Cyrela (CYRE3) se destaca após dados operacionais e salta quase 9%; confira análise das prévias para mais 3 construtoras

Analistas reforçaram otimismo com ação da companhia após prévia do segundo trimestre

Felipe Moreira

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Quatro das construtoras listadas em Bolsa divulgaram seus números operacionais na noite da última quarta-feira (12). Entre os players de média renda, o BBA destacou o forte desempenho da Cyrela (CYRE3) e da Even (EVEN3), que sustentaram a visão positiva do banco com o setor.

No front de baixa renda, a melhora dos números da Tenda  (TEND3) ressaltam os ventos positivos no setor. Analistas reiteraram a preferência pelo segmento de média renda, seguido por nomes de baixa renda. Além dessas a Melnick (MELK3), da Even, também divulgou os números, vistos como ligeiramente negativos.

Essas percepções se refletiram no desempenho das ações na Bolsa nesta quinta-feira (13) ainda que, durante a tarde, as ações TEND3 tenham perdido força e fechado em expressiva queda. Os papéis CYRE3 subiram 8,69% (R$ 22,51), enquanto EVEN3 avançou 1,12% (R$ 7,23). Entre as quedas, Melnick teve baixa de 2,89% (R$ 4,37) e Tenda teve desvalorização de 4,75% (R$ 12,42).

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Confira as visões dos analistas sobre as prévias operacionais das construtoras:

Cyrela (CYRE3)

Com relação aos dados da Cyrela, Itaú BBA destaca que os lançamentos e vendas ficaram bem acima das suas expectativas, refletindo um microambiente melhor do que o esperado e a capacidade da Cyrela de originar projetos atraentes. A empresa lançou 17 empreendimentos no período, totalizando valor geral de vendas (VGV) de R$ 2,537 bilhões (participação própria), crescimento de 190% no trimestre e 52% no ano e superando a projeção de crescimento de 38%.

No seis primeiros meses de 2023, os lançamentos da companhia totalizaram R$ 3,412 bilhões em VGV, 44% superior ao mesmo período do ano passado.

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Já as vendas contratadas (participação da empresa) chegaram a R$ 1,825 bilhão, 24% acima da projeção do BBA (alta de 66% no trimestre e 45% no ano), ou R$ 2.491 a 100%, que se divide em 50% alta renda, 25% média renda, 18% Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e 6% Vivaz Prime. Assim, a velocidade de vendas (VSO) acelerou para 19% (de 13% no 1T23 e 17% no 2T22), suportada pela forte velocidade de vendas de lançamentos de 40% (de 36% no 1T23).

O Credit Suisse classificou a prévia operacional da Cyrela como fortes e acima das suas expectativas.

“Com cerca de metade dos lançamentos do trimestre concentrados no segmento de alta renda, a empresa conseguiu converter seus números robustos em um nível de vendas muito alto, impulsionando a velocidade de vendas dos lançamentos em 40%”, destaca Credit. “Apesar do aparente ceticismo do mercado em concentrar esforços em grandes projetos, a Cyrela mais uma vez demonstrou seu posicionamento e estratégia comercial bem-sucedidos”.

Embora os principais indicadores ainda apontem um ambiente desfavorável para as construtoras de médio/alto padrão, na visão do Credit Suisse, a Cyrela vem mostrando consistentemente que as melhores construtoras podem nadar contra a maré e ter bom desempenho. Assim, reitera classificação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para a ação, com preço-alvo de R$ 22.

O BBI também ressalta que a Cyrela apresentou resultados operacionais sólidos no 2T23, mostrando lançamentos acelerados e uma velocidade de vendas razoável de 48% (+5pp na comparação ano a ano).

Analistas do BBI ainda destacam a empresa é um dos players mais bem posicionados entre os nomes de renda média-alta antes do próximo ciclo de afrouxamento monetário devido à Cyrela ter um banco de terrenos robusto e uma fase de lançamento estável em  cerca de R$ 6 ou 7 bilhões por ano. Em suma, mantém classificação outperform e preço-alvo de R$ 22.

Tenda (TEND3)

O Credit Suisse comenta que a Tenda seguiu seus pares de baixa renda e reportou números operacionais positivos no trimestre. A empresa apresentou lançamentos e vendas líquidas ligeiramente acima do esperado, e continuou elevando seus preços de venda (alta anual de 16% e de 5% na base trimestral), “o que deve sustentar a recuperação de margem”.

Com esse conjunto de resultados, e com a Tenda conseguindo vender altos volumes de estoque (66% do valor vendido), o Credti Suisse vê a empresa se aproximando da estabilização de suas operações e do retorno sobre patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) de dois dígitos uma vez entregue.

De acordo com estimativas do banco suíço, o ROE da Tenda deve ultrapassar os 20% em 2025, mas com as condições positivas do novo MCMV e o covenant das unidades vencendo no 2T, podemos ver o turnaround acontecer mais rápido do que o esperado. Sendo assim, mantém classificação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de 11.

Para Bradesco BBI, a Tenda apresentou fortes números operacionais no 2T23, com lançamentos robustos (alta anual de 23%) e vendas líquidas (+31% na base mensal).

Além disso, o banco saliente a construtora conseguiu aumentar os tickets das unidades de negócios on-site (+4% na base anual) e off-site (+27% na base anual), além de aumentar a velocidade de vendas (VSO).

O BBI manteve recomendação neutra para ações da Tenda, com preço-alvo de R$ 15, pois sua recompensa de risco parece pouco atraente, dada sua avaliação atual (9,0 vezes Preço/Lucro para 2024 contra 7,4 vezes média dos pares e 2,3 vezes Preço/Valor patrimonial para 2023e).

Na mesma linha que BBI e Credit Suisse, o Itaú BBA avalia os dados relatados pela Tenda como positivos, pois a construtora registrou um forte crescimento dos lançamentos e das vendas durante o segundo trimestre deste ano, resultado em uma aceleração da velocidade de vendas.

Por outro lado, analistas do BBA destacam um ligeiro aumento nos distratos no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre de 2023.

Even (EVEN3)

O Itaú BBA avalia que a Even reportou bons números para o período. A empresa lançou três empreendimentos no trimestre com VGV de R$ 774 milhões (participação própria), 294% acima da base de comparação fraca do 1T23 e 68% na base anual.

As vendas contratadas somaram R$ 591 milhões (participação própria), um aumento de 93% no trimestre e 23% no ano. Isso elevou a velocidade de vendas para 19% (de 11% no 1T23), que se divide em 44% para lançamentos e 11% para estoques.

Os distratos caíram para R$ 67 milhões, queda de 10% em relação ao ano anterior, mas alta de 5% no trimestre.

A XP também ressalta que a Even divulgou números operacionais sólidos no 2T23, reiterando recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 9 por ação.

“Observamos um aumento nos lançamentos %Even (+68% em relação ao ano anterior), com foco em projetos de alto padrão (ticket médio de aproximadamente R$ 3 milhões) em São Paulo. Como resultado, as vendas líquidas aumentaram (+23% em relação ao ano anterior), impulsionadas por vendas mais fortes dos novos lançamentos, atingindo R$ 343 milhões em comparação com R$ 144 milhões no 2T22, e vendas resilientes de estoque, mantendo o ritmo sólido que vimos no 1T23”, aponta.

Para o Bradesco BBI, a Even apresentou desempenho operacional satisfatório para o 2T23, com um forte volume de lançamentos –100% em São Paulo –e uma sólida velocidade de vendas de 44% nos lançamentos e 19% no 2T23.

“No entanto, ainda vemos as margens estáveis em 2023 e menores em relação aos nossos números de 2023, dada uma estratégia comercial com descontos maiores, devido ao pico de entregas no 2S23 e 2024 e condições mais difíceis no Sul (onde a Melnick opera)”, aponta, mantendo, contudo, recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 7 para o ativo.

Melnick (MELK3)

Já sobre a Melnick, construtora gaúcha subsidiária da incorporadora Even, os analistas do BBA viram a sua prévia como ligeiramente negativa.

“A empresa não teve lançamentos no trimestre. As vendas contratadas (participação própria) totalizaram R$ 111 milhões, ante R$ 305 milhões no 1T23 e R$ 286 milhões no 2T22. Assim, a velocidade de vendas desacelerou para 9% (de 20% no 1T23)”, apontam os analistas.

Um empreendimento residencial foi entregue no 2T23, com VGV de R$ 117 milhões e 190 unidades.