, nós vamos procurar por uma consistência no melhor mix de clientes antes de nos tornarmos mais positivos sobre a ação”, completou a equipe do BofA Merrill Lynch.
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Recomendações
Seguindo a divulgação dos números, a equipe do Credit Suisse elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 130 para R$ 160, enquanto o BTG Pactual vê “um risco de upside às estimativas”, colocando seu modelo sob revisão.
Por outro lado, o BofA Merrill Lynch reiterou a recomendação neutra, informando que os “sólidos fundamentos já estão em grande parte precificados” na cotação atual, percepção compartilhada pela Brascan, que recomenda underperfom (performance abaixo da média do mercado). Confira as recomendações:
| Instituição | Recomendação | Preço-Alvo* | Upside** |
|---|---|---|---|
| Brascan | Underperfom | R$ 145,80 | -0,8% |
| Bank of America | Neutra | R$ 160,00 | +6,67% |
| Banco Fator | Manutenção | R$ 148,50 | -1,0% |
| BTG Pactual | Compra | R$ 125,00 | -16,67% |
| Credit Suisse | Outperform | R$ 160,00 | +6,67% |
| Itaú Securities | Market Perform | R$ 147,20 | -1,87% |
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*Preço-alvo para dezembro de 2010 (Brascan), final de 2011 (Itaú), junho de 2011 (Banco Fator) e para 12 meses (Credit Suisse, BTG Pactual e BofA ML); |
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