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SÃO PAULO – De acordo com cotações dos contratos de DI Futuro nesta quinta-feira (4), a curva de juros brasileira apresenta uma forma ascendente. Ou seja, os juros futuros de prazos mais distantes mostram-se superiores àqueles de curto prazo.
Usualmente, tal precificação ocorre em momentos cujo prognóstico é de aperto monetário. Nestas situações, é racional esperar por juros maiores à frente, daí o formato crescente da curva.
Quando da perspectiva de estabilidade da política monetária, a inclinação positiva também se justifica. A renúncia temporal implica a exigência de juros maiores para prazos mais distantes.
Mas ocorre o contrário
Ocorre, porém, que as perspectivas sobre a política monetária brasileira apontam para diminuições na taxa Selic. Ainda que os mais conservadores apostem na manutenção do juro básico na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), a expectativa consensual é de provável retomada dos cortes em dezembro ou em 2008.
Isso porque os temores levantados pela ata do último encontro do colegiado já se mostram defasados. Primeiramente, o repique inflacionário observado em agosto e setembro dá claros sinais de arrefecimento, com maior controle dos preços dos alimentos.
Ademais, o dólar comercial retomou de forma vigorosa sua tendência de depreciação, sugerindo prosseguimento da contribuição do setor externo à dinâmica inflacionária.
A mediana das projeções do relatório Focus espera uma taxa Selic de 11,00% ao ano em dezembro de 2007 e de 10,25% ao ano no final de 2008.
Os de prazo ainda mais longos
Explicar o comportamento dos juros mais longos torna-se ainda mais difícil quando considerada a possibilidade de obtenção da classificação investment grade.
Previsto para 2008, ou 2009 pelos mais céticos, o grau de investimento atrairia novos investidores institucionais ao mercado de renda fixa doméstico, o que comprimiria as taxas.
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Resistência em reassumir posições
Dada a perspectiva de reduções adicionais na taxa Selic, o que explica a inclinação positiva da curva de juros brasileira? Diferentemente dos outros ativos domésticos, como bolsa, dólar e risco-país, os juros futuros vêm resistindo em convergir aos níveis pré-crise do subprime.
O retorno do investidor estrangeiro à Bovespa se deu em velocidade muito superior à verificada nos contratos de DI.
Mantido o cenário internacional mais tranqüilo, fica difícil acreditar na relutância estrangeira em assumir posições na renda fixa nacional, sobretudo quando considerada a redução da Fed Funds Rate.