RADAR INFOMONEY Pão de Açúcar (PCAR3) cai 74% e Assaí (ASAI3) sobe 400%; entenda | Hapvida e Notre Dame disparam com fusão

Pão de Açúcar (PCAR3) cai 74% e Assaí (ASAI3) sobe 400%; entenda | Hapvida e Notre Dame disparam com fusão

After Market

CVM processa ex-conselheiros da Petrobras, acordo Fibria/Klabin e 3 resultados agitam a noite

Confira o que foi destaque na noite desta segunda-feira (4)

SÃO PAULO – A semana começou agitada na Bolsa, que viu o Ibovespa atingir seu maior nível desde outubro do ano passado. Já no after market desta segunda-feira (4) o mercado continuou com o noticiário recheado, principalmente com uma nova leva de resultados corporativos do primeiro trimestre. Mas não foram apenas os balanços que foram destaque, confira:

Petrobras
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu nesta segunda-feira (4) um processo administrativo contra ex-conselheiros da Petrobras (PETR3; PETR4) pelo descumprimento ao artigo 155, caput, da Lei n° 6.404/76, que diz que o administrador “deve servir com lealdade à companhia”. As informações são do Valor Econômico.

Na lista de acusados aparecem: Guido Mantega, Miriam Aparecida Belchior, Francisco Roberto de Albuquerque, Luciano Galvão Coutinho, Marcio Pereira Zimmermann, Sérgio Franklin Quintella, Jorge Gerdau Johannpeter e José Maria Ferreira Rangel. Entres os nomes, apenas Coutinho continua no conselho de administração da estatal, que foi alterado na semana passada.

Este processo é resultado de três processos administrativos abertos pela CVM desde 2013. A acusação é que os ex-conselheiros teriam induzido os investidores da Petrobras a erro ao aprovar a política de preços e o plano de negócios da petroleira para o período de 2014-2018 “com a finalidade de atingir níveis objetivos de endividamento em datas pré-definidas e, em vez disso, terem optado por conduzir a política de preços da petroleira de maneira a tornar o cumprimento dessas metas improvável”.

Os acusados ainda deverão apresentar suas defesas à autarquia e no decorrer dos processos poderão propor à CVM termos de compromisso para encerrar o processo sem um julgamento, que será avaliado pela instituição.

BR Properties
A BR Properties (BRPR3) encerrou o primeiro trimestre do ano com lucro líquido de R$ 30,2 milhões, queda de 49% em relação ao mesmo período de 2014. Já a receita líquida ficou em R$ 182,3 milhões, o que representa um recuo de 22% sobre um ano antes. O Ebitda ajustado (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) caiu 25%, para R$ 156,3 milhões.

No fim de fevereiro, o Bridge anunciou a intenção de lançar a operação ao preço de R$ 12 por papel da BR Properties, a ser ajustado por dividendos e juros sobre capital próprio. Mas analistas têm afirmado que BTG Pactual e Brookfield Property Group só devem ter sucesso na tentativa de compra se elevarem o valor da oferta para acima de R$ 15 por ação, diante da resistência de acionistas.

Logo após o resultado, a Moody’s decidiu baixar a perspectiva para o rating da companhia de estável para negativa. “A ação de rating hoje reflete a exposição da BR Properties à continua desaceleração econômica e às perspectivas de fraco crescimento de curto prazo no Brasil, aos riscos mais elevados e volatilidade relacionados à cobertura de seus encargos fixos, assim como vacância mais elevada nos segmentos de escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro”, comunicou a agência.

Marcopolo
A Marcopolo (POMO4) fechou o trimestre com lucro líquido de R$ 34,0 milhões, uma queda de 37,4% sobre o mesmo período de 2014. A Receita líquida caiu 11,5%, atingindo R$ 656,8 milhões nos três primeiros meses do ano, enquanto o Ebitda ficou em R$ 65,8 milhões – queda de 12% – no mesmo período.

PUBLICIDADE

“O resultado foi afetado pela menor receita nos segmentos de rodoviários e Volares no mercado interno, que recuaram 24,1% e 58,1%, respectivamente”, disse a Marcopolo.

Segundo a empresa, a perspectiva de outro ano desafiador na indústria de carrocerias de ônibus no país se confirmou. “A Marcopolo vem buscando se adaptar a esse cenário adotando férias coletivas, flexibilização da jornada de trabalho, postergação de investimentos, redução de custo fixo e melhorias na eficiência operacional”, disse empresa.

Multiplus
A Multiplus (MPLU3) divulgou os resultados do primeiro trimestre mostrando lucro líquido recorde de R$ 100 milhões, uma alta de 34,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Sua receita líquida foi de R$ 534,4 milhões, crescimento de 21,3% comparado ao primeiro trimestre de 2014. Ebitda de R$118,3 milhões e margem Ebitda de 22,1%.

Os pontos emitidos recuaram 0,4%, para 22 bilhões, mas os pontos resgatados cresceram 8,6%, para 19 bilhões, com destaque para os resgates realizados junto a parceiros e serviços fora do setor aéreo, que tiveram evolução de 62,1%.

Segundo a Multiplus, a queda de emissão de pontos foi impactada principalmente pela desvalorização do real. “Além disso, a economia mais fraca tornou nosso programa de fidelidade mais eficaz do que nunca, reforçando a participação na rede e os resgates”, disse a empresa em comunicado.

Fibria e Klabin
A Fibria (FIBR3) e a Klabin (KLBN11) anunciaram que aprovaram a celebração de um contrato para fornecimento de celulose de eucalipto (fibra curta), que será produzida na nova fábrica da Klabin em construção na cidade de Ortigueira, no Paraná (Projeto Puma). O contrato entre as duas empresas estabelece o compromisso firme de aquisição pela Fibria, ou por suas subsidiárias, do volume mínimo de 900 mil toneladas anuais de celulose de fibra curta, que será vendido com exclusividade pela Fibria em países fora da América do Sul.

O volume adicional produzido pela nova fábrica será comercializado diretamente pela Klabin, sendo a celulose de fibra curta nos mercados do Brasil e da América do Sul, e a celulose de fibra longa e fluff no mercado global. “O contrato entre Fibria e Klabin reflete a visão inovadora das duas companhias e cria uma nova referência no mercado. Tal iniciativa é positiva para ambas as partes, agregando eficiência logística, complementaridade estratégica, sinergias e criação de valor compartilhado”, afirma o presidente da Fibria, Marcelo Castelli.

“O Projeto Puma é o maior investimento da Klabin em seus 116 anos de história e marca o retorno da companhia ao mercado de comercialização de celulose. Aliar a reconhecida competência florestal e industrial da Klabin à experiência comercial da Fibria nesse mercado, em um contrato inédito no setor global de celulose, resultará em uma operação que beneficia ambas as empresas”, destaca o CEO da Klabin, Fabio Schvartsman.  

PUBLICIDADE

O período do contrato será de 6 anos, sendo 4 anos com volume mínimo de 900 mil toneladas e 2 anos de redução gradual do volume do contrato (o chamado phase out). Os volumes do quinto ano e do sexto ano serão equivalentes a, respectivamente, 75% e 50% do volume entregue no quarto ano do contrato. O volume de vendas previsto em contrato poderá ser reduzido a qualquer tempo, mediante prévio aviso, em até 250 mil toneladas para eventual futura integração em papéis para embalagem da Klabin. O contrato poderá ser renovado mediante acordo das partes. O preço de venda terá por base o preço médio líquido praticado pela Fibria, base FOB (free on board) no Porto de Paranaguá (PR).

Educacionais
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do governo federal esgotou seus recursos para 2015, de R$ 2,5 bilhões, e novas edições do programa este ano e em 2016 dependem de disponibilidade de verba do Orçamento da União, numa consequência do forte ajuste fiscal para organizar as contas públicas.

“Não havendo mais recursos seria inútil a reabertura”, disse o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, a jornalistas nesta segunda-feira ao ser questionado sobre a continuidade do Fies. O ministro disse que o Fies será realizado em 2016, mas sem indicar valores para o programa, afirmando que o montante dos recursos será definido posteriormente.

Destinado a custear a graduação na educação superior de estudantes matriculados em instituições não gratuitas, a 1ª edição do Fies/2015 totalizou 252.442 novos financiamentos em instituições privadas, somando R$ 2,5 bilhões. “Com esses dados, nós esgotamos os recursos”, disse Janine Ribeiro.

Em edição similar realizada no ano passado, os recursos foram de aproximadamente R$ 4,8 bilhões. O encolhimento do Fies ocorreu após o governo federal restringir gastos de programas públicos, incluindo projetos educacionais, uma bandeira da campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff em 2014.

Os cursos mais procurados na atual edição foram engenharia, direito, enfermagem, administração, psicologia, fisioterapia arquitetura e urbanismo. O prazo para novos contratos, que estava aberto desde fevereiro, foi encerrado em 30 de abril.