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SÃO PAULO – Com um salto acumulado neste ano de quase 140%, o Baltic Dry Index está sendo interpretado pelo mercado como uma sinalização de que os preços das commodities podem se recuperar no médio prazo, baseado no aumento da demanda chinesa por materiais básicos e petróleo.
A sensação é de que a disparada do índice que mede o custo de frete é uma evidência de que o plano de estímulo de US$ 580 bilhões do governo chinês está funcionando. Essa percepção ainda é apoiada por outros dados, como o crescimento dos empréstimos novos no país.
Outros países afetados
A decisão da China de investir em infraestrutura e no mercado imobiliário não deve apenas impulsionar a sua economia, mas também outros mercados, como Austrália e Canadá – grandes produtores de cobre e minério de ferro – e a Noruega – grande exportadora de petróleo.
Assim, junto com o otimismo em relação às commodities, há também o otimismo com o câmbio desses três países. Historicamente, a coroa norueguesa e os dólares australianos e canadenses se moveram em consonância com o Baltic Dry Index, o que faz muitos analistas apostarem na alta dessas moedas em comparação com o dólar norte-americano.
Pode não ser assim
Apesar da visão positiva em relação ao pacote de estímulo da China, há quem olhe para a situação de modo mais cético. Afinal, a demanda chinesa sozinha pode não ser o bastante para impulsionar os preços das commodities. Em relatório, o estrategista do Deutsche Bank, Joel Crane, afirmou que o momentum de ascensão do Baltic Dry Index pode perder força nas próximas semanas, sinalizando mais cautela nas previsões para o mercado.