Cyrela (CYRE3) é compra? Bradesco BBI diz que sim e eleva preço-alvo; ação sobe

De acordo com o BBI, a Cyrela foi a ação mais debatida em reuniões recentes com investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Divulgação/Cyrela)
(Foto: Divulgação/Cyrela)

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Apesar da valorização de quase 90% nos últimos 12 meses e de 44% em 2025, o Bradesco BBI reiterou recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para Cyrela (CYRE3) e elevou o preço-alvo de R$ 36,00 para R$ 40,00 por ação, o que representa um potencial de valorização de 37%. A instituição reforçou ainda a construtora como sua preferida (Top Pick) no setor imobiliário. Às 13h05, as ações da companhia subiam 4,60%, a R$ 30,45.

De acordo com o BBI, a Cyrela foi a ação mais debatida em reuniões recentes com investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro. A instituição vê a empresa como uma opção de alta liquidez e alta sensibilidade ao ciclo econômico, beneficiando-se tanto da expectativa de cortes de juros quanto do otimismo associado às eleições de 2026.

O banco ponderou, contudo, que o grande debate entre investidores está no timing. Enquanto parte do mercado aposta no potencial macroeconômico, há cautela em relação aos riscos de curto prazo.

Viva do lucro de grandes empresas

Analistas observaram que as posições vendidas em CYRE3 subiram 29% no mês, refletindo preocupações com uma possível desaceleração nas vendas de média e alta renda nos próximos 6 a 12 meses. Para o BBI, esse risco existe, mas não deve afetar o desempenho já no 3º trimestre de 2025.

O banco ainda enxerga uma assimetria atrativa: no cenário pessimista, o potencial de queda (downside) seria de 17% no P/L (Preço sobre Lucro), considerando forte impacto negativo nos lançamentos de média e alta renda e ausência de fatores macro positivos.

No cenário otimista, por outro lado, o múltiplo P/L poderia avançar 61%, para 8,1 vezes, com rendimentos de dividendo (dividend yield) estimado em 7% em 2026, combinando estabilidade no volume de lançamentos e redução de 200 pontos-base no custo de capital (Ke), para 15%.

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O BBI ressaltou ainda que, para justificar o P/L atual de 5,0 vezes para 2026, seria necessário cortar os lançamentos a partir de 2026 para R$ 7 bilhões — o que implicaria redução de 36% nas projeções consolidadas do banco ou mais de 60% nos lançamentos de média e alta renda, assumindo estabilidade no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Na visão dos analistas, esse cenário extremo representa uma margem de segurança relevante.